Quem passa por Africa não passa sem viver estas coisas. Fotos do Albertino Cerdeiral (Cabo Fuzileiro 9822.63) gentilmente cedidas pelo seu filho Paulo.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Fuzileiro ou caçador?
Quem passa por Africa não passa sem viver estas coisas. Fotos do Albertino Cerdeiral (Cabo Fuzileiro 9822.63) gentilmente cedidas pelo seu filho Paulo.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Formatura de Licenças!
Jantar às 17.30 horas era o pior dos problemas para aqueles que não iam de licença. Às 21.oo horas, quando tocava a recolher, a fome já era tanta que ninguém sabia o que fazer para a enganar. E quando o rancho, ao jantar, não valia nada a coisa punha-se mais feia ainda. Lembram-se de coisas como o almoço de sábado ser sempre massa guisada com carne? Sobrava mais do que se comia! E do jantar de quarta-feira ser imperterivelmente peixe cozido com batatas? A maior parte da malta não gostava nada desse petisco e não comia. Depois era só correr para Palhais a comprar sandes de chouriço!
Aqueles que iam de licença não se preocupavam com isso. Ou tinham família e amigos em Lisboa que lhes enchiam a barriguinha, ou dinheiro no bolso para uma bifana e uma imperial.
Mas antes disso era preciso apresentar-se na formatura devidamente barbeado e fardado, receber o cartãozinho de identidade (como aquele que podeis ver na imagem abaixo) e passar na revista feita pelo oficial de serviço que, ás vezes, embirrava com tudo que via (ou lhe interessava ver). Só depois se entrava no autocarro, a caminho da base naval para apanhar a vedeta para Lisboa.
Benditos tempos!
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Tony Trincão!
...oOo...Mais conhecido pela alcunha de «Conquistador», foi meu camarada tanto na CF2 como na CF8. Infelizmente muito debilitado por um AVC que o acometeu há alguns anos, acabou por falecer em Janeiro passado. Dando voltas a velhos álbuns de fotografias tentando encontrar caras conhecidas de membros da CF8, encontrei esta sua fotografia que aqui trago porque sei que a sua filha Cristina é visita habitual deste espaço e ficará, com toda a certeza, feliz por rever aqui o seu pai..
Com a fotografia deixo também aqui um beijo para ti, Cristina!
O Veloso e a CF10!
Ontem realizou-se o Convívio do Pessoal da CF10, em Coruche. O Luis Oliveira já publicou no seu blog "A Porta da Capitania" uma foto do grupo que ali compareceu. Entre todos os outros camaradas lá está o Albertino Veloso, que pertenceu à CF2, como 2º Sargento, de 1962 a 1965. Ele bem me disse que iria lá estar, mas eu tinha as minhas dúvidas, pois uma deslocação do Carregal do Sal até Coruche não é pera doce. E ainda mais na idade dele!
Bem procurei reconhecer mais alguma das caras que aparece nessa foto, mas não tive sorte nenhuma. Ou não estava lá nenhum filho da nossa escola ou as feições mudaram muito e não são reconhecíveis á primeira olhadela. Fico contente que tudo tenha corrido da melhor maneira.
sábado, 9 de maio de 2009
Ele tinha nome de peixe!

Se bem consigo perceber, o fuzileiro que vedes na foto é o nosso saudoso filho da escola, o Presunto. E pelos vistos (ou pela cara dele) está a levar uma tremenda descompostura do imediato da nossa companhia, o tal que fez os possíveis e impossíveis por encher a minha caderneta de tinta vermelha(!?!?!). Parece que também já morreu. Que o mafarrico tome, lá onde ele deve estar, bem conta dele!
Patrulhando o Lago Niassa!
É um facto que na vida militar se conheciam os camaradas, mais depressa, pelos números ou por uma alcunha do que pelos nomes. Assim vou chamar Badaró ao amigo que visitei ontem, e de onde trouxe algumas fotografias, porque era assim que todos o tratavam. Ele tem muitas fotografias antigas, mas a maior parte está mais que podre. Basta passar-lhe a mão por cima para sair a cor, tal como se fosse apenas um pó de carvão que as cobre. Devem ter apanhado humidade ou coisa que o valha. Não as tratou com o carinho que elas mereciam e o resultado está á vista. E esta que aqui vos deixo é uma das melhorzinhas do lote.
Na imagem podem ver-se dois filhos da escola do Leiria. À direita, o Silveira (15730) que tivemos o prazer de reencontar em Paião, no convívio do Pessoal da CF2. E à esquerda o Viseu (15926) que não sei por onde anda. Já me contaram que morreu, mas numa conversa recente com o Neiva, ele afiançou-me que o Viseu vive e como oficial reformado da Marinha, 1º Tenente, salvo erro.

quinta-feira, 7 de maio de 2009
O Comboio!
As notícias que hoje tenho para vos dar não são das mais agradáveis. Na continuação das minhas tentativas para descobrir a morada do camarada Zé Paula (1416.64), conhecido entre nós pela alcunha de «Comboio», acabei por tomar conhecimento de que ele está confinado a uma cadeira de rodas, desde há sete anos. Trabalhador da construção civil sofreu uma queda com fractura de coluna que o conduziu a esta situação que, embora limitativa, ele enfrenta com a maior desenvoltura. Depois de um filho da escola de Aveiro me ter ajudado a localizá-lo e me ter fornecido o seu número de telefone, tivemos uma longa conversa e fiquei espantado com o à-vontade que ele mostra quanto à sua situação. Diz ele que faz uma vida quase normal, conduz o seu automóvel, toma banho sózinho, deita-se e levanta-se sem precisar da ajuda de ninguém, etc. Achei-o mais vivo e mexido do que eu que passo a vida sentado em frente do meu computador, sem fazer uso das pernas que, felizmente, ainda consigo mexer a meu bel-prazer. Ah, grande Comboio! É assim mesmo!
Procurei entre as fotografias (poucas) que tenho dos tempos da CF8 e encontrei uma onde ele está, mas sem se lhe ver a cara. Mesmo assim deixo-a aqui para todos poderem ver. E quem passar pela Gafanha da Encarnação, faça-lhe uma visita!
...oOo...

(É aquele que está sentado, em primeiro plano)
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O MEU CASEBRE!
Vivo além no meu casebre.
Onde cheira a rosmaninho!
Onde nasceram meus pais.
E os rouxinóis fazem ninho!
Onde cheira a rosmaninho!
Onde nasceram meus pais.
E os rouxinóis fazem ninho!
II
Foi lá que aprendi a rir.
A trabalhar e a sonhar!
Com lindas flores a florir!
Vivo sempre a cantar!
III
Quando o sol nasce no outeiro.
Cheio de ouro e de alegria!
Vem ter logo ao meu telhado
Para me dar o bom-dia!
IV
Eu não troco o meu casebre.
Por um palácio dourado…
Que não cheira a rosmaninho!
Nem tem ninhos no telhado!
V
É com gosto que lá, quero viver.
Onde os rouxinóis vão cantar!
E na velhice o gosto de sempre ter…
A família, com alegria de brincar!
VI
Quero os amigos lá, a visitar.
Não é preciso trazer “comes”.
Haverá comida para cozinhar…
Até se preciso for: há “dormes.”
domingo, 3 de maio de 2009
Chamada de atenção!
Um comentário feito pelo Virgílio Miranda (do qual extraí o trecho que aparece aqui em baixo) merece ser lido por toda a gente e chamo para isso a vossa atenção. Para não ter que transcrevê-lo para este espaço, na íntegra, dirijam-se p.f. à barra lateral do blog, seleccionem as mensagens de abril e depois a mensagem «Uma triste História». Depois abram os comentários e leiam aquilo que o Virgílio escreveu lá, nada mais nada menos que a história da sua vida enquanto fuzileiro.
»»»
...No comentário anterior falei num caso que se passou comigo no salvamento dum filho da Escola e do não salvamento dum outro.(que nos dias de hoje, não passava de um menino pois só tinha 17 anos, mas naqueles tempos tínhamos de ser Homens muito cedo.)
Como penso que esse comentário despertou alguma curiosidade, e na esperança que algum filho da minha escola leia e se manifeste, passarei a descrever mais algumas peripécias da minha estada nos Fuzileiros: fui para a Marinha voluntario porque um vizinho já lá estava, e me disse que era um bom futuro para mim visto eu andar a trabalhar no campo (coisa que ele sabia que eu não gostava) o meu pai tinha falecido e tinha uma irmã pequena para ajudar a criar, e assim no dia 17 de Março de 1965 fui incorporado, tendo ficado alojado (com os meus camaradas em tendas de campanha no Corpo de Marinheiros até que as obras de ampliação das casernas na escola de Fuzileiros terminassem.
.../... Continua...
«««
O SIMÕES E A BURRA!

«16429 - TINTINAINE» disse...
De quem são os versos Leiria?
Se é que posso perguntar, claro!
Artur/Leiria disse...
I
Jaz aqui grande caturra, contada pelo meu pai.
Chamado Bento Simões, dos velhos tempos de outrora.
Que tinha dentro da burra, no Século que já lá vai…
Passava de 100 milhões de riqueza, que foi embora!
II
Este senhor de mil bens, sovina quanto podia ser!
Morreu numa sexta-feira, burro morto, cevada ao rabo!
Por ter rota a algibeira, vejam só para entender…
E perder quatro vinténs, muito contente ficou o diabo!
III
Bem perguntas quem escreveu, é coisa que não desato!?
Contudo, foram proclamados pelo meu pai com alegria!
Sempre que a comidinha era boa, e, bem exposta no prato!
Era festinha da família, com a graça de Deus, pelo rancho farto!
Escritos para teatro e há oitenta anos declamados por minha tia!
Bem perguntas quem escreveu, é coisa que não desato!?
Contudo, foram proclamados pelo meu pai com alegria!
Sempre que a comidinha era boa, e, bem exposta no prato!
Era festinha da família, com a graça de Deus, pelo rancho farto!
Escritos para teatro e há oitenta anos declamados por minha tia!
IV
Espero que esta explicação, vá ao encontro do teu desejo.
Se não o for, paciência por agora, mais tarde a poderei rescrever.
Sabes que para mim, a alegria de bem responder é meu ensejo…
São alegrias, que na terceira idade são precisas e nos dão muito prazer!
Se não o for, paciência por agora, mais tarde a poderei rescrever.
Sabes que para mim, a alegria de bem responder é meu ensejo…
São alegrias, que na terceira idade são precisas e nos dão muito prazer!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O Sargento Patrão!
Hoje tenho uma notícia triste para vos transmitir. Morreu um fuzileiro. O Sargento António Patrão que foi meu chefe de secção na CF8, morreu ontem de madrugada e o funeral realiza-se hoje, pelas 15.00 horas, em Vila Franca de Xira.
A notícia chegou-me ontem ao fim do dia e não sei grandes pormenores do triste acontecimento, mas parece-me que ele padecia de um tumor na cabeça e já estava internado no IPO, em Lisboa, há algum tempo.
Etiquetas:
Obituário
FUGIU A BURRA!

Artur/Leiria
Crónicas improvisadas
Ia o Sr. Ventura, já pela tardinha, de regresso a casa depois de ter ido amanhar uma pequena propriedade sua, herdada de seus pais, quando estes ainda eram vivos, lá na sua pequena aldeia, onde nasceu, bem próximo de Viseu. Homem reformado da Marinha, depois de mais de 36 anos no activo, a sua linguagem não era pois condizente com a da área, uma vez que, sendo homem viajado, muitos horizontes foram por ele observados, muitos contactos e alguns estudos até fizeram também parte do seu currículo o qual o obrigou a um esmero muito seu na sua forma de falar!
Depara-se com a Veríssima, sua vizinha, rapariga a rondar os 30 anos, casada com o Venâncio correndo atabalhoadamente caminho abaixo! Este é um casal envolvido, na labuta da dura luta, do dia-a-dia, nas terras que nunca foram pobres de trabalho! Gente de guerra, não fossem eles das terras mais lusas que Portugal jamais teve, não seriam não, merecedores desta pequena contemplação! Lusitânia sinónima de “Terra da Luz,” cognominada assim pelos Romanos, na sua própria língua da época; outrora donos e senhores destas tão heróicas terras que tantos heróis deu à luz! Viriato, entre outros, o astucioso chefe que, com meia dúzia de lacaios consegui fazer a vida negra a tão poderosos senhores dum império jamais visto ate à data! Sertório, o atraiçoado, morto por comparsa, tipo judas, que se deixou comprar por dinheiro! Talvez, tivesse ele sido, o impulsionador dos políticos de hoje, teria (?)
- “Então rapariga, viste o lobo?” pergunta o Ventura num tom de voz suave e paternal.
- “Não, ti Bentura, é a minha burra que me fugiu outra bez!” Responde ela ofegante!
- “Não me digas! Tanta ralação para coisa tão pouca, pois vi-a passar há pouco por ali abaixo direitinha àquele olival, mas olha que, ela ia com menos pressa do que tu.”
- “É teimosa como burro tio Bentura, logo que a apanhe vai lebar mais uma coça, bai ber”…
- ”Pudera, é teimosa porque é da mesma família rapariga, só que é fêmea, assim reza o escrito, como sabes; olha bem lá para o meio das árvores, que deve estar por lá.” Apontando com o dedo nessa direcção.
- “Ah ti Bentura, obrigadinho, agora já bejo o cu da minha burra, maldita, que me fazes descer este bale todo, ai que soba que bais lebar!” Dispara a Veríssima, a correr por ali abaixo, e ao mesmo tempo grita: “ti Bentura, ti Bentura, espere ai que já benho, preciso falar consigo.” Passado um pouco lá vêm os dois, encosta a cima, respirando pesado para colher mais oxigénio com os pulmões, o qual, escasseia mais nas alturas da serra, e a Veríssima a tentar dar na burra mas, era pouca a força que lhe ia restando para o fazer.
- “Ti Bentura o meu Benâncio, comprou lá para os lados de Bila Berde, um garrafão de binho berde que eu gostaba que o ti Bentura probasse. “Ele diz a toda a hora, que é cá um xarope de se tirar o chapéu, mas eu não percebo nada disso, gostava que o ti Bentura fosse lá a casa agora e o meu Benãncio daba-lhe um copito”
- “Olha rapariga, lá mais à noitinha pode ser, posso visitá-los a vocês e ao famoso garrafão a que te referes, agora não, está bem?
-“Como quiser ti Bentura… fico à espera e bou já falar com o meu Benâncio para ele fazer conta consigo e até logo.” Virou as costas e enquanto caminhava ia dando na burra e dizendo: “maldita que me fazes correr tanto!”
Crónicas improvisadas
Ia o Sr. Ventura, já pela tardinha, de regresso a casa depois de ter ido amanhar uma pequena propriedade sua, herdada de seus pais, quando estes ainda eram vivos, lá na sua pequena aldeia, onde nasceu, bem próximo de Viseu. Homem reformado da Marinha, depois de mais de 36 anos no activo, a sua linguagem não era pois condizente com a da área, uma vez que, sendo homem viajado, muitos horizontes foram por ele observados, muitos contactos e alguns estudos até fizeram também parte do seu currículo o qual o obrigou a um esmero muito seu na sua forma de falar!
Depara-se com a Veríssima, sua vizinha, rapariga a rondar os 30 anos, casada com o Venâncio correndo atabalhoadamente caminho abaixo! Este é um casal envolvido, na labuta da dura luta, do dia-a-dia, nas terras que nunca foram pobres de trabalho! Gente de guerra, não fossem eles das terras mais lusas que Portugal jamais teve, não seriam não, merecedores desta pequena contemplação! Lusitânia sinónima de “Terra da Luz,” cognominada assim pelos Romanos, na sua própria língua da época; outrora donos e senhores destas tão heróicas terras que tantos heróis deu à luz! Viriato, entre outros, o astucioso chefe que, com meia dúzia de lacaios consegui fazer a vida negra a tão poderosos senhores dum império jamais visto ate à data! Sertório, o atraiçoado, morto por comparsa, tipo judas, que se deixou comprar por dinheiro! Talvez, tivesse ele sido, o impulsionador dos políticos de hoje, teria (?)
- “Então rapariga, viste o lobo?” pergunta o Ventura num tom de voz suave e paternal.
- “Não, ti Bentura, é a minha burra que me fugiu outra bez!” Responde ela ofegante!
- “Não me digas! Tanta ralação para coisa tão pouca, pois vi-a passar há pouco por ali abaixo direitinha àquele olival, mas olha que, ela ia com menos pressa do que tu.”
- “É teimosa como burro tio Bentura, logo que a apanhe vai lebar mais uma coça, bai ber”…
- ”Pudera, é teimosa porque é da mesma família rapariga, só que é fêmea, assim reza o escrito, como sabes; olha bem lá para o meio das árvores, que deve estar por lá.” Apontando com o dedo nessa direcção.
- “Ah ti Bentura, obrigadinho, agora já bejo o cu da minha burra, maldita, que me fazes descer este bale todo, ai que soba que bais lebar!” Dispara a Veríssima, a correr por ali abaixo, e ao mesmo tempo grita: “ti Bentura, ti Bentura, espere ai que já benho, preciso falar consigo.” Passado um pouco lá vêm os dois, encosta a cima, respirando pesado para colher mais oxigénio com os pulmões, o qual, escasseia mais nas alturas da serra, e a Veríssima a tentar dar na burra mas, era pouca a força que lhe ia restando para o fazer.
- “Ti Bentura o meu Benâncio, comprou lá para os lados de Bila Berde, um garrafão de binho berde que eu gostaba que o ti Bentura probasse. “Ele diz a toda a hora, que é cá um xarope de se tirar o chapéu, mas eu não percebo nada disso, gostava que o ti Bentura fosse lá a casa agora e o meu Benãncio daba-lhe um copito”
- “Olha rapariga, lá mais à noitinha pode ser, posso visitá-los a vocês e ao famoso garrafão a que te referes, agora não, está bem?
-“Como quiser ti Bentura… fico à espera e bou já falar com o meu Benâncio para ele fazer conta consigo e até logo.” Virou as costas e enquanto caminhava ia dando na burra e dizendo: “maldita que me fazes correr tanto!”
- “Até logo Veríssima e toma-me bem conta dessa burra e de ti também!”
- “Venâncio?” Era o Ventura a chamar bem na hora em que o sol estava já a dar as boas noites.
- “Venâncio? É o Ventura…”
- “Entre, entre, ti Bentura. Oh Beríssima, bais-me arranjar dois copos que o ti Bentura já cá está”
- “Olá, sempre beio ti Bentura,” ao mesmo tempo que ia entregando os copos ao marido.
- “Que jeropiga rapaz”! Era o Ventura a dizê-lo logo que provou a pinguinha. Depois de mais uns copitos e sendo tempo de procurar a ceia, despede-se deste casal simples mas dum enorme coração, agradecendo, pinga tão boa!
- “Binde sempre ti Bentura porque se não bindes, eu e a minha Beríssima, bamos pensar que está zangado e nós não queremos isso.”
- “Rapazes, com uma pinga dessas, quem é que pode dizer que não volta! De maneira nenhuma!” Ao mesmo tempo que a sua caminhada o levava progressivamente a ficar mais envolto pelo lusco-fusco da noite que o ia sumindo, pois esta já ia sendo rainha, até que o sol, o astro rei, brotasse luz irradiante, que a dominaria com mais um dia de Deus para a labuta sem esquecera burra.
- “Venâncio?” Era o Ventura a chamar bem na hora em que o sol estava já a dar as boas noites.
- “Venâncio? É o Ventura…”
- “Entre, entre, ti Bentura. Oh Beríssima, bais-me arranjar dois copos que o ti Bentura já cá está”
- “Olá, sempre beio ti Bentura,” ao mesmo tempo que ia entregando os copos ao marido.
- “Que jeropiga rapaz”! Era o Ventura a dizê-lo logo que provou a pinguinha. Depois de mais uns copitos e sendo tempo de procurar a ceia, despede-se deste casal simples mas dum enorme coração, agradecendo, pinga tão boa!
- “Binde sempre ti Bentura porque se não bindes, eu e a minha Beríssima, bamos pensar que está zangado e nós não queremos isso.”
- “Rapazes, com uma pinga dessas, quem é que pode dizer que não volta! De maneira nenhuma!” Ao mesmo tempo que a sua caminhada o levava progressivamente a ficar mais envolto pelo lusco-fusco da noite que o ia sumindo, pois esta já ia sendo rainha, até que o sol, o astro rei, brotasse luz irradiante, que a dominaria com mais um dia de Deus para a labuta sem esquecera burra.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Nampula 1967!
Corria o ano de 1967. A CF8 estava toda no Niassa e já cheia daquela vida de isolamento. Cada um armava o seu teatro para ver se podia livrar-se daquilo o mais depressa possível. Disse, «armava o seu teatro» porque nunca acreditei muito nessa versão dos «apanhados do clima». Apanhados estávamos todos, mas só os mais espertos conseguiam convencer disso os seus superiores de modo a serem evacuados. Malucos a sério acho que não havia nenhum.
E chegou a minha vez de representar o tal papel, o de «maluco apanhado pelo clima». Para os mais distraídos, o clima aqui referido não é o atmosférico, mas sim o clima de guerra que se vivia à época. No meu caso particular nunca estive em situações de grande pressão psicológica provocada por ferimentos ou morte de camaradas da Companhia. Nas Unidades em que prestei serviço não houve mortos e apenas um ferido ligeiro (rebentamento de mina) na Companhia 8. A única coisa que complicava com os nervos era o medo e ansiedade constantes. Uma mina, uma morteirada ou uma bazucada podiam acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. E era isso, o receio de não regressar vivo das operações em que cada um participava, que criavam maior pressão no sistema nervoso daqueles jovens militares.
O facto é que também eu estava farto daquele isolamento até à medula e precisava de férias. Calhou ter sido atingido por uma crise forte de paludismo e aliando isso à necessidade de tratamento de um outro problema antigo que me afligia, consegui convencer o Dr. Dinis Noivo, médico da CF8, de que tinha que ser evacuado. No início não fui muito bem sucedido, mas quando lhe disse que qualquer dia pegava na pistola e desatava aos tiros, a torto e a direito, e que ele seria o responsável pelo que acontecesse, lá assinou a guia de marcha. Eu nem queria acreditar e quase me denunciava com um enorme sorriso de orelha a orelha.
E fui para Nampula e passei lá dois ricos meses de férias!
O Furriel Miliciano que podem ver na foto, era já um velho conhecido de Lourenço Marques e que tinha também viajado connosco até Nacala, a bordo do Império, quando a nossa Companhia foi destacada para o Niassa. O puto que está entre nós era fotógrafo, tinha uma casa de negócio aberta na cidade, e foi quem me convenceu a servir de modelo para um concurso de fotografia que acabaria por ganhar o 1º prémio.
sábado, 25 de abril de 2009
Uma história triste!
A história curiosa que o Leiria contou no post anterior, fez-me lembrar uma outra história que me parece apropriada para preencher este espaço que é dedicado a todos os filhos da Escola de Fuzileiros. Não é uma história alegre, mas também de tristezas e muitas lágrimas é feita a nossa vida, por isso temos que estar preparados para tudo.
Depois de sair da Marinha só voltei uma vez à nossa Escola de Vale de Zebro. Tinha-me casado havia pouco tempo e queria mostrar o sítio à minha mulher. Acompahado por um filho da escola que agora não recordo quem era, demos uma volta pelos lugares mais marcantes da Escola e a páginas tantas estávamos debaixo do eucalipto da «Pequena Descida da Morte», aquela que dava directamente para dentro do lodo, já perto da Seca do Bacalhau. E então disse-me ele:
Neste curso de fuzileiros que está a decorrer e quase a chegar ao fim (estávamos no mês de Julho) caíu aqui um filho da escola e morreu. Quando se preparava para iniciar a descida escorregaram-lhe as mãos da alça e precipitou-se sobre os carris, partindo a coluna.
Por sorte morreu, senão teria que viver uma vida inteira prostrado numa cama. Acabou ali a alegria da minha visita e despedindo-me parti. Até hoje, nunca mais lá voltei!
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Uma história curiosa!

A foto inserida mostra a estrutura mais alta do mundo dos últimos 30 anos!
Esta foto é precisamente da CN Tower em Toronto, Ontário, Canadá! Não posso precisar, mas tem mais 550 metros de altura, a qual curiosamente, foi construída por pessoas de diferentes etnias com evidência para a portuguesa no que concerne à sua estrutura!
Esta foto é precisamente da CN Tower em Toronto, Ontário, Canadá! Não posso precisar, mas tem mais 550 metros de altura, a qual curiosamente, foi construída por pessoas de diferentes etnias com evidência para a portuguesa no que concerne à sua estrutura!
É hábito do operador do elevador fazer uma breve descrição sobre a torre, a sua história entre outros interesses que lhe são relevantes; tudo isto, enquanto o elevador com vidros a mostrar o efeito da ascensão rápida, a qual se torna assustadora para quem a faz pela primeira vez. Por fim o operador sai-se com esta: “Thanks for flying CN”! O que no aspecto, sensação e vista, não são para menos! Logo que chegamos ao topo, temos uma majestosa vista da cidade que até nos dá impressão que a estamos vendo dum avião!
Aconteceu, porém, que o Medeiros, rapaz dos açores, trabalhador na construção e que nesta altura era um dos envolvidos na criação desta estrutura fenomenal! Contudo, na mesma altura, andava ele na nossa escola a tirar a carta de condução. Rapaz extremamente nervoso, que por infelicidade escorregou, quando a torre já estava a uns três quartos da sua altura, caindo para fora dela, mas a felicidade foi que, a corda, que obrigatoriamente as amarrava, ficou a aguentar o nosso Medeiros dependurado, uns 400 metros de altura como um pêndulo dum relógio de sala “grandfather clock”! Claro, que está de ver, que o homem da história desmaiou, com a agravante dos desperdícios biológicos terem disparado!
Falava sempre com uma voz nervosa que nos deixava desconfortáveis. Deu connosco, mais do que as lições necessárias para pessoa de reacções normais! Vai ao exame de condução, uma série de vezes, sempre com o mesmo resultado; logo que o examinador voltava costas, lá ia ele para um canto vomitar como se tivesse comido fel de animal!
Comecei eu a ponderar, sobre a razão para tanto nervosismo, concluo por mim que, parte de tudo isso era sugestivo! Ele queria a carta, custasse o que custasse, o que para ele o dinheiro, nunca foi obstáculo… Certo dia vem-me à ideia algo deslumbrante! Que tal se eu lhe desse uma aspirina dizendo que, era um comprimido para os nervos, super milagroso, que me deram na farmácia?
A cena foi esta: “Medeiros tenho aqui um comprimido que lhe vai tirar esses nervos todos, mas eu só lhe vou dar metade, para não ficar calmo de mais.” Obrigado Senhor Sousa” tomando a metade que lhe dei. Passados alguns minutos, quando já íamos a sair para o sacrifício do costume, diz ele: “oh Sr. Sousa, já me estou a sentir tão bem, que já nem sinto nervos nenhuns!” Vamos lá que hoje é que é de vez…” E lá fomos… o Medeiros todo contente!
Rapazes olhem que desta vez foi mesmo! Quando ele com papel da aprovação nas mãos, aos pulos e a agarrasse a mim aos beijos, e eu, já chega… já chega… tentando fugir do nosso Medeiros!
Pepe o Açoreano!
O Pepe tinha uma mota. Era uma Triumph 250. Por causa da mota também tinha muitos amigos. Daqueles que gostam sempre de ir para todo o lado sem pagar nada. Um desses amigos era o Eleutério (1855.64) que hoje vive no Carvoeiro, perto de Armação de Pera. Do Pepe não me lembrava nem sequer do número, mas ontem estive ao telefone com o Ezequiel, também ele algarvio de Alte, que me deu o seu número. Era o 1315.64, José Manuel Medeiros, garante ele. Eu próprio também tinha uma mota, uma Java. Por essa razão também me dava bem com o Pepe, porque às vezes combinávamos passeios em conjunto. Ou seja, por interposta pessoa eu também acompanhava muitas vezes o Eleutério, sem sermos grandes amigos.
Como me deram o seu número de telefone, há dias, decidi telefonar-lhe para saber novidades, mas tive azar pois ninguém atendeu a minha chamada.
Tenho tentado por vários meios contactar com os antigos camaradas da CF8, mas sem ser pela internet a coisa vai ser difícil! E não conheço nenhum que saiba usar o computador.
Vamos com calma!
Acontece aos melhores...!
Hoje, ao abrir o blog, reparei que faltava o título e a descrição. Não me lembro de ter mexido nas definições quando substituí o cabeçalho, mas a verdade é que lá não estava. Já tratei disso e agora já está tudo bem.
Se calhar ninguém tinha dado pela falha. Pela falta de comentários e participação reduzida de outros filhos da escola não corro grande risco de crítica.
Valha-me isso!
quarta-feira, 22 de abril de 2009
De espada em riste!
Não fazia a mais pequena ideia de que os sargentos faziam instrução com espada. Sempre pensei que isso era reservado, apenas, aos oficiais. Foi, por isso, com surpresa que olhei para esta foto do Rafael a comandar o pelotão do Curso de Sargentos.
Estou sempre a aprender!
terça-feira, 21 de abril de 2009
Seguidores!
Na barra lateral do Blog acrescentei mais uma aplicação - Seguidores. Isto porque me apareceu um seguidor registado, chamado André, que só era visível para mim mesmo. Tenho pena de não saber quem é este André que mostrou interesse em seguir o nosso blog. Mas acredito que ele em breve fará um comentário e nos deixará saber de quem se trata.
Bem vindo seja ele e que encontre neste blog de Filhos da Escola de Fuzileiros aquilo que procura, é o que eu desejo.
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