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domingo, 16 de novembro de 2008

Amizade. Filhos da Escola.


Os amigos são para a vida. Quero acreditar assim.
O João Sequeira Garcia (16 298), revelou-se ser um deles desde o tempo da recruta e do I.T.E. na Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro. Tínhamos as camaratas próximas, na Caserna de todos nós. Naturalmente, conversávamos os assuntos relacionados com a idade e a nossa condição de voluntários na Armada e nos Fuzileiros. Tínhamos sido incorporados em Março de 1962, e atendendo as nossas idades (entre os 16 e 18 anos) tínhamos o estatuto de alunos. Os mais velhos - três ou quatro anos - não tinham o estatuto de alunos mas eram igualmente voluntários. Aliás, era lema na Marinha que: para a Marinha só iam voluntários. Lembram-se disso? Uns e outros, desde que pertencentes à mesma incorporação, designam-se por filhos da escola.
O nosso vencimento como 2º grumete era de 60$00 por mês. Foi numa altura dessas – recruta ou I.T.E. – que o meu relógio de pulso se avariou: uma corda partida ou coisa parecida. Era o meu primeiro relógio, comprado por mim antes de me alistar, custara-me 250$00. Era de origem Suíça, tinha a marca cauny prima, com 17 rubis, dourado e de calendário: a grande novidade à época. Sei que falei neste assunto ao Garcia, com a intenção de procurar alguém para me reparar o relógio. Lembro-me que, depois de indagar, ficar a saber que o seu arranjo (orçamento) importaria em 20$00; que sendo assim aguardaria pelo fim do mês. O João Sequeira disse-me logo: eu tenho dinheiro, pá! Manda já arranjar o relógio e depois pagas-me quando puderes! Assim aconteceu: o relógio foi de imediato arranjado e no fim mês paguei logo a dívida, como era meu dever. Lembro-me que no mês seguinte tive que me governar com 40 paus mas lá me aguentei. Agora o importante, o importante mesmo para mim, foi a atitude espontânea deste nosso filho da escola.

Eu segui para Angola no DFE4 e o Garcia no DFE5, em de 1963 e não nos voltamos a encontrar tão cedo...
Anos mais tarde, talvez em meados de 1993, ia a passar na baixa em Lisboa, para apanhar qualquer transporte, com a minha mulher, e ouço atrás de mim uma buzina de táxi que parou depois à minha beira e perguntou-me: Ouça, você não foi fuzileiro… Olha lá, tu não eras o número 16291? Também o reconheci logo, apesar das barbas. O Garcia era industrial de Táxi (trabalhava por conta própria), morava em Sacavém e ainda me deixou um cartão com o contacto dele quando o percurso terminou. Não marcou a quilometragem nem quis aceitar cobrança. Não o procurei e devia fazê-lo. Eu,naquele momento andava muito "por baixo". A minha mulher tinha um cancro, fora operada e estava a passar muito mal com os tratamentos. Em Fevereiro do ano de 1994 faleceu. De qualquer modo, nunca esqueci os amigos. Mesmo que não eu apareça, eles estão sempre comigo.
Como terá escrito Jean de La fontaine: A amizade é como a sombra na tarde - cresce até com o ocaso da vida.
Obrigado, João Garcia!
Um grande abraço

Carga máxima!

Mais um pouco e o pobre do jipe levantava as rodas da frente do chão! Foto tirada em Moçambique, na Estação Radionaval da Machava, durante o transporte do pessoal que ia render a guarda. Ao volante o decano dos nossos condutores, Zé Manel Matos. Como Cabo da Guarda, se consigo ver bem, é o cabo Rodrigues. Entre os restantes reconheço o Rafael que foi, aliás, quem me remeteu esta fotografia. Tenho a certeza que, fazendo uso da vossa vista apurada, reconhecerão todos os outros também.


Aspirantes a Fuzileiros

Ainda mal sabiam marchar e já aspiravam a usar a boina dos fuzileiros especiais. Embora não tenha a certeza acho que não me engano, se vos disser que esta foto foi tirada na Escola, em Vale de Zebro, durante o período que antecedeu a saída da CF2, para Moçambique. O camarada que podeis ver à direita, apresentou-se como voluntário, no 1º dia de inspecções, da 1ª incorporação de fuzileiros, em setembro de 1961 e foi meu camarada de comissão na CF2, de 1962 a 1965. Não tenho conhecimento que tenha frequentado o curso de fuzileiros especiais. A CF2 era composta, segundo as regras daquele tempo, só por fuzileiros navais. Todos os fuzileiros especiais eram destinados aos destacamentos. Mais tarde foi eliminada a categoria de «especial» e passaram a ser todos apenas «fuzileiros», sendo incorporados em destacamentos ou companhias indiferenciadamente. E passaram a usar todos a famosa boina de fuzileiro que tanta polémica tem causado, na actualidade, entre oficiais que a querem usar também, sem nunca terem pisado a nossa Escola.
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Norte de Angola

A foto, que podem ver abaixo, foi tirada em Angola durante a comissão do DFE4 e enviada recentemente do Canadá, pelo Agostinho Maduro, onde agora reside. Todos os que aparecem na foto são membros desse destacamento que foi o primeiro a incorporar filhos da minha escola (16223 a 17012). Fizemos a recruta e o ITE juntos, mas tenho muita dificuldade em recordar as suas caras. É um facto que nos relacionávamos mais com os camaradas do mesmo pelotão ou com os vizinhos de tarimba, na caserna. Até o Agostinho Maduro (16231) com aquela carecada tenho dificuldade em reconhecer.
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Em cima - 16231*16630*16108*16306*16343
Em baixo - 14824*13040*16560

sábado, 15 de novembro de 2008

O seu a seu dono: David Sousa

Nas histórias do Mix incluí uma que não lhe é imputável. Não era verdadeira.
Tinha contado que o Mix nunca lavara uma camisa. Quando tinha a dele suja ia ao estendal, tirava uma camisa lavada, e deixava lá a sua… isto ter-se-á passado com o Sargento Chamusca, em Sazaire, que lhe chama a atenção para a camisa que trazia vestida, naturalmente, suja. Não teve problemas. Deixou a dele no estendal e vestiu uma camisa lavada que até era do sargento Chamusca.
Não, esta história passou-se com o nosso filho da escola, David G. de Sousa, 16674, já falecido. Na verdade, o Sargento Chamusca reparou que ele tinha uma camisa rota e mandou mudar de camisa. O David, que pelos vistos era um indivíduo desenrascado, não foi de modas: dirigiu-se ao estendal e em vez de uma, trouxe duas camisas que, por acaso, até eram do Sargento Chamusca.

Ao Ramiro Enxuto ( Mix), peço desculpa por este lapso.Também, já se passou tanto tempo...

Histórias. O Mix

O Mix- O Ramiro Diniz Enxuto (16 516) é natural Concelho de Torres Vedras. Em Março de 1962 alistou-se como voluntário na Marinha tendo sido transferido, logo após a entrega do fardamento, para Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, como a maioria dos filhos da escola. Depois da recruta e do curso de fuzileiros, integrou o Destacamento de Fuzileiros nº 4 que seguiu para Angola, em Fevereiro de 1963.
A razão por que o Ramiro Enxuto passou a ser conhecido por MIX, é do conhecimento de todos os camaradas do DFE-4º., por ser muito guloso. Quando íamos para o mato alimentávamos da famosa ração de combate, composta por latas de conservas, bolachas rijas como cor… e umas bisnagas com doce para remate final: era a sobremesa! Lembro-me que uma dessas bisnagas tinha o nome de trimix - espécie de leite condensado - que o Ramiro devorava sempre sem nunca se enjoar: comia a dele e a dos companheiros. Daí a alcunha de mix.




Ao que consta, o seu pai era Sargento na Guarda Nacional Republicana. Crê-se que um homem militarmente disciplinado.
Certa ocasião, o Ramiro que estava de férias na sua terra, lembrou-se também de convidar o filho da Escola Manuel Joaquim Martins (16 509) para lá ir passar uns dias com ele. O Martins aceitou. Durante aquela estada, o Ramiro Enxuto pensou em visitar o pai ao Quartel com o amigo convidado. Lá foram os dois, o pai recebeu-os bem, fez as honras da Unidade, mostrou o local da parada, os alojamentos, Refeitório, etc. Passado algum tempo, a visita chega ao fim e despedem-se. Agora, há que regressar a casa, mas como, a pé? Esta ideia não agradava nada ao Mix. Só que ele, logo que o pai virou costas, viu uma bicicleta largada na parada, junto ao Portão de Armas! não pensou duas vezes: agarrou na bicicleta e vieram os dois montados nela até casa…
Esta história foi contada pelo Martins, 40 anos mais tarde que me disse: Hé, pá... o pai do Mix não gostou mesmo nada dele ter feito aquilo. Pudera!
Histórias passadas com o Mix, em Angola, não faltam. No DFE4, o Ramiro Dinis e o Carlos Ferreira/Almada integravam a esquadra do João Filipe Reis e esta fazia parte da Secção Charles, chefiada por José Trigo. Não se poderá dizer que o Mix fosse um indivíduo disciplinado…



Gostava de andar pelas sanzalas, de se divertir e de beber até mais não… A ele também se lhe aplicava o Princípio de Arquimedes com as adaptações, evidamente introduzidas pelo moço de Quelfes: Todo álcool (líquido) mergulhado num corpo…
Lembro-me de um dia de manhã, em Santo António do Zaire, o Mix andar nu pela parada com o corpo marcado pelas molas da cama onde passara parte da noite. Tinha bebido uma garrafa de vodka sozinho e até lhe deu para arrancar a casca das árvores com os dentes e o pessoal teve que o levar as costas para a caserna. Entrou depois em estado de coma e foi o nosso camarada Bré, que prestava serviço de enfermagem, por gosto e vocação, na Botica do Hospital que o safou. Veio para Lisboa mais cedo por isso.

O Mix era de facto diferente da maioria.
Lembra o Agostinho Maduro que o Mix nunca lavou uma camisa. Quando a dele se sujava ia ao estendal, tirava uma camisa lavada, e deixava lá a sua… Uma ocasião, o Sargento Chamusca, em Sazaire, chama-lhe a atenção para a camisa que trazia vestida, naturalmente, suja. Não teve problemas. Deixou a dele no estendal e vestiu a camisa lavada que lá estava, que por acaso até era a do sargento Chamusca!
A arma, G-3 que trazia consigo também já não era a de origem. Tinha-a perdido, creio que caído ao rio, e não sei se foi só uma vez...

Certo dia, estávamos todos formados para irmos fazer exercícios ou ir treinar o tiro, nas imediações de Santo António do Zaire, mas faltava um dos elementos: era o Mix. Esperamos por ele algum tempo mas ele não apareceu; fomos à sua procura e também não o encontramos. Aguardamos ainda um pouco mais, em vão… Partimos. Quando chegamos mais ou menos a meio do percurso eis que damos de caras com o Mix à beira do caminho com três jovens raparigas africanas e uma varinha na mão. Ao ver-nos, apontou com a varinha para elas e disse: Que tal, gostam?
Noutra ocasião, deu para lavar o cabelo com água oxigenada. Suponho que era para aloirar cabelo. Não sei bem. O facto é que o Zé Trigo, Chefe da Secção dele, era quem fazia as requisições deste produto para o Posto e se interrogou com os gastos exagerados de água oxigenada, até que descobriu: era o Mix que a usava para lavar o cabelo!








Os anos - e foram muitos - correram e só há pouco tempo voltei a ver o Ramiro Dinis Enxuto (o Mix). As Primeiras notícias e contacto foram estabelecidos entre ele e o Almada, por causa do envio do meu livro Memorando e o 3.º Encontro do DFE4.


Depois, no próprio dia do Encontro, ou seja no dia 5 de Abril de 2008, quando conversei com ele. Fiquei a saber que depois do nosso regresso de Angola, em 1965, o Mix ficou na Escola de Vale de Zebro como instrutor! Fiquei surpreendido e perguntei-lhe a que se devia essa proeza; se não fizera mais comissões nos Destacamentos, em África. Respondeu-me com toda a naturalidade que não. Que não o queriam lá… e assim se tornara instrutor.
Curiosamente, esteve em Angola - como civil - e o Almada também, mas nunca se encontrarem. Segundo o próprio Mix, depois da Independência de Angola, foi recrutado pelo MPLA. Não entrou em pormenores mas esteve para ser fuzilado, num pelotão de fuzilamento, com uma bala na câmara apontada para ele! – Contou este facto, na maior descontracção. Se bem o conheço, nem terá manifestado qualquer medo. Uma pouco naquela: que se lixe…
Todos nós gostamos de ver o Mix, que hoje mora na Figueira da Foz: É operador na Câmara Municipal e tem uma filha com nove anos e outra casada. A sua história de vida daria, estou certo, um bom romance. Quem sabe, um dia…

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Concentração 2005 do DFE4. Continuação

Hoje não me sinto com vontade de escrever embora goste de escrever. Não me apetece ir à procura de assuntos, ordenar temas, alinhar o pensamento e andar à cata das palavras, dos substantivos ou dos verbos e adjectivos mais apropriados. Gosto de o fazer e até me dá prazer. Mas hoje não, decididamente não! Irei prosseguir com a amostragem de algumas fotos do 1º Encontro do DFE4 com: Concentração, última fase; e depois virá o almoço de confraternização.
Assim:
A contar da esquerda: Francisco Ferreira (16573), Júlio Santos, de óculos escuros a conversa com o CF Conceição Góis. Os dois últimos da direita não conheço.
Ao centro e com ar risonho é o Clemente Nogueira (16648)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Senhor Comandante, dá-me licença que desmaie!

Galvão
O Galvão - o seu nome verdadeiro é Manuel Pinto Carvalho (15 517) - era um companheiro muito divertido. Aparece quase sempre em todas as fotografias do DFE4, e tem um espírito incrível. Em Angola, conseguiu surripiar o endereço dos pais do Agostinho Maduro e, por conversas havidas entre ambos, lá soube que o Agostinho tinha uma irmã e toca de lhe escrever convidando-a para sua madrinha de guerra! Lá terá dito que era amigo do irmão, também era fuzileiro, andavam os dois na guerra, etc. Em resumo, o convite foi aceite.


Galvão e Agostinho Maduro
Quando se aproximou a época do Natal, surge uma encomenda dos Açores (Terceira), para o Galvão, enviada pelos pais do Agostinho que também recebeu a sua, mas depois dele!… Foi então que o Maduro descobriu a marosca… Inicialmente, não achou graça nenhuma, mas depois lá o desculpou...
Agora, o episódio que serviu de título a este apontamento passou-se em Vale de Zebro, no decurso de uma cerimónia e formatura em parada, comandada por um oficial superior. O Galvão, que integrava a formatura não se sentiu lá muito bem (talvez devido ao calor e muito tempo de pé…), mesmo assim, foi capaz de dizer: Senhor Comandante, dá-me licença que desmaie?
Aqui deixo algumas fotos em companhia do Galvão :

Agostinho Maduro, Galvão com chapéu e carrinho improvisado
com ovos (pelicanos/fêmeas), Sampaio, Vitorino e Alex (falecido)


Da esquerda para a direita: Póvoa, Acácio Lages (16560), Vitorino, Luciano R. Caseiro(16633),
Graciano P. Pimenta (16630). Em pé, Carlos Alberto Alves (16118)

Da esquerda para a direita, de pé: Manuel Rodrigues Pacheco/16456, António José Santos/16317(Loulé), Armindo Machado/16528(falecido), José Mestre/15395, Manuel Joaquim Martis/16509,João S. Alves/15595(falecido) e o Russo! Pela mesma ordem mas sentados: Manuel Pinto/15517(Galvão), Álvaro Abreu/16628,Francisco Ferreira/16573 (o barbeiro) e José Mestre/15395 ( Castro Verde).

Galvão ao centro no almoço do DFE4 de 2005. Ao seu lado esquerdo é o José Ricardo Dionísio da Franca (16403)




Refrescando a memória

Algumas imagens dos lugares que eram parte do nosso dia-a-dia naqueles tempos. Estas terras e estas águas fazem parte da história dos fuzileiros e ficarão a ela ligadas para todo o sempre.
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(A praia de Palhais)
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(O moinho de maré de Palhais)
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(A mata da Machada)


O Mundo é nosso

Como podem ver pelos escritos do Alvaro, há filhos da escola espalhados um pouco por todo o lado. Seja no Brasil, em Londres, Bruxelas ou Paris, no Canadá ou em Moçambique, eles continuam fuzileiros e, lentamente, vão aparecendo e dando notícias suas, para nossa delícia.
Hoje recebi uma foto do Artur Sousa (Leiria), antigo camarada da CF2, enviada do Canadá onde, agora e desde há muitos anos, reside. Filho do primeiro Curso de Fuzileiros de raíz, que teve início em setembro de 1961, é por isso uma referência e vou presentear-vos com a fotografia que ele teve a ambilidade de me enviar. Pode acontecer que haja alguns filhos dessa escola que naveguem nestas águas e gostarão, com toda a certeza, de o rever.
... oOo ...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Notícias de Fuzileiros




O Corpo de Fuzileiros tem novo Comandante
Teve lugar no dia 8 de Outubro de 2008 a cerimónia de rendição do cargo de Comandante do Corpo de Fuzileiros, presidida pelo Comandante Naval, VALM Vargas de Matos. A cerimónia decorreu na Escola de Fuzileiros perante ilustres entidades civis e militares, que com a sua presença deram brilho e lustre ao evento, transmitindo um sinal de apoio pessoal e institucional a todos os que servem a Marinha e o País no Corpo de Fuzileiros.
As Forças em Parada, comandadas pelo 2º Comandante do Corpo de Fuzileiros, Capitão-de-mar-e-guerra Pires Carmona, constituídas por alunos dos cursos de formação integrados no Batalhão de Instrução, pelo Batalhão de Fuzileiros n.º 1, integrando uma Companhia da Unidade de Polícia Naval, por um pelotão da Unidade de Meios de Desembarque e outro da Companhia de Transportes Tácticos, por companhias dos Batalhões de Equipagem da Escola e da Base de Fuzileiros e pela Força de Desembarque da Componente Naval do Sistema de Forças Nacional, integrando o Batalhão de Fuzileiros n.º 2, o Destacamento de Acções Especiais e a Companhia de Apoio de Fogos.
Após a leitura da Ordem de Dia ao Comando do Corpo de Fuzileiros e da imposição da medalha de Serviços Distintos, grau prata ao Comandante do Corpo de Fuzileiros, VALM Carvalho Abreu, seguiu-se a revista às forças em parada e a entrega do Estandarte Nacional, pelo VALM Vargas de Matos ao Comandante do Corpo de Fuzileiros empossado, Contra-almirante Picciochi.
Na sua alocução, o novo comandante sublinhou a honra que sentia por ter recebido o Estandarte Nacional do VALM Vargas de Matos, tendo referido que "...Nesta Escola, casa mãe dos Fuzileiros, recebeu a sua boina o Comandante do DFE10. Honrou-a desde Magoé até ao desempenho das funções que agora assumo e, por fim, como Comandante Naval. Continuando ao serviço da Marinha, abandona uma longa carreira operacional honrando o botão de âncora e a boina azul ferrete. Relembro, da sua posse como Comandante do Corpo de Fuzileiros, a alusão ao dilema de "... um Marinheiro de boina ou um Fuzileiro de boné..." que, afinal, tão bem soube gerir. Os Fuzileiros vêm partir o seu almirante, permita-me que lhe lembre, não em meu nome, mas em nome de todos eles, que neste Corpo será, eternamente, um "... Fuzileiro para sempre!..." e pelo facto de "...A Escola de Fuzileiros, para além de uma eterna referência para os militares da boina azul ferrete, é hoje a porta de entrada da quase totalidade dos militares da Marinha. Assumir funções nesta Escola é pois uma honra redobrada. Na esteira de ilustres antecessores, de que V. Excelência é um exemplo próximo, sinto-me obrigado a, desde já, declarar o meu total empenho no cumprimento da missão que me foi cometida."
Seguiu-se o desfile em continência das Forças em Parada, tendo a cerimónia terminado na Sala Museu do Fuzileiro com um Porto de Honra.

domingo, 9 de novembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sobre o regresso à Escola.

Para qualquer antigo fuzileiro que, depois de ter passado à disponibilidade, não tenha ainda tido a oportunidade de voltar a Vale de Zebro e de visitar a Escola de Fuzileiros, digo-vos que vale a pena. Eu, quando ao fim de 40 anos lá tornei, senti uma sensação indescritível: veio-me a memória um turbilhão de recordações, de gratas lembranças, passadas e vividas na juventude com os” filhos da escola” e da guarnição da Unidade; dos oficiais daquele tempo, dos sargentos, monitores ou instrutores, e das praças mais antigas. Apesar de o correr dos anos e da modernização da Escola - hoje Corpo de Fuzileiros - estar mais bem equipada; de ter arruamentos, sinalização de trânsito, e uma quase avenida entre o Portão Principal e a antiga parada; de haver a construção de novos edifícios -Batalhão de Instrução - ou ampliação de outros: Portão Principal, por exemplo ou ainda a criação do Monumento ao Fuzileiro e o próprio Museu, com o aproveitamento das instalações do antigo Refeitório, cozinha e armeiro, apesar disso, dizia eu, a matriz ainda lá está! Não tive a sensação de uma “Casa” mais pequena, como aquela que temos em adultos quando mais tarde regressamos à casa paterna, bem pelo contrário, pareceu uma Escola ainda maior!
Em resumo, vale mesmo a pena! Aqui deixo algumas fotos do Encontro do DFE4/2005, para a vossa apreciação:

Regresso à Escola

Decidimos tentar programar o convívio do pessoal da CF2, projectado para o ano de 2009, na Escola de Fuzileiros. Muitos de nós não voltaram a pisar aquele lugar desde que passaram á disponibilidade. Já fiz a pergunta a alguns dos filhos da escola que estão mais em contacto comigo e gostaram da ideia. Vamos lá ver se isso é possível. Vou, hoje, dar início aos contactos exploratórios para saber como é e depois conto-vos o resultado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

1º Encontro - Exposição fotos antigas - DFE4

No 1º Encontro do DFE4, de 05-03-2005, foi instalado painéis móveis, junto às arcadas, na parada velha da Escola, com as fotografias do tempo da Comissão em Angola, no período1963-65. Esta ideia partiu do Almada, que pediu a todos os camaradas o envio de fotos daquela época. Assim aconteceu. A sua publicitação provocou vivo interesse de todos nós, antigos fuzileiros, e dos demais presentes. São as fotos que a seguem:


















Momentos de Lazer

http://www.youtube.com/watch?v=q-YQ3v5S95w

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Festa dos Fuzileiros

Todos os anos, em julho, se realiza na nossa Escola, a festa do fuzileiro. Neste ano de 2008 isso aconteceu no dia 5 de julho. Desse encontro deixo-vos aqui esta foto, na qual aparecem dois camaradas da Companhia Nº 2 de Fuzileiros, o Monteiro e o Jordão, dois dos poucos representantes da nossa companhia que por lá apareceram. Tiveram o previlégio de dar uma voltinha no «malagueiro» a bordo de um anfíbio que, para o efeito, foi disponibilizado pela guarnição da Escola. Sorte que a maré, por aquilo que se vê, estava cheia, caso contrário só haveria lodo, de Coina até ao Seixal.



Ferrar a Maca



Não tenho mesmo jeito nenhum para o desenho!!!!!!!!!!

Há malta que com três pinceladas faz obras que deixam a gente de olhos arregalados. A mim só me saem mamarrachos. Não tenho sorte nenhuma!

Gastei horas a pesquisar imagens no Google para ver se encontrava uma foto onde fosse possível ver o «chouriço» e não encontrei nada. Era assim que lhe chamávamos pois, depois de enrolado e bem amarrado com a corda de 20 metros que também fazia parte do embrulho, parecia um autêntico... isso mesmo.

Para os marinheiros da Bossa Nova (aqueles que foram incorporados depois de 1968) já não houve chouriço! Até essa data todos tinham que carregar com ele às costas, para onde quer que fossem.

O boneco mal-ajambrado que podem ver aqui ao lado representa a nossa «maca» (porque diabo não se chamava cama em vez de maca? As letras até são as mesmas!) devidamente «ferrada» e envolvendo o saco da roupa, tudo muito bem atado e pronto para o transporte. Enrolar e amarrar convenientemente o chouriço chamava-se «ferrar a maca».

Era assim, com a cama às costas, que todos nós andávamos quando destacados para outra unidade da Marinha. De camião, de barco ou avião, da Europa até à Africa e volta, assim andei eu durante seis anos. E tive que carregar com ela para o Corpo de Marinheiros, no Alfeite, e entregá-la muito limpinha para me poder vir embora em Maio de 68.

Os Canhões de Navarone e os Fuzileiros

Para quem não se lembra, os Canhões de Navarone é um filme clássico, de guerra e aventura que foi nomeado para sete Óscares, entre eles o melhor filme de 1961. A cena passa-se em plena 2ª Guerra Mundial. Um grupo de agentes aliados recebe uma missão suicida: Destruir dois grandes canhões alemães na ilha de Navarone, no Mar Egeu (Grécia), permitindo assim que dois mil soldados britânicos fossem resgatados de uma ilha vizinha. Só que para isso, esse grupo tinha que escalar um grande rochedo e invadir uma fortaleza nazista onde estavam colocados os canhões de Navarone que, se não fossem destruídos, iriam afundar os navios aliados. Digamos que a operação de resgate seria uma missão impossível não só pela dificuldade de escalar as rochas como de se esconderem dos alemães que sobrevoavam a ilha. É um filme de acção, interessante, ainda hoje, que contou com autores famosos como Gregory Peck, Antthony Quinn, David Niven, Stanley Baker, James Darren e Irene Papas. Perguntar-me-ão os leitores deste blogue o que é que isso tem que ver com os fuzileiros? Respondo: lembram-se, aqueles que passaram por Vale de Zebro, do exercício que fazíamos no rochedo do Portinho da Arrábida? Em baixo avistávamos o fundo do mar, azul, límpido e lá muito em cima o pico da rocha, inclinada par nós (como que a desafiar-nos) e que, a partir de dois terços do percurso, tínhamos de subir a corda a pulso? Esta era até uma das provas fundamentais do curso de fuzileiros especiais. Pois bem, vou contar. Esse exercício foi inspirado no filme que acabei de descrever. Soube-o a pouco tempo quando o Comandante Pascoal Rodrigues esteve cá no País para mais um Encontro (o terceiro) entre o pessoal do DFE4 e amigos. O Almada, que é muito amigo do Comandante e esposa, e gosta de proporcionar bons momentos aos seus convidados, pediu-me para organizar um passeio em Lisboa, durante a curtíssima estada de ambos em Portugal. Fiz um roteiro, que incluía também Cascais, passando pela visita ao Palácio de Queluz. O tempo não ajudou, e foi pena, mas a companhia foi bastante agradável.
Em conversa com o Comandante Pascoal Rodrigues, falei no filme que tinha revisto e então ele contou-me que esse filme lhe servira de inspiração para o exercício da escalada no rochedo do Portinho da Arrábida! – Soube depois algumas coisas interessantes como por exemplo: O oficial Pascoal Rodrigues não se ficou só pelos conhecimentos adquiridos no Commando Course em Inglaterra. Para além de toda a logística (por si efectuada na Escola de Fuzileiros em Vale de Zebro relativas ao uso de equipamento, organização de cursos e outras funcionalidades), estudou, pesquisou e documentou-se sobre as técnicas e estratégias usadas nas operações militares, quer em países europeus (alemães, franceses…) quer norte-americano, em teatro de guerra. Esse seu conhecimento viria a ser-lhe útil para a preparação e actuação dos fuzileiros portugueses. Aqui fica, para que conste, este apontamento.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cerimónia: homenagem aos primeiros Fuzileiros -III

Na cerimónia de homenagem, é citado o louvar que o tenente Pascoal Rodrigues recebeu do Chefe de Estado Maior da Armada por ter sido voluntário para a frequência do “ Commando Course”em 1960, em Inglaterra, com sucesso, e reconhecimento pela sua qualidade profissional, aplicação e muito brio; ter iniciado na Armada a árdua tarefa da preparação e instrução dos primeiros Fuzileiros (onde teve parte importante na formação do DFE1 que, em 11/10/1961, seguiu para o Norte de Angola), vencendo muitas dificuldades e tendo patenteado em todas elas notável entusiasmo, orgulho, espírito de sacrifício e muita coragem.

É a partir daqui que ressurgiram os fuzileiros na Armada: com a selecção e preparação dos primeiros cursos de fuzileiros no Corpo de Marinheiros (Grupo nº 2 de Escolas da Armada, actualmente Escola de Tecnologias Navais), depois na Escola de Fuzileiros em Vale de Zebro (Unidades, Companhias e Destacamentos), hoje Corpo de Fuzileiros.

A concluir, o senhor almirante, sublinhou a qualidade profissional do oficial Pascoal Rodrigues, dizendo que o Museu dos Fuzileiros – criação de um espaço cultural de grandes memórias - ficaria doravante mais rico com a moldura e fotografia dos primeiros fuzileiros que há 45 anos, vencendo barreiras e desafios, apontaram caminhos… Já a terminar, manifestou o reconhecimento de todos fuzileiros que ajudaram a construir a Obra daquela prestigiada instituição com um: Viva a Marinha, viva Portugal. Uma vez fuzileiro, fuzileiro para sempre!


O Cmdte Pascoal Rodrigues sentiu-se honrado com a homenagem prestada e em seu nome e dos seus parceiros agradeceu. Cumprimentou todos os presentes, e ao finalizar disse que o orgulho que tinha à época é ainda hoje maior. Apenas deu um pequeno contributo: deitou a semente mas foram vocês fuzileiros que a regaram depois. Termina, parafraseando: Fuzileiros! – Não pensem o que os fuzileiros podem fazer por vocês mas o que vocês podem fazer pelos fuzileiros.




Seguem-se fotos alusivas ao momento:














































Termino este pequeno apontamento com a citação felicíssima, na última foto, de Miguel Torga:

QUANDO CHEGAR A HORA DECISIVA

ENCONTRAM-ME NAS DUNAS

DIVIDIDO ENTRE A TERRA E O MAR.