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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Zé Alves, um fuzileiro e amigo

Falar do Zé Alves é também falar de um amigo de quem se gosta e que nos acompanha para qualquer lado. Foi do DFE4 e fez comissão em Angola (1963-65). É um dos camaradas que faz parte do grupo que se reúne com frequência em Encontros de Camaradagem e almoços da praxe: Almada, Vitorino Santos, Eu e outras vezes o Periquito e o Tony mais as respectivas mulheres. Além disso, o Alves foi um dos pioneiros do processo de criação da Associação de Fuzileiros e chegou a integrar os seus órgãos sociais, trabalhando afincadamente. Tem participado em todas as Comissões organizadoras dos Encontros do DFE4 com agrado e entusiasmo. Mas comecemos pelo princípio:
José Moreira Alves é natural de Picôto, freguesia da Batalha, distrito de Leiria e nasceu a 28 de Maio de 1939. Foi aluno da Fragata D. Fernando II e Glória.
Em 23 de Novembro de 1956, alistou-se na Armada, com a idade de 17 anos e o número de ordem 11 933.
Em 18 de Dezembro de 1958 partiu em missão para a Índia. Embarcou no paquete Pátria para integrar a guarnição do N.R.P. João de Lisboa, em missão na Índia, mas que se encontrava em reparação no Porto de Durban (África do Sul). A rendição foi assim antecipada e seguiu depois o seu destino a bordo do “João Lisboa” como 1º grumete artilheiro. Esteve em Goa, Damão e Diu, embarcado nas lanchas de fiscalização Sirius, Vega, Antares e finalmente no Aviso N.R.P. Afonso de Albuquerque.
Em Março de 1961, regressa a Metrópole a bordo do paquete Índia, via canal Suez. Uma vez no Corpo de Marinheiros foi destacado para a Escola de Artilharia e frequenta o curso atrasado do 1º grau de artilheiro, findo o qual foi promovido a Marinheiro Artilheiro.
Em 1962 foi frequentar o 3º Curso de Fuzileiros Especiais e é nomeado instrutor. Em Fevereiro de 1963 segue para Angola integrado no DFE-4, chefiando a esquadra de atiradores, composta pelo Cruz/moço de Quelfes e Álvaro Abreu.
Terminada a comissão, regressa com o DFE4 a Lisboa a bordo do N.R.P.S. Gabriel em Março de 1965.
Na Escola de Fuzileiros, após ter frequentado com aproveitamento o curso de sargentos, foi promovido a 2º Sarg.; em 1966 é nomeado para integrar o 7º Destacamento de Fuzileiros Especiais, ao comando de uma Secção, com destino à Guiné em 30 de Junho de 1966, a bordo do N.R.P. Diogo Gomes. Participou em vários operações de risco e numa delas foi atingido por uma bala tendo em consequência sido evacuado por Helicóptero para o Hospital Militar de Bissau e, posteriormente, para o Hospital da Marinha em Lisboa. Aqui voltou a ser operado - por mais de uma vez. Por proposta da Junta de Saúde Naval, foi incapacitado para o serviço activo.
O DFE-7 foi um Destacamento de eleição, distinguido colectivamente com a mais alta condecoração, e com vários louvores a nível individual, merecendo bem um tratamento especial em futuras abordagens do tema. O próprio Alves foi condecorado ao seu serviço.
Em Maio de 1971, o Alves passou à Reforma Extraordinária com o posto de 1º Sargento e ao abrigo do D L 43/76 foi considerado D.F.A.
Depois, ao abrigo da legislação vigente, promovido ao posto de Sargento - Mor.
O José Alves mora na margem Sul, no Barreiro, uma das cidades e zonas residenciais que, a par de outras, como Almada, Corroios, Santo António da Charneca, Cova da Piedade, Lavradio, Quinta do Conde, Alcochete, Coruche, Montijo, Seixal, etc , existe maior concentração de pessoal da “Briosa.”Naturalmente que tal concentração permite maiores oportunidades de encontros. Há no entanto uma forte ligação ancestral à terra natal, onde alguns têm uma segunda residência, e

daí as suas deslocações e permanências temporárias na terra onde nasceram.
Para terminar, o Alves, com a alcunha do gorila quando aluno na Fragata D. Fernando II e Glória por causa de ser tão peludo e do pacaça no DFE-4, por causa do vício da caça é um bom amigo e camarada. É uma pessoa extremamente sensível e talvez por isso bastante emotiva. Teve a sorte, diga-se merecida, de encontrar a sua cara-metade, a Rosa, que é uma mulher fantástica e um casal que se completa. Gosto muito de ambos.

Um grande abraço ao Alves e um beijinho à Rosa Álvaro














segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

E ainda...


Quem não gosta de recordar um par de maminhas tão bonitas como estas? Estas são as boas recordações de que vos falava no post anterior e que vos ofereço de boa vontade para eliminar da vossa memória as coisas feias vividas no passado, naquelas paragens.

Recordações da Guiné!





Para todos os filhos da escola que passaram pela guiné deixo aqui estas imagens para não esquecerem os tempos que lá passaram. Houve com toda a certeza bons e maus momentos. Os maus devem ser esquecidos e os bons recordados uma e outra vez. Esse é o espírito!

Desabafo e desculpas!

Não tenho contribuído muito para o desenvolvimento deste blog. Peço desculpa ao Alvaro por tê-lo metido nisto, mas a intenção era boa, é tudo o que posso alegar em minha defesa. Sinceramente esperava que de um lado ou do outro, entre os leitores do meu outro blog ou os antigos camaradas da CF2, alguém se interessaria por contribuir com qualquer coisinha para ajudar a manter «a loja» em funcionamento. Parece que as minhas esperanças saíram goradas e, como é sabido, não tenho meios para alterar isso. Prometo ir aparecendo, de vez em quando, para ajudar, mas não quereria tomar as rédeas deste blog, para não correr o risco de desatender o outro. Como soe dizer-se - não podes servir a dois senhores ao mesmo tempo. Contudo, como a esperança é a última a morrer, pode ser que ainda vejamos aparecer algum filho da escola com vontade de ajudar. Esperar podemos sempre.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Lisboa, o marujo, a varina e o fado

Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade a navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. (José Cardoso Pires. Lisboa – Livro de Bordo)
Tinha prometido a mim mesmo que trataria do tema cidade de Lisboa, sobretudo porque associada ao marujo, às varinas e ao fado; às zaragatas de faca e alguidar, às mulheres apaixonadas, ardidas pelo ciúme e pelo desejo; as putas, chamadas mulheres da vida, enamoradas dos chulos; aos Bairros de Alfama, Madragoa, Mouraria e Bairro Alto; aos cinemas populares, de sessão contínua, a vinte e cinco tostões… Lisboa onde circulava, com fartura, os carros eléctricos e autocarros da Carris e ainda os táxis bicolores de verde e preto. Lisboa das casas de pasto onde eram servidas refeições completas – almoços ou jantares - a onze escudos. Lisboa do fado vadio a troco das farras e copos de vinho a cinco e a oito tostões; Lisboa do carapau e da sardinha mais o pregão das varinas e do ardina; Lisboa do bacalhau na rua do Arsenal e das pataniscas na rua do Coliseu; Lisboa do café e do bagaço, do comércio e da indústria, do operário e do eléctrico das oito.
Lisboa que depois do 25 de Abril se democratizou; Lisboa cujas Tabernas e Casa de Pasto “foram à vida” porque eram anti-culturais e um povo ignorante tinha de se emancipar para e igualar os países da Europa civilizada. Não podiam andar por aí a beber copos de vinho como quem bebe água! Até os pequenos – burgueses, como eu, julgavam certa tal teoria. Mas enganaram-se: as casas de pasto transformaram-se em «Tascas» e o bacalhau, prato dos pobres, passou a ser moda das classes mais abastadas. Subiu de preço e de estatuto. Alfama e Bairro Alto, bairros very tipical de Lisboa são frequentados pela elite intelectual de então e desde então, incluindo a classe política e os nossos adoráveis demagogos e democratas … O vinho também passou a ser apreciado… O fado vadio que deixou de andar por aí…
Mas do que eu gosto mesmo é de Lisboa do Sebastião Opus Night de José Cardoso Pires (escritor já falecido). Este militante do Whisky, nos bares das redondezas, que passava a vida prevenir que Lisboa é toda em trompe-lóeil. Este nunca na vida descera à rua antes de o anunciar da noite, com uma única excepção: ida ao funeral porque os cemitérios encerravam às cinco; segundo o autor do livro, o Opus Night continuava a protestar porque Lisboa, à luz do Sol, não serve para mais nada senão para baralhar a vista. Penso que esta personagem, narrado no Livro de Bordo de Cardoso Pires, era uma óptima companhia para o moço de Quelfes.
Sobre Lisboa, o marujo, a varina e o fado, fiz um pequeno filme onde tive de introduzir algumas imagens relacionadas com marujos que se ajustassem ao fim em vista. Como a minha figura não se adequava (certinho demais…), recorri a dois trios de marujos que se reportam, no tempo, aos finais dos anos cinquenta e meados dos anos sessenta. Espacialmente, não deviam estar muito longe do local onde ambas as fotos foram tiradas: provavelmente Rossio e Rua do Arsenal. Quanto a idade, eram todos jovens (faixa dos vinte anos) e, finalmente, a coincidência total dos postos: todos tinham a categoria de marinheiros. Daí a semelhança que encontro nas duas fotos. Um composto pelos marinheiros Ludgero (Piçarra) e o outro pelo filho da escola Carlos (Tintinaine). Espero que gostem. Antes porém, deixo qui esta pequena estrofe do poema Gaivota de Alexandre O´Neil:
Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

A imagem e o silêncio das palavras



Estes amigos - camaradas de outrora - são o José Afonso Neto (14128) e Pedro Serrano Baptista (16129). Fizeram ambos a 1ª Comissão no DFE-4 em Angola (1963-65). Assim, as fotos a preto e branco têm cerca de 45 anos. A foto a cores foi tirada em Abril do corrente ano, na Escola de Fuzileiros, por ocasião do 3º encontro. Não sei quem terá sido o autor da fotografia, talvez o Almada, mas sei que me impressionou bastante. É como se a cumplicidade fosse o silêncio das palavras… Ambos seguiram a carreira militar, sofreram as mazelas da Guerra e cumpriram honrosamente o seu dever. Findaram as comissões. Dever cumprido!







quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Natal em Lisboa

Poder-se-á perguntar qual a razão da escolha deste título “ Natal em Lisboa” e não outro, como por exemplo: Natal no Porto, Coimbra, Beja, Faro ou Portimão, Madeira ou Açores. Simplesmente porque durante mais de trinta anos a minha actividade profissional foi em Lisboa, capital do País, e uma das cidades mais bonitas do mundo. Depois porque gosto muito dela e finalmente porque não há marujo nenhum português que a não conheça (um dia destes tratarei deste tema). Pois bem.
Cá por Lisboa faz algum frio, sobretudo à noite. Mas Lisboa agasalha-se e vem para a rua fazer compras. Mostra as montras enfeitadas nas avenidas, lojas e centros comerciais - mais do que o costume - e os arcos, festivamente iluminados, a percorrer as ruas da cidade ao compasso das músicas natalícias. Do Areeiro a Almirante Reis, Martim Moniz e Praça da Figueira; de Alvalade à da Praça de Londres; do Campo Grande, Avenida da Liberdade à baixa Pombalina: Restauradores, Rossio e Terreiro do Paço; do Chiado ao Largo do Camões; Príncipe Real ou de Alfama, Graça e Costa do Castelo …
Agora os motivos são outros: É a celebração do Natal e o peso da sua tradição cristã. Seja por fé, por força da história e dos costumes, da cultura ou qualquer outra razão, a verdade é que esta quadra festiva é vivida pelos crentes e não crentes de uma maneira diferente. Não sei se sugestionado pelo seu simbolismo, mas sinto que se respira uma atmosfera diferente! Há uma tranquilidade suave e uma sensação de paz interior agradável, reconfortável. O céu, um pouco enevoado, parece ficar mais perto de nós, tem uma cor própria que não é habitual ver-se noutras ocasiões. Depois, o nosso estado de espírito é de uma leveza suprema, e as recordações do passado, gratas lembranças que avivam a nossa memória presente.
Mas, a uma esquina qualquer da cidade, damo-nos com homem das castanhas, às voltas com o assador: com mais uma sacudidela daqui e umas tantas pitadas de sal dali; mais uns abanões no ateador e mais castanhas a estalarem no calor da brasa. Aqui, lembrei-me dos sem-abrigo e da canção do “homem das castanhas” na voz inconfundível de Carlos do Carmo:

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

Aos meus amigos e famílias, visitantes deste blogue, onde quer que estejam,
Desejo a todos um Feliz Natal

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Imagens com música

Há uns anos, já largos, um amigo meu, colega de trabalho e estudante, me dizia que a vida sem música seria um erro! Concordei inteiramente. O facto de termos estado envolvidos numa Guerra em África não nos impossibilitou de aproveitarmos os tempos livres da melhor forma. A música era uma dessas possibilidades visto que havia sempre um transístor ( rádio a pilhas) disponível entre o pessoal. A imaginação também não nos faltava, ou não fossemos nós jovens e fuzileiros.
As imagens que se seguem foi uma tentativa de dar colorido a um passado que existiu ainda ontem!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Fotos a cores. Inéditos do Júlio

O Júlio Santos fez a 1ª comissão no DFE4 em Angola e desde dessa altura que revelava o gosto pela fotografia. Penso que terá gasto as economias todas na compra de equipamentos fotográficos sofisticados como aconteceu com a máquina de passar slides. Ainda hoje, nos encontros onde está o Júlio, a câmara está permanente activa. Esse gosto pela fotografia transmitiu-se ao filho que trabalha no ramo, num estabelecimento seu.
As fotos a cores que se seguem são material do Júlio:
Júlio Santos. Instalações Navais Ilha Cabo (INIC) Luanda.

INIC -Luanda.Sargentos Soares ( Enfermeiro/FZE) e Chamusca

Posto da Macala. Rio Zaire

Granja, Póvoa, eu e Júlio. Posto da Macala ( aproveitamentos dos tempos livres)

Granja, Júlio, eu e Martins. Posto da Macala


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Deixa isso p´rá lá…

A cena passa-se em Vale de Zebro, como não poderia deixar de ser! Corria o ano de 1962, da graça do Senhor, e estávamos na fase da recruta ou do I.T.E. ( Instrução Técnica Elementar) no Grupo nº2 da Escola de Fuzileiros. O autor era um filho da escola cujo nome e o número não sei. Tenho dele a imagem e as representações espectaculares que diariamente eram exibidas na caserna, e que achava o máximo!
Creio que todos os alunos da recruta de Março/62, que estavam alojados na mesma Caserna do que eu (que era ampla, com três filas de camaratas: uma do lado esquerdo, outra do lado direito e uma ao centro) se lembram. Ao fundo ficavam as casas de banho com meia-dúzia de lavatórios à esquerda e uns tantos chuveiros compartimentados à direita. Entre as camaratas havia os cacifos individuais (corpo dúplo) onde arrecadávamos os nossos apetrechos. Quando abríamos a sua porta deparávamos com um espelho fixado no seu interior, quase ao nível dos nossos rostos. Toda esta descrição - distorcida quanto possível pela memória - para uma coisa de pouca monta: expor uma dúvida. Qual a identificação do barbeiro em questão, filho da escola?
Ora bem. Um dos nossos exercícios físicos era o boxe ministrado pelo cabo Ferraz, já aqui lembrado. Fazia parte da técnica de aprendizagem exercitar a movimentação dos braços e simultaneamente imaginar um adversário à nossa frente e desviarmo-nos dos seus seus golpes, abanando e abaixando cabeça par um dos lados, e tentá-lo atingir de seguida : esquerda, esquerda-direita-esquerda…O Barbeiro (nome por que ficou conhecido o escola por ter sido colocado na Barbearia da Escola), levava muito a sério o boxe e aproveitava os tempos livres para treinar sòzinho, seguindo um ritual muito pessoal: adorava ver-se ao espelho a treinar os seus próprios movimentos, qual Cassius Clay no seu melhor ( esquerda, esquerda-direita)… De vez em quando, parava um pouco e fazia músculo com os braços, e apalpava-os com as pontas dos dedos de uma das mãos, ao mesmo tempo que cantava a célebre canção brasileira da altura:

Deixa que digam

Que pensem, que falem

Deixa isso prá lá

Vem prá cá

O que é que tem?

E eu não tô fazendo nada

Nem você também

Faz mal bater um papo

Assim gostoso, com alguém?
Deixa que digam

Que pensem, que falem…















Agora a dúvida. Qual dois era o barbeiro à época na Escola de Fuzileiros? – Francisco A Ferreira/16 573 (à esquerda) ou Joaquim C. Pinto/16582, ou nenum deles? - Alguém sabe?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

IV-Frei Paiva Boléo. Em nome do pai…

Frei Paiva Boléo
Historicamente, Jesus nasceu na Palestina na época do imperador romano Augusto ( sec.I). Mais concretamente em Nazaré por volta do ano 750 da fundação de Roma, embora São Mateus tenha afirmado que Jesus nasceu em Belém. Parece não haver dúvidas que Jesus existiu à face da Terra. Já Jesus o divino, que desceu à Terra sob a forma humana permanente de Deus para nos salvar, é que não há consenso. Também na religião Oriental, Crixna é uma das encarnações do Deus Vixnu, dos hinduístas. Segundo Úrsula King, professora de Religião na Universidade de Bristol, existem paralelismos entre a Natividade de Jesus e a Natividade de Crixna. Crixna não foi concebido de uma forma vulgar. Tal como Jesus, nasceu de Deus e de uma mulher mortal. Na história de Crixna, Vixnu implantou um dos cabelos no ventre da mãe de Crixna. Ambos os nascimentos foram rodeados de acontecimentos milagrosos. Estes nascimentos de figuras divinas são comparáveis a outras religiões. Por exemplo o nascimento de Buda foi acompanhado de sinais prodígios. Há um tipo de revelação, história contada de Crixna em criança quando esta brincava na lama e a sua mãe adoptiva disse: “Abre a boca. Comeste lama”. Crixna obedeceu e a mãe adoptiva viu todo o universo lá dentro. Segundo S. Lucas, o Menino Jesus fugiu aos pais e foi ensinar os doutores da Lei do Templo de Jerusalém. A mãe Maria, em vez de se sentir orgulhosa porque “todos os que o escutavam ficavam admirados com a sua sabedoria e as suas respostas”, repreendeu-o por se ter perdido e tanto ter preocupado José e ela própria.
1ª comunhão de Álvaro Dionísio
O que me fascina em Jesus
Desde miúdo que ouvi falar no menino Jesus e guardo dele a imagem de uma criança loira, de olhos azuis, a limpar o nariz com o braço esquerdo. Esta figura sempre me fascinou, aliás como ainda me fascinam as crianças. A escola primária, a catequese, a missa de Domingo, as festas e romarias; os casamentos, baptizados e os funerais. Ainda os meses de Maio e de Maria em que se rezava o terça (novenas – acção de graças), penso que os adultos e em particular as mulheres (a minha avó rezava o terço na cama todos os dias antes de se deitar: não tinha vagar para ir a missa). Não me lembro de ver os homens a rezar o terço. Todas estas liturgias estavam presentes o nome de Jesus e de Cristo.
Também se escreveram poemas muito bonitos sobre o menino Jesus. Lembro-me especialmente de Fernando Pessoa; e porque gosto muito, não resiste em transcrever uma pequena parte do seu poema “o menino Jesus”:
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
……
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
……
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
….
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
…………….
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

O menino Jesus cresceu como todas as crianças e tornou-se adulto. Começou a pregar. Segundo as fontes históricas: Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; as obras de Filó e Josefo, Apócrifos do Antigo Testamento, S. Paulo, citadas por investigadores, filósofos e teólogos.
Cristo devia ter um puder persuasivo muito forte nas populações que o ouviam e daqueles que o seguiam como um verdadeiro líder espiritual: os apóstolos, companheiros de viagem. Só de facto uma pessoa muito inteligente, culta e convicta da sua fé poderia arrastar multidões. Fala-se também de Cristo como um fazedor de milagres. Francamente, preferia não lhes chamar milagres uma vez que esse é o nome atribuído pelos Evangelhos. Talvez chamar-lhes lendas ou mitos, ainda que estas expressões possam querer significar uma posição mais próxima da
verdade, da verdade que possamos alcançar. Mas sempre me deliciei ouvir contar esses “milagres”.
Acho que o primeiro deles é as Bodas de Canaã, na Galileia, em que Jesus transforma a água em vinho. É um milagre que parece revelar que a Igreja primitiva não considerava Jesus um moralista tacanho, um puritano que estava contra o divertimento como padres da minha época faziam crer. É pois a parte humanista de Jesus, como homem sujeito as fraquezas e tentações, que mais me encanta. Não sei Jesus dormiu com Maria Madalena ou foi seu amante, casou com ela ou até teve filhos, qualquer destas versões, admitidas pelos investigadores históricos só aumentam a minha admiração por Jesus. Se Jesus é Filho de Deus, feito Homem, que sofreu e foi crucificado na cruz, morreu e ressuscitou para redimir a humanidade dos seus pecados, é algo que só a fé acredita. Mas há uma verdade: sem Jesus o cristianismo não existiria.
Em nome do pai, do filho e do espírito santo. Àmen!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

III-Frei Paiva Boléo. Em nome do pai…


O Deus intemporal e imutável
Durante mais de mil anos, a concepção clássica de Deus (Santo Agostinho, Santo Anselmo e S. Tomás de Aquino, bem como filósofos do Judaísmo e do Islão) dominou o pensamento acerca de Deus na Europa Ocidental.
A concepção clássica diz-nos que Deus é não-material, sem quaisquer tipos ou limites, não é composto por partes, é intemporal, imutável e impassível (não é afectado de forma alguma pelo que quer que seja). Estes termos muito abstractos derivam de um modo muito elegante da afirmação básica de que Deus é “simples”, de que não é de modo algum divisível. Todo o Universo, do princípio ao fim, tem que brotar de Deus num único acto intemporal.
Dizem na verdade que o Universo tem um propósito e é inteligível, e brota de um ser ao qual termos como “propósito” e “inteligência” são aplicáveis apenas de formas que não conseguimos imaginar.
Quando veneramos semelhante Deus (…) temos que estar simplesmente a apreciar e a testemunhar reverentemente o poder inesgotável e a perfeição imutável de Deus.
Só Deus é supremamente desejável e ilimitado, e a oração é o reconhecimento consciente desse acto, quando tentamos testemunhar e sentir tanto quanto possível a perfeição divina.
Iluminismo – É a época histórica europeia em que os filósofos rejeitaram a autoridade religiosa e colocaram a Razão no lugar de Deus, como autoridade suprema que conduziria a paz e tolerância universais.
Defende Keith Ward que o Racionalismo, a crença de que existe uma razão para tudo e de que a podemos descobrir através do raciocínio, não é, de modo algum, anti-religioso. Na verdade, todas estas pessoas ( Descartes, Leibniz e Espinosa – XVII e XVIII) pensavam que podiam provar a necessária existência de Deus. É muito natural que um racionalista pense que todo o Universo é produto da Razão, e que é essa Razão senão Deus.
Conclui o autor:
Assim, não é o racionalismo que desgasta a crença em Deus. É precisamente a falta de confiança na Razão que o faz.
Francis Bacon ( 1561-1626) : a morte da metafísica
Um dos grandes pioneiros na formulação de uma nova abordagem científica da Natureza, escreveu que a ciência, ao contrário da filosofia, proporcionava conhecimento cumulativo que era útil para “o alívio da condição social do homem”. A filosofia apenas parece oferecer discussões intermináveis, sem nada que satisfaça a fome e a sede. A ciência estava destinada à vitória. Trazia concórdia, um aumento crescente no conhecimento e, mais tarde, as máquinas a vapor e a televisão, os autoclismos e o pão fatiado.
O raciocínio experimentalista deixa a Natureza despersonalizada, despida de todos os sinais de uma personalidade subjacente, quer sejam deuses gregos, o Deus hebraico, o Motor Imóvel de São Tomás de Aquino ou o Espírito hegliano.
Hipóteses científicas e questões existenciais
Talvez Deus não esteja destinado a uma hipótese científica.

Flexões até dizer «chega»!


Um belo dia pela manhã, sol alegre penso, na nossa Escola de Fuzileiros; mesmo debaixo das arcadas junto à sala do barbeiro; pertinho das escadas que davam acesso à messe dos oficiais. Estava este Escola com o fato de alumínio, como soe dizer-se, com as mãos nos bolsos por causa da usual fresquidão da manhâ, à conversa com outros Escolas. Vem de lá um sargento, não perguntem quem, que não sei, e diz: Oh mancebo, então, tu estás com as mãos nos bolsos, isso não é dum homem com aspirações a Fuzileiro. Agora, para não te esqueceres mais: faz aí 15 flexões. O Leiria, que se encontrava na altura, em melhor forma do que nunca, deixou-se cair para a frente erecto, intruduzindo-se assim na primeira flexão, olhando sempre para ele. E este começou a contar: “uma, duas, três, quatro”, depois era já o resto da malta em únissono, “cinco, seis, sete... quinze” e vai ele: “faz 20” (notando que estava a fazê-las com muita facilidade). Ao chegar às 20 diz; “faz 30”. Ao chegar às 30, diz por fim: “JÁ CHEGA”.

Belos tempos... Belos tempos!

Escreveu.

Leiria (15683)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

II-Frei Paiva Boléo. Em nome do pai…

A ideia de Deus

A ideia de Deus, quer na perspectiva clássica de Santo Agostinho, quer de Santo Anselmo ou São Tomás de Aquino não difere muito da de Hegel. A criação do universo sem o seu Criador comprometeria a intemporalidade e imutabilidade de Deus; a sua omnipotência e omnisciência.
Quer a teoria da criação ex nihilo (do nada) desenvolvida por Santo Agostinho, que foi a base do teísmo cristão clássico, quer de São Tomás de Aquino ao dizer que «não podemos saber o que é Deus mas apenas o que ele não é»; ou, finalmente, Santo Anselmo com a brilhante teoria: «Deus é algo perante o qual nada de maior pode ser concebido» nenhuma destas teorias resolveram a questão da existência de Deus. Todas estas tentativas filosóficas da demonstração racional de Deus têm gerado confrontos ao longo dos séculos e adeptos contra e a favor: Crentes e cristãos de um lado e ateus e agnósticos (onde me situo) do outro. As vezes, também juízos de valores erróneos de ambos lados. Bons são os crentes, os cristãos e maus são os ateus, os ímpios e os hereges. Não entendo que seja assim. Se assim fosse, a dignidade e os direitos humanos não tinham a importância que hoje têm nem a protecção e defesa que o Direito Internacional lhes confere, inclusive o direito a liberdade de religião ou de não ter religião alguma.
Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou de crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou colectivamente, em público ou em particular (art. 18º, Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10 Dezembro 1948).
Como sabemos, essa não foi a postura, durante séculos, da Igreja Católica. Ser ateu ou agnóstico não significa ser desumano ou insensível a pobreza, à dor e ao sofrimento, bem pelo contrário: Há uma consciência muito nítida de que o bem da humanidade é para praticar de imediato a todos que dele necessitam. O sofrimento não é um preço diferido que se tem de pagar para a cura do mal (redenção dos pecados) num julgamento final, no Além. A postura do agnóstico prende-se com a existência de Deus. Para ele, não é possível demonstrar a existência de Deus mas também é impossível demonstrar o contrário. Já o ateísta não acredita em Deus, embora exista uma relação entre o agnóstico teísta ou ateísta, conforme a crença ou não em Deus.
Há de facto uma clivagem entre fé e conhecimento. A tradição filosófica parte do conhecimento – razão - para justificar a crença. Mas a crença é o fundamental. Assim,
nas palavras de Santo Anselmo, um dos grandes racionalistas do pensamento religioso: Eu não tento, Senhor, atingir a tua eminente majestade, porque a minha compreensão não lhe é, de forma alguma, igual. Mas desejo compreender um pouco a tua verdade, aquela verdade que o meu coração ama e na qual acredita. Porque não procuro compreender para poder acreditar; mas acredito para poder compreender. E também acredito que, se não acreditar, não compreenderei ( Prosologion, capítulo 1).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Frei Paiva Boléo. Em nome do pai…

Voltei ao Frei Boléo porque tendo sido Imediato no DFE4 (Angola 1963-65), abandonou a carreira militar de Fuzileiro da Armada para seguir o sacerdócio. Este facto só por si não tem nada demais, mesmo tratando-se de um oficial promissor. Nem todos os que prestaram serviço militar na Armada - como fuzileiros ou não - fizeram carreira nela. Foram muitos os que passaram à vida civil, adquiriram outras profissões, foram trabalhadores subordinados, independentes, empresários, etc. As razões confidenciadas pelo Frei Boléo é que são importantes e merecem, da minha parte, uma abordagem e um breve comentário, respeitoso, naturalmente.
A opção do Imediato Paiva Boléo pela actividade religiosa, e a razão por que tinha ido para Padre, foi, segundo ele, a seguinte: Porque passara centenas de horas nos postos do Zaire e Cabinda a observar que a maioria de nós crentes, jovens, tinha uma ideia tão triste de Deus; tão pouco crente.
Éramos na verdade muito jovens e o nosso pensamento voava para as coisas materiais da vida e queríamos divertir nos momentos que tínhamos livres para o fazer. Por outro lado, a nossa presença em África tinha um objectivo bem definido e esse não era certamente de índole religiosa… Político também não, mas militar sim. Destarte, a espiritualidade não era o nosso forte!
Todos nós fomos educados segundo os dogmas da religião judaico-cristã, fomos baptizados, fizemos a primeira comunhão e até casamos catolicamente. Essa foi a herança que os nossos pais e avós nos transmitiram … Diga-se de passagem que não era nada alegre, bem pelo contrário. A penitência era constante porque os nossos pecados eram anteriores a nossa própria existência e essa
originaliade representava um fardo para toda a nossa vida terrena. Como diria Hegel (que era cristão) no século XIX : “ O sofrimento religioso é, simultaneamente, uma expressão de verdadeiro sofrimento e um protesto contra o verdadeiro sofrimento”. A religião é o lamento da criatura oprimida, o sentimento de um mundo sem compaixão e a alma das condições desalmadas.

domingo, 30 de novembro de 2008

Armas actuais em comparação!

Para aqueles que estão ainda no activo ou para os que gostam de armas, mesmo já não fazendo parte da Briosa, aqui vos deixo este interessante clip. Só têm é que treinar no inglês!
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http://www.youtube.com/watch?v=2v3zCcvOb_E

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bom fim de semana!

Como vem aí um fim de semana prolongado e,segundo parece, com chuva, aproveito para copiar para este blog algumas fotos sobre fuzileiros que circulam aí pela net. Cada um puxa para onde mais lhe convém e eu não quero que falte nada aos alunos da nossa Escola.

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O Leiria e o Barreiro!

Carlos, levanto-me hoje vou ao computador fazer uma visita aos meus Velhos/Novos Filhos da Escola, e dou-me com o teu sempre bem-vindo email, pressentindo da tua parte, uma certa irradiação de alegria contagiosa! Falas sobre o Bré, e, questionas a razão de estar-mos juntos na foto quando eramos de Escolas diferentes. Sabes, quando vocês chegaram à Escola ja nós tinhamos passado por elas. Depois de acabar-mos o ITE, andamos uns bons meses por ali até a CFN2 ser formada, criando-nos assim a oportunidade de conviver-mos com os da vossa Escola. Sobre a peripécia do Barreiro, o que está ao centro da foto. Lá vai, mas antes, deixa-me descrever um pouco do seu ”BIO”. O Barreiro era/é (?) duma personalidade distinta: aprumado, de educação esmerada, limpo, correcto na sua postura física, moral e verbal; e de vóz tenorizada! A sua pele de tom brozeado tornava a brancura dos seus dentes mais evidenciada! Grande amigo! Criado por uma sua avó, com um aspecto matriático que geneticamente e, não só, doou tão bons predicados a este Filho da Escola. Tive o previlégio de a conhecer, aquando duma visita à sua casa no Barreiro com ele.
Peripéciando agora:
O Barreiro e eu, nadavamos relativamente bem, e em qualquer estilo. Acontece que numa daquelas aulas de natação, na doca da escola de Vale de Zebro, onde por costume colocavam cordas dum lado ao outro na doca, para aqueles que pouco ou nada nadavam se segurarem. Então o Leiria, mais este heroi da história, o Barreiro, achamos que nadar alí, era negócio de novatos. Não é que disparamos mar dentro, aquando por volta de quinhentos metros de distância começamos a ouvir um assobio, tipo árbitro, e a acenarem para regressar-mos. Ao fazê-lo, nunca pensamos que tivessemos realmente pisado o risco(!?). Encontramos lá aquele cabo, mais tarde sargento, que todos conhecem e que era muito amigo do Peniche na CFZ2... Esse mesmo... aquele que vocês estão a pensar... e nos diz, a berrar: -“Então voçês estão armados em bons, estão a ver ali, aqueles dois sacos de areira (de 50Kgs, penso), peguem neles às costas, mostrem agora que são bons, meus meninos; e vão até além, ao fim da parada e voltem, sempre a correr,e, Já”. Lá fomos só de calções de banho, pingando, descalços com os sacos às costas, correndo como se pode, tentando evitar a areia que teimava em perfurar a sola dos nossos pés! Depois do regresso, algum sangue apareceu nos meus, mas o Barreiro com pés mais mimosos tinha bastante mais... Enfim, tudo se passou e hoje, porque já não doi, não deixam de ser belas recordações...

Escreveu;
Leiria, 15683

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Marujos e Amigos

(O Leiria, o Barreiro e o Bré)
Nesta foto, acabadinha de chegar do Canadá, pode ver-se o autocarro das licenças e a guarita com a sentinela, além dos 3 marujos (de ponto em branco) prontinhos para embarcar no dito autocarro e gozar um merecido dia de licença. Não reconheço a porta de armas em que pontua a sentinela! Será no Corpo de Marinheiros?
Outra coisa pouco comum é uma fotografia em que aparecem 3 filhos de escolas diferentes. O Leiria (15683) era da escola de setembro de 1961. O Bré (16264) era filho da mesma escola que eu, ou seja março de 1962. O Barreiro, cujo número desconheço, pela divisa que já carregava no braço, teria que ser de uma escola anterior á do Leiria. E outra coisa ainda, o Leiria seguiu comigo para Moçambique em novembro de 62 e o Bré para Angola, em fevereiro de 63, o que se passou com o Barreiro não faço ideia.
Mas lá que se juntaram e registaram o momento para a posteridade é um facto indesmentível, eis aqui a prova. O Leiria prometeu enviar, um destes dias, uma historieta passada com o Barreiro para aqui ser publicada. Espero nessa altura me envie também o número de matrícula do Barreiro, para que seja tudo claro.

Fuzileiros Especiais

Mais tarde acabaram-se os especiais e passou a haver apenas «Fuzileiros». Mas naqueles tempos, ser especial significava amargar mais 4 a 5 meses de curso muito duro, o que não agradava a toda a gente. No meu caso particular, mal acabei o ITE, inscrevi-me na Companhia 2 de Fuzileiros que estava a ser formada para ir para Moçambique. Não pensem que foi heroísmo ou vontade de defender a «Mãe-Pátria», não senhor, foi apenas a vontade de jogar com a lei das probabilidades. Quem não seguisse naquela companhia ia com toda a certeza na seguinte e para a Guiné, coisa que eu não queria nada que me acontecesse. Tive a sorte de ser aceite e um mês depois estava a caminho de Moçambique. Por essa razão não recordo a maioria das caras que aparecem nesta foto. Embora sendo filhos da minha escola, a maioria não pertencia ao meu pelotão e tendo depois seguido para o curso de especiais e, terminado este, para Angola, nunca mais encontrei nenhum deles. Isto até começarem os encontros anuais, onde de vez em quando se vê aparecer um ou outro. A identificação foi-me fornecida pelo Agostinho Maduro que também é o dono da fotografia que podeis apreciar aqui e agora. Não faço ideia como é que ele fez para guardar na sua memória os nomes e números de toda a malta!
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16361-13155-13331-13221-16674-16268
16446-16118-15517-13414-16231