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sábado, 30 de julho de 2022

Os fiéis Fuzos!

 Ser fiel a uma pessoa, uma instituição ou uma causa não é para todos. É uma questão de carácter, qualquer coisa que vem lá de dentro e que muitos nunca serão capazes de sentir. Neste caso particular, refiro-me à Escola de Fuzileiros, como a instituição que formou muitos milhares de homens para ir combater, em África, na Guerra Colonial. Muitos homens, alguns ainda meninos, de todos os cantos de Portugal foram levados para Vale de Zebro, lugar da freguesia de Palhais, no concelho do Barreiro, e aí passaram «as passas do Algarve» para serem FUZILEIROS e atingirem a condição necessária para partir em defesa da Pátria.


Muitos anos depois, é vê-los regressar à «Casa Mãe» e festejar com alegria o reencontro com os seus velhos camaradas. Nestes regressos nota-se que a maioria são fuzileiros que seguiram a carreira da Marinha, são, hoje, uns senhores reformados e vivem nas duas margens do Tejo ou Coina, num raio de 20 Kms da Escola. Os outros, aqueles que vivem longe, ou têm uma situação económica muito mais débil são os que merecem a minha admiração. Está neste caso o «Moço da Botica» da CF2, o meu camarada Zé Monteiro que me acompanhou na comissão que fizemos em Moçambique, entre 1962 e 1965. Regressámos a Lisboa, no dia 11 de Abril de 1965, data que ele celebra com devoção e, desse dia em diante, perdi-lhe o rasto. Para mim ele é o mais fiel representante do «Recrutamento de Setembro de 1961», pois, enquanto pôde, nunca faltou a um «Dia do Fuzileiro» a cada Julho que passa.



O outro fiel à nossa Escola que quero e tenho que referir é o Guilherme, pois não conheço outro do «Recrutamento de Março de 1962» que apareça com tanta frequência nessas concentrações. Outros haverá que nutrem os mesmos sentimentos, mas falta-lhe a força de vontade (ou os recursos económicos) para concretizar o desejo de voltar à Casa Mãe. São muito raros os que comparecem e não tenham seguido a carreira militar. É certo que ele viveu a maior parte da sua vida na zona de Almada ou Setúbal, não muito longe da Escola, mas isso não desabona em seu favor. Considero-o o mais fiel da minha escola e respeito-o por isso.

domingo, 10 de julho de 2022

A outra metade da foto!

 


Assinalado com uma marca vermelha sobre a cabeça, está o Manuel Vasco que foi quem me facultou a foto que cortei em duas para vos falar do Sargento Trindade, um dos monitores que foi marcante na fundação da Escola de Fuzileiros.

Nesta segunda metade da foto aparecem alguns sargentos mais modernos, alguns dos quais conheci nas comissões que fiz, em Moçambique Vasco, Patrão e Arlindo (lado a lado na fila de trás) estiveram comigo na CF8 de 1965 a 1968.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Sargento Trindade!

 

Aí está ele de perna traçada!

Ao fim de 60 anos e muitas lembranças pelo meio, veio parar-me às mãos esta foto em que aparecem alguns dos meus instrutores da recruta, assim como companheiros de comissão, em Moçambique!
Ao toque da Alvorada do meu primeiro dia na Marinha (na Escola de Fuzileiros), ele entrou na caserna, ligou as luzes e gritou:
- Enrola a manta, toca a acordar!

terça-feira, 26 de abril de 2022

A roda da vida!

 Os cumprimentos e boas-festas da Páscoa têm destas coisas. Um homem telefona para desejar Boas Festas e houve que o destinatário já não existe, faleceu, há cerca de um mês.

Ele é o homem da MG42

Eu não era muito chegado ao Manel Ferreira. Ele era da Escola a seguir à minha e foi para Angola render alguém, a meio da comissão da CF1. Depois regressou à Escola, tal como eu que vim de Moçambique, e frequentamos juntos o Curso de 1º Grau. Logo a seguir, demos o nome para ingressar na CF8 que estava em formação para ir para Moçambique, O mesmo percurso fizeram o Páscoa e o Martins, também filhos da escola de Setembro de 1962, meia comissão na CF1, em Angola, Curso do 1º Grau e ida para Moçambique na CF8. Ambos tinham já falecido e o Manel foi, agora, juntar-se a eles.

Que descansem em paz nesta última comissão que estão a fazer!

quinta-feira, 10 de março de 2022

Morreu um fuzileiro!

 


Todos os fuzileiros são especiais, mas há uns mais especiais que outros!

O Pinto (dos frangos) de Barcelos era um desses. Industrial da restauração organizou um almoço-convívio para o pessoal da CF7 em que fez comissão na Guiné. Por interpostas amizades fui convidado para estar presente também. Garanto que nunca vi um almoço tão bem servido como esse, a troco de um pagamento que eu diria simbólico. Nunca seria possível pagar o que comemos e o que bebemos com o pouco que nos cobrou. Foi uma ocasião festiva que me ficou na memória e serviu para estabelecer o primeiro contacto com os meus camaradas da CF2 e me transmitiu o vírus dos convívios a que fiquei ligado durante bastantes anos.

Chegou a hora de lhe dizer adeus e desejar que ganhe um lugar no céu. Era ainda novo para morrer, mas essa malvada não respeita a idade de ninguém e quando nos passa a «Guia de Marcha» somos obrigados a embarcar!

Os meus sentimentos à família enlutada, incluindo a fuzileira!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

O Bicho e o seu pelotão de fuzileiros!

 

Extracto da Revista da Armada de Janeiro 2022

O 1º Tenente MANUEL PEREIRA BICHO faleceu. A notícia saíu na publicação de Janeiro, pelo que pressuponho que faleceu em Dezembro passado.
Durante a minha recruta, de Março a Julho de 1962, ele comandou o meu pelotão, o 2º da 1ª Companhia, conforme lista que podem ver a seguir. Foi ele quem me ensinou a marchar, marcar passo (até romper as solas das botas de atanado) e a fazer os movimentos de arma com a velha Mauser. Mil vezes repetido, não me posso esquecer da sua voz, quando nos gritava - Por tempos, ombro esquerdo, arma!

16395      8051       FRANCISCO JESUS PAIXAO

16396      ???          JOÃO N. G. CUNHA

16399      8054      FERNANDO BENTO SOUSA

16400     ???          SILVINO L. C. BRANCO

16402      ???          ALBERTO J. R. MATOS

16403      8056       JOSE RICARDO DIONISIO FRANCA

16404     ???          EDUARDO H. A. RODRIGUES

16412       8064       CARLOS MANUEL JORGE MENDES

16421       8072       JOAQUIM DUARTE ANASTACIO CARVALHO

16429      8079       MANUEL ALVES SILVA

16436      8085      FERNANDO ROCHA MARTINS

16443      ???          ARMÉNIO LUIS SOUSA GUERRA

16446      8094       JOSÉ ALEXANDRE SANTOS FERREIRA

16451      8098       VALTER  NUNES DA SILVA

16452      8099       FLORIANO DORES CRUZ

16453      8100       FRANCISCO ANTONIO SOBREIRO VEIGA

16454     8101        ELIAS FARINHA ALMEIDA RODRIGUES

16456      8103        MANUEL RODRIGUES PACHECO

16461       8106        JOAQUIM ALDOMIRO M. ROSA

16463      8108       ANTONIO AUGUSTO

16466      8111         CESIDIO  JOSE FERREIRA AGUIAR

16470      8115        MANUEL JOSE RAPOSO LADEIRA

16480     8124        MARIO DIONISIO TEODORO LIMA

16482      8126        AMILCAR CARVALHANA SANTOS

16485     8129        AGOSTINHO CARVALHINHO SECO

16491       8135        MANUEL FILIPE VIEGAS CRUZ

16496      8139        JOSE RIO BONINA

16505     8148       JULIO LOPES RAIMUNDO

16509      8152        MANUEL JOAQUIM MARTINS

16516       8159        RAMIRO DINIS ENXUTO

16518      8161         ANTONIO OLIVEIRA LOPES

16519       ???          ANTONIO V.L. ROCHA

16523      8163        AGOSTINHO TEIXEIRA

16524      8164        AMADEU SANTOS

16525      8165        ANTERO CARNEIRO PIRES

16528      8168        ARMINDO JOSE GONÇALVES MACHADO

16529      8169        DOMINGOS PIRES MIRANDA

16530      8170        JOSE SILVA BAIA

16532      8171         OCTAVIO AUGUSTO T. PINTO

16534      8173        JOSE CAETANO CRESPO

16540     8179        ANTONIO RODRIGUES

16546      8185       ARLINDO OLIVEIRA SARGENTO

16550     8189        MANUEL BESTEIRO ALVES

Pelotão do Bicho

No Cinquentenário da nossa incorporação, compareceram na Escola de Fuzileiros apenas 10 dos 42 camaradas que compunham o pelotão, pomposamente, conhecido como «O Pelotão do Bicho», o melhor de todo o recrutamento.
Tendo tomado conhecimento do seu falecimento, não quis deixar passar a ocasião sem deixar duas palavras em sua memória. Alistou-se na Marinha de Guerra Portuguesa, em 1949 e juntou-se aos Fuzileiros, em 1962, como Monitor. Não posso garanti-lo com certeza, mas acho que fez duas comissões, em África, durante a Guerra do Ultramar, uma ainda como sargento e outra já como oficial. Como acontece com todos, havia quem gostasse e quem não gostasse dele. Eu não tenho razão de queixa, nunca me fez mal nenhum. Assim, posso afirmá-lo, na minha opinião era um bom homem.
Só, há pouco, descobri onde ele morava, no concelho de Condeixa-a-Nova e liguei-lhe duas ou três vezes, mas a conversa com ele não foi fácil, devido à doença de Alzheimer que tomou conta dos últimos anos da sua vida. Supondo que nasceu em 1929, faleceu, portanto com 92 anos, uma bonita idade e cheia de histórias para contar.
Resta-me apresentar as minhas condolências à família e pedir a Deus que lhe reserve um bom lugar, à sua direita. Paz à sua alma!  

sábado, 11 de dezembro de 2021

Domingos (16691)!

 

Recebeu a Guia de Marcha e quando assim acontece não há volta a dar, quem manda pode e a nós cumpre-nos obedecer. Tal como tantos outros filhos da minha escola (Recrutamento de Março/1962) que já entregaram a alma ao criador. Dos cerca de 300 mancebos que iniciaram a recruta nesse longínquo mês de Marco, na Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, já só restam cerca de metade. Eu tenho-os visto partir, um após o outro, e vou ficando para trás para apontar tal facto no Livro de Ocorrências.
O Domingos foi um dos mais fiéis cumpridores do dever de responder à chamada, sempre que nos juntámos nos nossos almoços anuais de convívio. A partir de uma certa altura, eu deixei de comparecer e ele talvez tenha feito outro tanto, mas isso já não sei dizer.
Pelos dados que consegui reunir, ele fez duas comissões, a primeira na CF1, na sua segunda saída para o Ultramar (por volta de 1965) e a segunda na CF3 (por volta de 1969). Houve uma série de comissões em Pelotões de Reforço ou Comandos Navais que não estão, convenientemente, registadas, por isso não ha grande certeza nestes dados, mas isso agora também pouco interessa. Como a grande maioria dos nossos filhos da escola ele deve ter nascido no ano de 1941 e partiu, portanto, com 80 anos feitos, uma bonita idade que nem todos atingem.
Resta-me apresentar condolências aos familiares e amigos e pedir a Deus que lhe reserve um lugar à sua direita. Descansa em paz, filho da escola!

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Lembranças em dia de aniversário!

 

Valter e Almeirim

O Valter faria, hoje, 76 anos de ainda fosse vivo, mas nem aos 75 chegou, o cancro levou-o antes disso. Descansa em paz, amigo!

Meio por acidente, esbarrei-me com esta foto, hoje, dia de aniversário do Valter (em primeiro plano), em que aparecem 3 filhos da escola no Convívio das CF2 e CF8, em 2014. Infelizmente, todos são já falecidos, a marcha do tempo é inexorável. Fiquei cá ei para ir relatando estas coisas.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Mudar o chip!

 As minhas últimas publicações foram sobre a morte de camaradas, contando aos que cá ficam a história dos que já lhe puseram um ponto final. Isto faz-me pensar que quando chegar a minha vez não terei ninguém para fazer o relatório. Talvez um dia motive um dos meus filhos a ler estas coisas e lhe dê a minha password para poderem entrar e contar-vos que também eu recebi a "Guia de Marcha" para o último destacamento.

Bem, o assunto de hoje é - Açorianos com quem me cruzei na Briosa.


No recrutamento de Março de 1962, tanto quanto me lembro, havia dois açorianos, o 16231 - Agostinho Teixeira Maduro (na foto) e o 16244 - Manuel Adriano Almeida Sousa. O primeiro juntou-se ao DFE4 e seguiu para Angola. Fez uma única comissão, saiu da Marinha e emigrou para o Canadá, onde se encontra feliz da vida na companhia da sua esposa, ainda hoje. O segundo alinhou na CF3 e foi para a Guiné. Não tenho a certeza, mas acho que fez também uma única comissão, levou baixa e regressou aos Açores, onde viveu a sua vida até que a morte o vei buscar, era ele ainda muito novo.

O Agostinho Maduro, o tal que vive no Canadá, tem-se mantido em contacto comigo, desde que eu comecei a organizar os convívios. Arranjou o meu número de telefone, perguntou-me se me lembrava dele e tivemos uma longa conversa. Isto foi, há cerca de 15 anos, e desde então temos falado uma data de vezes. No Natal e aniversários trocámos sempre mensagens e felicitações. Na semana passada fez-me uma chamada de video (via Facebook) e pusemos as notícias em dia. Foi ele que ontem completou 77 anos e me contou que o duplo 7 significa sorte a dobrar para nós os dois.

Depois, em 1965, ingressei na CF8 com destino a Moçambique e levei comigo dois camaradas provenientes dos Açores. Dois bons rapazes, filhos da escola de Setembro de 1964, um voluntário e outro recrutado. Tanto quanto sei, ambos saíram da Marinha, depois dessa comissão, e vivem, hoje (felizes da vida) um deles, o mais novo, nos Estados Unidos e o mais velho na sua terra natal. Este mantém-se em contacto comigo através do Facebook, ferramenta que não vale grande coisa, mas serve para nos manter em estreito contacto. Sem ele já nos teríamos esquecido uns dos outros! 

domingo, 4 de abril de 2021

O meu amigo e camarada Elvas!


Faleceu Óscar Santos, aos 80 anos, vítima de doença prolongada.

Óscar Santos nasceu em janeiro de 1941, foi fuzileiro, fundador da Associação Social Humanitária de Elvas- AASHE e colaborou e participou no programa da Rádio ELVAS “Tardes do Museu.”
A Rádio ELVAS apresenta as sentidas condolências à família enlutada.
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Este é o comunicado que retirei do Facebook e que me apanhou, totalmente, de surpresa. É verdade que já o não via há-de haver 8 anos, mas ele aparecia com muita frequência nas cerimónias da Marinha e não faltava a um convívio de fuzileiros. Vi dezenas de fotografias dele, sempre sorridente e com aspecto de vender saúde, publicadas pelo Mário manso no Facebook. Não me chegou qualquer notícia da sua doença prolongada que é referida acima.
O Óscar era filho da minha escola, Recrutamento de Março de 1962, e um grande camarada. Tirou o curso de Fuzileiro Especial e partiu para África, como combatente da Guerra do Ultramar. Não conheço os pormenores da sua carreira na Marinha, mas sei que a sua primeira comissão foi no DFE5 e nos anos de 1970 e 1971 esteve em Moçambique na CF2, portanto, fez, no mínimo, dez anos de Marinha e deve ter saído no posto de Cabo.
Mas é assim a roda da vida, nunca pára de girar e, de vez em quando, apanha um dos nossos camaradas. Resta-me apresentar as minhas sentidas condolências à sua família e amigos e esperar que Deus, na sua infinita misericórdia, lhe reserve um lugar à sua direita. Um dia lá o espero encontrar!

sábado, 12 de dezembro de 2020

RIP Com.te Patrício!

 

Seria um crime deixar passar esta data sem dizer duas palavras a respeito deste homem que foi considerado o «Pai de Todos os Fuzileiros». Quando, em Março de 1962, me apresentei no Corpo de Marinheiros para a «Inspeção Militar», lá estava ele atrás da grande secretária para decidir quais dos candidatos rumariam a Vale de Zebro ou Vila Franca de Xira. A mim calhou-me ser fuzileiro e, portanto, um dos seus filhos "adoptivos".

Pouco convivi com ele. Durante a recruta e ITE não me recordo de ele fazer parte dos instrutores. Depois fui para Moçambique e quando me preparava para regressar à Metrópole, em Março de 1965, vi-o aparecer na Machava como Comandante da Compania de Fuzileiros Nº 6. Seis meses depois regressei eu à Machava e já ele tinha partido, à frente da sua Companhia, para o Niassa. No fim da comissão regressou ele à Machava, enquanto eu ia a caminho, primeiro de navio, depois de comboio e por fim de camião até Porto Arroio . mais conhecido por Meponda - no Lago Niassa. Como resultado desencontrámo-nos e só o voltei a ver em Março de 2012, quando o convidei para a comemoração do Cinquentenário dos Filhos da minha Escola.

Sei que os rapazes da CF6 foram quem mais conviveu com ele, principalmente os que moravam em Lisboa, ou perto, que o convidavam para almoçar frequentes vezes, o que ele apreciava sobremaneira. Espero que tenham também estado nos Olivais para se despedir dele, embora esta praga da Covid torne tudo mais difícil.

Agora partiu para a última comissão, recebeu a Guia de Marcha e não teve como recusar. Resta-nos rezar-lhe pela alma que o corpo já não existe mais. Que Deus reconheça o bom homem que foi e lhe reserve um bom lugar à sua direita!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Memórias de fuzileiro!

 

Registo de visitantes (estatísticas)

Estamos quase a chegar ao fim do ano - bissexto, azarado e pandémico - e reparei que, muito embora as minhas poucas publicações, apenas duas, ainda há quem continue a visitar este blog. Se deixassem ficar alguns comentários talvez me motivassem a escrever qualquer coisinha, de vez em quando, mas agora, o que está na moda é o Facebook. Há muitos fuzileiros, no activo e reformados que andam por lá todos os dias e há até grupos ligados à Marinha, Filhos da Escola e Fuzileiros que enchem as páginas de fotos, memórias de guerra e, à falta de melhor, receitas de petiscos, trabalhos na «machamba», viagens de recreio e outras coisas como estas.

Hoje, telefonou-me um «filho da minha escola» que fez 3 comissões em África, uma delas em Moçambique, e estivemos a recordar um pouco do nosso passado comum. Eu só conheci o Niassa, norte de Moçambique, como teatro de guerra. Ele, maioritariamente, lutou em Angola, mas foi acabar a sua carreira de fuzileiro em Moçambique. Esteve em Porto Amélia (agora chama-se Pemba), amargou um pouco as agruras do Niassa e foi acabar em Nampula. Depois disso, regressou à Metrópole, tirou as divisas de Cabo das platinas e fez-se à vida civil. Emigrou, andou pelo Médio Oriente e acabou em França, onde formou família e se reformou.

Ambos pertencemos ao 2º Pelotão da 1ª Companhia de Recruta, comandado pelo Sargento Manuel Bicho que é vivo ainda e mora ali para os lados de Condeixa. O pelotão tinha quatro secções, sendo as três primeiras formadas por voluntários (meninos do leite, como nos chamavam) e a última por recrutados que eram 3 a 4 anos mais velhos que os voluntários, muitos dos quais só fizeram 17 anos depois de terminado o Curso de Fuzileiros.

A Guerra do Ultramar obrigou à ressureição dos fuzileiros, custou algumas vidas e criou amizades que perduram para além dessa guerra amaldiçoada, em que fomos obrigados a participar para cumprirmos o nosso dever como militares. Honra e glória aos caídos nessa luta, com alguma felicidade nós escapámos com vida para contar a História.

domingo, 30 de agosto de 2020

Mogadouro!

Mogadouro, terra milenar!

Há dias, faleceu um filho da minha escola. O seu número de matrícula na Armada Portuguesa era o 8228.62, chamava-se Manuel Casimiro e veio do Mogadouro para Vale de Zebro. Fez a recruta comigo e depois entrou no Curso de Especiais. Eu parti para Moçambique, na CF2, e nunca mais ouvi falar dele até receber o telefonema a comunicar a sua morte.
Ele fez várias comissões, seguiu a carreira da Marinha e chegou a Sargento-Mor. Deu-se bem na vida, saiu da Marinha ainda novo e montou um negócio na área da restauração que foi um sucesso. Tinha uma boa vivenda, ali para os lados da Caparica e chegou a fazer outra na sua terra natal, o Mogadouro. Quando lá estava e algum filho da escola andava por aqueles lados convidava-o para sua casa e tratava-o como um rei. Este filho da escola que me telefonou a comunicar a triste ocorrência, em tempos tinha-me dito:
- Se passares no Mogadouro procura o Casimiro que ele ficará todo contente e dar-te-á de comer, do bom e do melhor!
Nunca passei no Mogadouro, depois desta conversa e, por conseguinte, nunca reencontrei o meu camarada de recruta. Agora, a única hipótese é esperar que eu vá também desta para melhor (espero que seja mesmo melhor) para nos reencontrarmos de novo.
Descansa em paz, camarada fuzo!!!

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Pobre Chico!

Quando nasceu, este blog foi destinado a tratar da história do 4º Destacamento de Fuzileiros Especiais (DFE4), a cargo do filho da minha escola Álvaro Dionísio, mas depois de publicadas as fotos que ele tinha e algumas mais dos convívios (acho que foram apenas dois) que realizaram perdeu a força e extinguiu-se.
Depois dediquei-o à Companhia de Fuzileiros Nº 8, com a ajuda do António Páscoa, mas nunca ganhou grande fulgor. Eu tinha o Blog da CF2 para tratar e ele, além de não ser grande escriba, dedicava-se mais ao Figueira Minha que era o que mais significado tinha para ele.
Como resultado, este blog foi de mal a pior e tem servido apenas para as notícias fúnebres e postais de Boas Festas.
Há alguns dias, publiquei uma foto do filho da minha escola Francisco Ribeiro (NMA - 16604) no Facebook, dando notícia que ele tinha sido internado num Lar de Idosos, em Modivas, Vila do Conde, devido ao adiantado estado da doença de Alzheimer de que vinha sofrendo há já algum tempo. E como ele também fez comissão em Angola no DFE4, achei que era boa ideia repetir aqui a notícia para aqueles que por aqui possam passar.
Eu sei que o Facebook tem um alcance muito maior que este blog, mas tudo o que lá cai acaba por desaparecer, mais tarde ou mais cedo, sem deixar rasto. Aqui terá uma vida mais longa, embora mais recatada. O nome «Escola de Fuzileiros» e o endereço «valedezebro» continuarão a aparecer no motor de pesquisa Google (e talvez noutros) e trarão alguns leitores até estas páginas para ler esta e outras notícias sobre os fuzileiros da Armada Portuguesa.
O Chico, coitado, não reconhece ninguém nem tão pouco sabe quem é !!!

domingo, 22 de dezembro de 2019

Feliz Natal !


Para todos os filhos da escola que me visitem desejo um
Feliz Natal e um Ano Novo cheio de prosperidades !!!

sábado, 10 de agosto de 2019

A terceira dimensão !

1416.64 - José Salvador da Paula

Partiu sem dizer adeus. Aveiro não é muito longe, mas nunca mais o vi desde o nosso encontro naquele restaurante de self-service na Gafanha da Encarnação, onde ele morava.
Recruta de Setembro de 1964, ele devia ter a mesma idade que eu. Foi comigo para Moçambique na CF8, em 1965, regressámos em 1968 e desde então nunca mais lhe pus os olhos em cima. Tivemos muito pouca convivência e pouco soube a seu respeito.
Soube, na altura desse convívio que eu próprio organizei, que ele tinha tido um acidente - salvo erro caiu de um andaime nas obras - e movimentava-se numa cadeira de rodas, desde então.
Muito sofreu e fez sofrer a família, durante essa fase da sua vida de incapacitado físico. Agora recebeu a guia de marcha para a terceira dimensão e já não sofre mais, pelo menos assim pensamos nós que cá ficamos.
Paz à sua alma, Deus lhe dê o descanso eterno !!!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Cabo Martins!

Na «Revista da Armada» deste mês de Julho, na coluna dos falecidos, aparece o nome de um filho da minha escola, - 8554.62 - Joaquim Rosa Martins - que assentou praça na EAM, em Vila Franca de Xira, mas acabou como fuzileiro. Concorreu, fez o Curso de Fuzileiro Especial e partiu para a sua primeira comissão no DFE11. Pouco depois de regressar à Metrópole voltou para África incorporado no DFE3 e, finalmente, quase no fim da guerra, ainda fez uma última comissão na CF9.
Concorriam a fuzileiros aqueles que tinham ideia de fazer carreira na Marinha e procuravam ser promovidos mais rapidamente, uma vez que a Classe de Fuzileiros era nova e tinha muitas vagas por preencher. Acabado o curso recebiam as divisas de Marinheiro e dois anos mais tarde as de Cabo. A seguir, frequentar o Curso de Sargentos já requeria algum saber e nem todos lá conseguiam chegar. Foi o caso deste filho da minha escola que, pelo anúncio do seu falecimento, descobri que nunca passou de Cabo.
Agora recebeu a guia de marcha para o Reino de S. Pedro, onde as divisas não têm qualquer valor e para ter direito a um bom lugar e tratamento de excepção tem que mostrar um currículo pleno de boas obras e bom comportamento em geral na sua passagem pela Terra.
Descansa em paz, camarada !!!

sábado, 20 de julho de 2019

Perdeu a guerra ...!

... contra o bicho ruim que mais vítimas causa na humanidade, o cancro. Foram muitos anos a lutar contra ele, mas acabou por perder a última batalha, no passado dia 17, e com isso a vida.


Conheci o António Páscoa na Primavera de 1965, quando ambos começámos a frequentar o Curso de 1º Grau, na Escola de Fuzileiros. Eu tinha regressado de Moçambique, depois de 30 meses de comissão e ele de Angola, onde passara cerca de um ano na CF1.
Depois do curso, alistámos-nos, voluntariamente, na CF8 que estava a ser formada e no mês de Outubro, já com as divisas de Marinheiro nos ombros, embarcamos no Niassa rumo a Lourenço Marques. Ali passámos o primeiro ano de comissão e depois rumámos ao Lago Niassa, onde decorreu mais um ano no nosso tempo de comissão nessa Unidade de Fuzileiros. Antes de embarcarmos no Vera Cruz, de regresso a Lisboa, ainda decorreram mais dois meses passados no Quartel da Machava, a casa dos Fuzileiros, em Moçambique.
Só há cerca de 8 anos retomei o contacto com ele, através dos convívios anuais da Companhia de Fuzileiros Nº 8. Desde então encontrámos-nos várias vezes e recordámos os bons tempos vividos em conjunto. Agora, isso não mais será possível, ele recebeu a guia de marcha para a última viagem, aquela de onde ninguém regressa, e eu fiquei para trás, à espera que a minha vez chegue.
Adeus, Cabo Páscoa, que Deus tenha piedade da tua alma e te reserve um bom lugar junto a ele !!!

sábado, 25 de maio de 2019

A CF8 ficou mais pobre!

Procurei em todos os cantos do meu baú e não encontrei uma foto decente do Sargento Costa para ilustrar esta comunicação do seu falecimento, esta semana (não sei o dia exacto).


Assim, decidi usar esta foto de grupo, onde ele aparece, à esquerda, por cima da cabeça do Zé Carlos (Gato) que é o primeiro, em baixo, do lado esquerdo. Os outros camaradas sargentos que aparecem nesta imagem - Patrão e Fonseca (Mano Chico) - são também já falecidos, assim como o Cabo Carlos Alberto que está ali a espreitar do lado direito. Fica no comando desta rapaziada que continua a lutar para não embarcar na última viagem, o Tenente Ribeiro que era o comandante do meu pelotão.
A foto foi tirada numa visita à fábrica de cerveja do Vale do Infulene, a 2M, e eu não apareço na foto, portanto devia estar de serviço, ou ter encontrado algo mais interessante para fazer.
Do sargento José Costa não tenho muito a dizer, nem bem nem mal. Nunca privei com ele e não me lembro de ter feito qualquer serviço, ou saída para o mato, no Niassa, com ele. Lembro-me de ele ter levado com um invólucro de munição da G3, na carreira de tiro da Machava, e ter ficado com um defeito num dos olhos.
Agora, recebeu a guia de marcha para o último destacamento da sua vida, assinada pelo punho de S. Pedro. As encrencas deste mundo ficaram para trás, que Deus lhe dê o eterno descanso.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Foi-se, sem dizer adeus!

Há cerca de duas semanas (não sei o dia exacto) o camarada Américo Pinho partiu desta vida sem aviso prévio. Rapaz bem disposto, sempre pronto para uma boa risada, ele teve uma ligação especial comigo por causa deste blog. Enviou-me uma série de fotografias da sua comissão em Angola, na Companhia de Fuzileiros Nº 1, a primeira a pisar terras de Angola, em 1962, cerca de um ano depois do início da actividade terrorista naquela província ultramarina. Fotografias que aqui foram publicadas e mereceram os comentários de alguns dos seus camaradas daquela Companhia.
Também não sei qual foi a causa da morte, pois a comunicação que a sua filha fez não falava nisso, nem isso tem grande importância, mas nunca me constou que estivesse doente. Era grumete voluntário da escola de Setembro de 1961 (não me recordo do número de matrícula, mas era pouco mais alto que o 15.555) e foi incorporado na CF1 logo que acabou o ITE.

Em Angola, durante a comissão.

Em 2017, na Escola de Fuzileiros
onde nunca mais voltará