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sábado, 12 de dezembro de 2020

RIP Com.te Patrício!

 

Seria um crime deixar passar esta data sem dizer duas palavras a respeito deste homem que foi considerado o «Pai de Todos os Fuzileiros». Quando, em Março de 1962, me apresentei no Corpo de Marinheiros para a «Inspeção Militar», lá estava ele atrás da grande secretária para decidir quais dos candidatos rumariam a Vale de Zebro ou Vila Franca de Xira. A mim calhou-me ser fuzileiro e, portanto, um dos seus filhos "adoptivos".

Pouco convivi com ele. Durante a recruta e ITE não me recordo de ele fazer parte dos instrutores. Depois fui para Moçambique e quando me preparava para regressar à Metrópole, em Março de 1965, vi-o aparecer na Machava como Comandante da Compania de Fuzileiros Nº 6. Seis meses depois regressei eu à Machava e já ele tinha partido, à frente da sua Companhia, para o Niassa. No fim da comissão regressou ele à Machava, enquanto eu ia a caminho, primeiro de navio, depois de comboio e por fim de camião até Porto Arroio . mais conhecido por Meponda - no Lago Niassa. Como resultado desencontrámo-nos e só o voltei a ver em Março de 2012, quando o convidei para a comemoração do Cinquentenário dos Filhos da minha Escola.

Sei que os rapazes da CF6 foram quem mais conviveu com ele, principalmente os que moravam em Lisboa, ou perto, que o convidavam para almoçar frequentes vezes, o que ele apreciava sobremaneira. Espero que tenham também estado nos Olivais para se despedir dele, embora esta praga da Covid torne tudo mais difícil.

Agora partiu para a última comissão, recebeu a Guia de Marcha e não teve como recusar. Resta-nos rezar-lhe pela alma que o corpo já não existe mais. Que Deus reconheça o bom homem que foi e lhe reserve um bom lugar à sua direita!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Memórias de fuzileiro!

 

Registo de visitantes (estatísticas)

Estamos quase a chegar ao fim do ano - bissexto, azarado e pandémico - e reparei que, muito embora as minhas poucas publicações, apenas duas, ainda há quem continue a visitar este blog. Se deixassem ficar alguns comentários talvez me motivassem a escrever qualquer coisinha, de vez em quando, mas agora, o que está na moda é o Facebook. Há muitos fuzileiros, no activo e reformados que andam por lá todos os dias e há até grupos ligados à Marinha, Filhos da Escola e Fuzileiros que enchem as páginas de fotos, memórias de guerra e, à falta de melhor, receitas de petiscos, trabalhos na «machamba», viagens de recreio e outras coisas como estas.

Hoje, telefonou-me um «filho da minha escola» que fez 3 comissões em África, uma delas em Moçambique, e estivemos a recordar um pouco do nosso passado comum. Eu só conheci o Niassa, norte de Moçambique, como teatro de guerra. Ele, maioritariamente, lutou em Angola, mas foi acabar a sua carreira de fuzileiro em Moçambique. Esteve em Porto Amélia (agora chama-se Pemba), amargou um pouco as agruras do Niassa e foi acabar em Nampula. Depois disso, regressou à Metrópole, tirou as divisas de Cabo das platinas e fez-se à vida civil. Emigrou, andou pelo Médio Oriente e acabou em França, onde formou família e se reformou.

Ambos pertencemos ao 2º Pelotão da 1ª Companhia de Recruta, comandado pelo Sargento Manuel Bicho que é vivo ainda e mora ali para os lados de Condeixa. O pelotão tinha quatro secções, sendo as três primeiras formadas por voluntários (meninos do leite, como nos chamavam) e a última por recrutados que eram 3 a 4 anos mais velhos que os voluntários, muitos dos quais só fizeram 17 anos depois de terminado o Curso de Fuzileiros.

A Guerra do Ultramar obrigou à ressureição dos fuzileiros, custou algumas vidas e criou amizades que perduram para além dessa guerra amaldiçoada, em que fomos obrigados a participar para cumprirmos o nosso dever como militares. Honra e glória aos caídos nessa luta, com alguma felicidade nós escapámos com vida para contar a História.

domingo, 30 de agosto de 2020

Mogadouro!

Mogadouro, terra milenar!

Há dias, faleceu um filho da minha escola. O seu número de matrícula na Armada Portuguesa era o 8228.62, chamava-se Manuel Casimiro e veio do Mogadouro para Vale de Zebro. Fez a recruta comigo e depois entrou no Curso de Especiais. Eu parti para Moçambique, na CF2, e nunca mais ouvi falar dele até receber o telefonema a comunicar a sua morte.
Ele fez várias comissões, seguiu a carreira da Marinha e chegou a Sargento-Mor. Deu-se bem na vida, saiu da Marinha ainda novo e montou um negócio na área da restauração que foi um sucesso. Tinha uma boa vivenda, ali para os lados da Caparica e chegou a fazer outra na sua terra natal, o Mogadouro. Quando lá estava e algum filho da escola andava por aqueles lados convidava-o para sua casa e tratava-o como um rei. Este filho da escola que me telefonou a comunicar a triste ocorrência, em tempos tinha-me dito:
- Se passares no Mogadouro procura o Casimiro que ele ficará todo contente e dar-te-á de comer, do bom e do melhor!
Nunca passei no Mogadouro, depois desta conversa e, por conseguinte, nunca reencontrei o meu camarada de recruta. Agora, a única hipótese é esperar que eu vá também desta para melhor (espero que seja mesmo melhor) para nos reencontrarmos de novo.
Descansa em paz, camarada fuzo!!!

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Pobre Chico!

Quando nasceu, este blog foi destinado a tratar da história do 4º Destacamento de Fuzileiros Especiais (DFE4), a cargo do filho da minha escola Álvaro Dionísio, mas depois de publicadas as fotos que ele tinha e algumas mais dos convívios (acho que foram apenas dois) que realizaram perdeu a força e extinguiu-se.
Depois dediquei-o à Companhia de Fuzileiros Nº 8, com a ajuda do António Páscoa, mas nunca ganhou grande fulgor. Eu tinha o Blog da CF2 para tratar e ele, além de não ser grande escriba, dedicava-se mais ao Figueira Minha que era o que mais significado tinha para ele.
Como resultado, este blog foi de mal a pior e tem servido apenas para as notícias fúnebres e postais de Boas Festas.
Há alguns dias, publiquei uma foto do filho da minha escola Francisco Ribeiro (NMA - 16604) no Facebook, dando notícia que ele tinha sido internado num Lar de Idosos, em Modivas, Vila do Conde, devido ao adiantado estado da doença de Alzheimer de que vinha sofrendo há já algum tempo. E como ele também fez comissão em Angola no DFE4, achei que era boa ideia repetir aqui a notícia para aqueles que por aqui possam passar.
Eu sei que o Facebook tem um alcance muito maior que este blog, mas tudo o que lá cai acaba por desaparecer, mais tarde ou mais cedo, sem deixar rasto. Aqui terá uma vida mais longa, embora mais recatada. O nome «Escola de Fuzileiros» e o endereço «valedezebro» continuarão a aparecer no motor de pesquisa Google (e talvez noutros) e trarão alguns leitores até estas páginas para ler esta e outras notícias sobre os fuzileiros da Armada Portuguesa.
O Chico, coitado, não reconhece ninguém nem tão pouco sabe quem é !!!