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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Trabalho de telefonista!

Hoje passei o dia a "peneirar" a lista dos filhos da escola e verificar quais os números de telefone que ainda são válidos. Marcar números, um atrás de outro, e esperar que alguém atenda para repetir sempre a mesma pergunta - estou a falar para casa do Sr. "fulano de tal"? A maior parte das vezes, não atendeu ninguém ou fui redireccionado para o Voice mail.
Na meia dúzia de vezes em que consegui entrar em contacto com os filhos da escola, todos se mostraram abertos à ideia da realização da Festa do Cinquentenário, na Escola de Fuzileiros.
Amanhã a tarefa continua. É chato pr'a burro, mas alguém tem que o fazer. Se houver alguém que queira ajudar que avance. Toda a ajuda é bem vinda. Basta haver vontade e um telefone sem limite de chamadas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Lista encurta a cada dia!

Se as coisas continuam assim acabamos sem participantes para a festa do Cinquentenário. Na semana passada foi o Anastácio Morais, hoje foram logo dois, o Custódio (16649) e o António A.L.Anjos (16565) que me confirmaram como tendo já falecido.
O primeiro, tal como referi no Blog da CF2, sofreu uma trombose aos 61 anos de idade e veio a falecer 4 anos depois, na terra onde viveu quase sempre, Penalva do Castelo, depois de sair da Marinha.
O segundo, que eu há muito procurava sem qualquer resultado, faleceu durante o reveillon do passado ano de 2010, em circunstâncias que ainda não consegui apurar em detalhe. No registo do seu óbito diz-se que «apareceu cadáver», o que me leva a crer que foi encontrado morto em casa, como ultimamente parece estar muito em moda, em Portugal.
Ele foi emigrante em França, casou-se lá em 1971 e veio a enviuvar em 1997. Não faço ideia de como viveu os seus últimos anos de vida e de viuvez, mas pelo registo do óbito faz-me pensar numa vida solitária, sem afectos e sem família.
Ultimamente tenho passado em Valpaços com alguma frequência e penso aproveitar a próxima oportunidade para investigar um pouco esta história que sendo a dos filhos da minha escola, é a minha também. Segundo os registos do livro do Comandante Baena, ele fez apenas uma comissão em Angola, no DFE6, tendo abandonado depois a Marinha e partido para a emigração.

sábado, 9 de julho de 2011

Para o ano há mais!

Depois de todas as fotografias que vos mostrei e das histórias que vos contei, resta-me dizer as últimas palavras e fazer as despedidas atá ao próximo ano, tal como fez o Comandante da Escola, pedindo desculpa por alguma coisa que tenha corrido menos bem e prometendo aprender com a experiência deste ano para que no próximo a festa seja ainda melhor.
Ele pode prometer isso, pois em cada ano que passa há uma nova fornada de jovens fuzileiros para refrescar e rejuvenescer o grupo. O nosso caso é que é um pouco mais triste, pois vamos ficando cada vez mais velhos, um dia já lá não apareceremos e ninguém dará pela nossa falta.
Mas é assim o mundo, as árvores caem, apodrecem e fecundam o solo para que as sementes nasçam e cresçam e cubram a Terra de novas árvores.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

Preparar, apontar, fooooooogo!

Na mensagem anterior mostrei-vos a Carreira de Tiro onde aprendi a dar ao gatilho. Nesta mostro-vos a arma com que me ensinaram a fazê-lo, a Mauser. espingarda de repetição com capacidade para 5 cartuchos no municiador e mais 1 na câmara.
Abalei (como se diz no Alentejo) para Moçambique sem conhecer nem ter dado um único tiro com a G3. E foi na pequena Carreira de Tiro da Machava que me tornei um especialista no seu manejo. Com a arma à altura da ilharga eu era um barra com a G3. Mas arma a sério para tiro de precisão, não há dúvida nenhuma, era a Mauser.
-Ensarilhar, aaaaaaaaarmas!

Fotos com história!

Há ainda algumas fotos mais que trouxe de Vale de Zebro e vos quero mostrar também. Cada uma delas representa um bocadinho da minha (nossa) passagem pela Marinha e vale a pena olhar para elas uma vez mais.


Frontaria do actual Edifício do Comando da Escola de Fuzileiros que não existia no meu tempo.


Antigo Edifício do Comando onde existia o Gabinete do Comandante Cristino, no 1º andar (1ª janela da direita). Felizmente nunca tive que lá entrar, nem por boas nem por más razões.


Antiga Parada e lugar do Mastro da Bandeira, tal como o conhecemos em 1962. No lugar ocupado pelo autocarro que se vê na imagem, estacionou, na noite de 9 de Março de 1962, o camião com capota de lona que nos trouxera do Corpo de Marinheiros depois de realizadas as inspecções sanitárias e os exames de habilitações literárias que nos deram entrada na Armada.


Arcada que dava para o nosso Refeitório, Paiol de víveres, Escutaria e Cozinha. Foi neste local que ouvi pela primeira vez a ordem de «formar a dois» dada pelo Sargento Trindade, logo após ter descido do tal camião com a «Maca» que me acompanharia durante seis anos e meio, com duas viagens de ida e volta a Moçambique.


Cantinho onde ficava a nossa Barbearia e os Quartos de Banho onde fiz o meu primeiro serviço de «Plantão». Já não recordo se esse primeiro serviço foi "regular" ou por castigo, mas isso agora não interessa nada.


Com as árvores como pano de fundo pode ver-se a caserna a que dávamos o nome de «Dos Recrutas» em contraposição com a outra a que chamávamos «Dos Voluntários» e que era a minha, no 1º andar, por cima do Refeitório.


E, para finalizar, o lugar que fez de nós fuzileiros que é o mesmo que dizer «Técnicos do Fuzil», a Carreira de Tiro. Aqui aprendemos a dar ao gatilho e a familiarizarmos-nos com as armas de que dependeria a nossa vida dali em diante. Relativamente poucos fuzileiros travaram conhecimento com a Mauser, espingarda de repetição de calibre 7,92 que dava um coice capaz de pisar o ombro de quem não soubesse ajustá-la devidamente ao ombro. Eu fui um desses poucos e gostei da experiência.
Esta é mais uma das valências da Escola que está completamente posta de lado, pelo que pude perceber.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Questão dos mortos durante a comissão!

Por várias vezes, o Filipe Cruz, lá dos confins onde se encontra, se tem referido aos mortos em campanha (não quero dizer combate, pois quem morreu em acidentes ou por doença, morreu também em serviço) que foram sepultados no local onde faleceram e cujos restos mortais nunca foram repatriados.
Aproveitei o meu reencontro com os camaradas durante a festa do «Dia do Fuzileiro» para trocar algumas impressões sobre este assunto. Estou convencido que nenhum fuzileiro morto durante a Guerra do Ultramar foi abandonado no terreno ou sepultado em lugar menos próprio. Estive à conversa com vários filhos da escola que fizeram comissões em Angola e na Guiné e também eles são da opinião de que todos os mortos tiveram um enterro digno e em lugares devidamente identificados. Quero acreditar que assim aconteceu.



Ao passar no Museu do Fuzileiro e reparar na placa com o nome dos camaradas tombados em combate, resolvi fotografá-la para trazer aqui o assunto e perguntar ao Filipe se ele se refere à não exumação dos restos mortais e trasladação para os cemitérios das suas residências, ou se, pelo contrário, pensa ou sabe que alguns tenham sido deixados para trás. Acho que isto é um assunto que vale a pena discutir aqui, tentando esclarecê-lo dentro do possível. Pior que não saber a verdade é não querer sabê-la!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Deambulando pelo Bairro Alto!

Em 31 de Dezembro de 1962 foi encerrado, ordens do António de Santa Comba e do Cardeal das Cerejas, o negócio mais antigo do mundo no Bairro Alto, a prostituição. Dia triste para muita gente, a começar por aquelas que dali tiravam o seu sustento e das suas famílias, mas também para os muitos frequentadores daqueles locais, a começar pelos nossos camaradas de alcache e boné branco.
Felizmente, os meus primeiros meses na Marinha e o meu baptismo de Lisboa puderam ainda contar com o Bairro Alto em pleno funcionamento e disso guardo algumas memórias na minha bagagem. Mas não é desse bairro que vos quero falar hoje. O Bairro Alto que hoje vos vou descrever nasceu em 1964, entre a recruta de Março e a de Setembro, vindo esta última a tirar os três ao «mega-empreendimento» que nasceu do outro lado do "Lodo".
O lodaçal que se estendia desde a estrada nacional que liga Coina ao Barreiro até ao estuário do rio Coina, foi cortado ao meio por uma estrada de paralelos a unir as duas metades da Escola que, de repente, passava para o dobro do tamanho e capacidade para albergar 1500 militares. A ladear essa estrada foram montados postes de iluminação e neles pendurados altifalantes para permitir que as formaturas a percorressem marchando cadenciadamente ao som da Caixa que um Marinheiro Clarim fazia soar na Parada. Uma das coisas de que me lembro ainda era da confusão criada sempre que os marchantes deixavam de ouvir um altifalante e passavam a ouvir o seguinte, com um ligeiro atraso na propagação do som, obrigando toda a gente a acertar o passo.
Formatura ás 5 da tarde, na Parada, leitura da Ordem do Dia e toca a marchar até ao Refeitório, primeiro e maior edifício do Bairro Alto, onde se seguia o jantar, servido muito cedo para permitir uma nova formatura, a das Licenças, logo a seguir.
Uma de muitas recordações que ocupavam a minha mente enquanto deambulava pelos espaços que há muitos anos não percorria, mas que permanecem quase inalterados. Não fora o edifício construído ali onde antigamente tínhamos o nosso Campo de Futebol e poder-se-ia dizer que tudo continuava na mesma.
Enquanto fazia a digestão das duas sardinhas e do pedaço de entrecosto que me tinham servido ao almoço, as minhas pernas foram-me levando na direcção do tal Bairro onde passei os seis meses mais marcantes da minha vida na Marinha, passados em Portugal Continental, na Primavera e Verão de 1965. Foi o período que mediou entre as minhas duas comissões, ambas feitas em Moçambique. Período em que foi preciso dizer adeus a muitos camaradas que me tinham acompanhado até àquela data e travar conhecimento com outros que me acompanharam dali em diante. Período de namoros e engates que pouco rasto deixaram na minha memória de tão fugazes que foram.
Muitas, mesmo muitas lembranças, algumas delas tão particulares que não podem ser partilhadas com ninguém e ficarão para sempre escondidas nas sombras desse passado já muito distante. Os altos muros que nos tentavam isolar do mundo lá fora e o desafio que representavam para nós e nos levavam a saltá-los sempre que havia uma oportunidade. As «Misses» do outro lado do muro, as saídas sem licença, as idas até Palhais só para deitar o olho a alguém do sexo oposto, um turbilhão de memórias impossível de descrever, mas que sei ser entendido por quem por lá passou como eu.
E para não vos fazer sofrer mais, aqui vai a reportagem, tipo Virgílio Miranda, daquilo que os meus olhos viram e hoje está completamente votado ao abandono.














segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Inauguração!

Nestas coisas de cerimónias oficiais e onde mete altas individualidades já toda a gente sabe como é, marca-se uma hora e fica-se a secar à espera que as ditas individualidades se dignem aparecer. Desta vez não foi diferente.
Se esperar já era mau, duas pequenas particularidades vieram piorar a coisa. Em primeiro lugar a polícia fechou completamente a Avenida e não era possível passar de um para o outro lado da tribuna. Como os primeiros a chegar se foram acumulando perto da tribuna, os últimos ficaram a 500 metros de distância e limitaram-se a ouvir o que os alti-falantes debitavam. Em segundo lugar o transporte organizado pela Escola de Fuzileiros começou a carregar o pessoal para o Barreiro a partir das 09.30 horas e eu segui na segunda carga, ou seja, ás 10.00 horas já lá estava plantado em cima das minhas doridas pernas.
Na situação em que ficamos, entalados num passeio com 1 metro de largura e toda a gente a tentar furar para os lados da Tribuna de Honra, regressando depois para tentar pelo outro lado, uma vez que por ali tinham encontrado o caminho vedado, só um herói aguentaria as 3 horas que aquilo demorou. Tentar encontrar ali os nossos camaradas era também pouco menos que impossível e só por milagre avistei uma meia-dúzia que se cruzou comigo.
Logo no início dei de caras com o Tenente Tavares Costa, achei aquela cara familiar, mas não o reconheci. Só com a ajuda do Jordão que estava em amena cavaqueira com ele é que fiquei a saber de quem se tratava. Vi depois e cumprimentei alguns filhos da escola, como o Alturas, o Zé Bernardes, o Galinhas, o Bento, o Charrua, o Elvas, o Alvaro, mas de regresso à Escola nunca mais vi nenhum deles.
A minha companhia durante todo o dia foi o Francisco Veiga (16453) e encontrei mais tarde na Escola o Fragata (16452), o António Augusto (16463) e o Chumbo (da escola do Páscoa).
Fiz umas quantas fotografias, dentro daquilo que a minha posição me permitia, que vos deixo aqui para ficaram com uma ideia de como as coisas se passaram.












O Salto do Vicente Galinhas!

O Vicente Galinhas é mais conhecido que a fome. Nos fuzileiros e meios que frequentam não há quem não o conheça. Mas nem todos conhecem a sua história. Não sabem, por exemplo, que ele é filho da minha escola (a de Março de 62), mas que não pôde jurar bandeira comigo por ter partido um braço numa queda na pista de obstáculos. Isso fez com que ele tivesse que juntar-se aos filhos da escola de Setembro do mesmo ano, o que lhe atrasou seis meses a sua vida na Marinha.
No passado sábado, enquanto decorria o almoço na Escola de Fuzileiros que foi servido exactamente no local onde funcionava a «Pista de Obstáculos Nº 1», ou seja, ao lado e por trás do Ginásio onde o Professor Ferraz nos obrigava a esmurrar "o focinho" uns aos outros, dei com os olhos na rede de cabos de sisal que servia para fazermos o «Salto à Tarzan» e veio-me esta recordação.
Eu cheguei à Escola de Fuzileiros numa sexta-feira era já noite escura. O jantar tinha-nos sido servido no velho Corpo de Marinheiros, ao cair do dia, e só depois disso e com muitas calmas nos fizeram ir buscar os nossos pertences e embarcar num camião com capota de lona e nos despacharam para Vale de Zebro. Recordo-me que ouvia esse nome e soava-me a qualquer coisa estranha que me fazia lembrar a Segunda Guerra Mundial e os campos de concentração nazis. Ninguém sabia o que era ou onde ficava Vale de Zebro e viajávamos naquele camião como porcos para o matadouro, quero dizer, sem fazermos a mínima ideia de qual seria o nosso destino.
Mas voltemos à história do Galinhas que é disso que se trata. No sábado de manhã acordámos todos lampeiros e após o almoço, sem nada especial em que nos ocuparmos, fomos reconhecer o terreno. Alguns dos grumetes chegados nos dias anteriores e que já conheciam os cantos à casa, serviam-nos de cicerones. Um deles e o mais afoito era o Vicente Galinhas. Em três tempos estávamos debaixo da rede do Tarzan com ele a exemplificar como se executava aquele acrobático e arriscado salto. Como não podia deixar de ser, eu fui um dos primeiros a imitá-lo e seguido de outros lá subimos ao pinheiro e fizemos o nosso baptismo de fuzileiros. Poucos dias depois, na repetição da mesma acrobacia o Galinhas caiu da rede, partiu um braço e foi separado do nosso grupo para ir curar a mazela.
Neste último sábado da minha vida, quase 50 anos depois, vi-me debaixo da mesma rede, mas já sem genica para subir ao pinheiro e atirar-me em voo para aquela rede que lá continua ainda como se estivesse à minha espera. Foi pena o Galinhas não ter aparecido lá também para tirarmos uma fotografia juntos e agora publicá-la aqui para a posteridade. Mas fica a história e as fotos que, mesmo sem protagonistas, servem para mostrar a quem não voltou àquele local, como está o campo de treinos daquele tempo e que todos recordamos com saudade. Se não por outras razões, pela mocidade que nos fazia donos do mundo!











Nas últimas duas imagens vê-se o cabo da «Descida da Morte», visto de baixo para cima, uma vez que já não há genica para ir lá acima bater a chapa, de cima para baixo. Agora só com a Escada Magirus dos Bombeiros do Barreiro!

A Estátua do Fuzileiro!

Tal como o Virgílio diz, com o fuzileiro dentro do Zebro, já a coisa ficou com outra cara. A atribuição do nome de «Praça dos Fuzileiros Navais» à rotunda que termina a Avenida da Escola de Fuzileiros junto ao Continente, tem também o seu significado e ficará para a História. A esta hora já não tenho tempo para grandes conversas a respeito do que se passou na inauguração, mas vou deixar-vos com as fotografias que me foi possível fazer no meio de tanta confusão e mais tarde voltarei ao assunto. Se o tamanho fosse um pouco maior, acho eu, ficaria muito melhor, mas com o tamanho da crise em que vivemos não posso ser demasiado exigente.
Ora vejam com os vossos próprios olhos!