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domingo, 30 de novembro de 2008

Armas actuais em comparação!

Para aqueles que estão ainda no activo ou para os que gostam de armas, mesmo já não fazendo parte da Briosa, aqui vos deixo este interessante clip. Só têm é que treinar no inglês!
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http://www.youtube.com/watch?v=2v3zCcvOb_E

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bom fim de semana!

Como vem aí um fim de semana prolongado e,segundo parece, com chuva, aproveito para copiar para este blog algumas fotos sobre fuzileiros que circulam aí pela net. Cada um puxa para onde mais lhe convém e eu não quero que falte nada aos alunos da nossa Escola.

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O Leiria e o Barreiro!

Carlos, levanto-me hoje vou ao computador fazer uma visita aos meus Velhos/Novos Filhos da Escola, e dou-me com o teu sempre bem-vindo email, pressentindo da tua parte, uma certa irradiação de alegria contagiosa! Falas sobre o Bré, e, questionas a razão de estar-mos juntos na foto quando eramos de Escolas diferentes. Sabes, quando vocês chegaram à Escola ja nós tinhamos passado por elas. Depois de acabar-mos o ITE, andamos uns bons meses por ali até a CFN2 ser formada, criando-nos assim a oportunidade de conviver-mos com os da vossa Escola. Sobre a peripécia do Barreiro, o que está ao centro da foto. Lá vai, mas antes, deixa-me descrever um pouco do seu ”BIO”. O Barreiro era/é (?) duma personalidade distinta: aprumado, de educação esmerada, limpo, correcto na sua postura física, moral e verbal; e de vóz tenorizada! A sua pele de tom brozeado tornava a brancura dos seus dentes mais evidenciada! Grande amigo! Criado por uma sua avó, com um aspecto matriático que geneticamente e, não só, doou tão bons predicados a este Filho da Escola. Tive o previlégio de a conhecer, aquando duma visita à sua casa no Barreiro com ele.
Peripéciando agora:
O Barreiro e eu, nadavamos relativamente bem, e em qualquer estilo. Acontece que numa daquelas aulas de natação, na doca da escola de Vale de Zebro, onde por costume colocavam cordas dum lado ao outro na doca, para aqueles que pouco ou nada nadavam se segurarem. Então o Leiria, mais este heroi da história, o Barreiro, achamos que nadar alí, era negócio de novatos. Não é que disparamos mar dentro, aquando por volta de quinhentos metros de distância começamos a ouvir um assobio, tipo árbitro, e a acenarem para regressar-mos. Ao fazê-lo, nunca pensamos que tivessemos realmente pisado o risco(!?). Encontramos lá aquele cabo, mais tarde sargento, que todos conhecem e que era muito amigo do Peniche na CFZ2... Esse mesmo... aquele que vocês estão a pensar... e nos diz, a berrar: -“Então voçês estão armados em bons, estão a ver ali, aqueles dois sacos de areira (de 50Kgs, penso), peguem neles às costas, mostrem agora que são bons, meus meninos; e vão até além, ao fim da parada e voltem, sempre a correr,e, Já”. Lá fomos só de calções de banho, pingando, descalços com os sacos às costas, correndo como se pode, tentando evitar a areia que teimava em perfurar a sola dos nossos pés! Depois do regresso, algum sangue apareceu nos meus, mas o Barreiro com pés mais mimosos tinha bastante mais... Enfim, tudo se passou e hoje, porque já não doi, não deixam de ser belas recordações...

Escreveu;
Leiria, 15683

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Marujos e Amigos

(O Leiria, o Barreiro e o Bré)
Nesta foto, acabadinha de chegar do Canadá, pode ver-se o autocarro das licenças e a guarita com a sentinela, além dos 3 marujos (de ponto em branco) prontinhos para embarcar no dito autocarro e gozar um merecido dia de licença. Não reconheço a porta de armas em que pontua a sentinela! Será no Corpo de Marinheiros?
Outra coisa pouco comum é uma fotografia em que aparecem 3 filhos de escolas diferentes. O Leiria (15683) era da escola de setembro de 1961. O Bré (16264) era filho da mesma escola que eu, ou seja março de 1962. O Barreiro, cujo número desconheço, pela divisa que já carregava no braço, teria que ser de uma escola anterior á do Leiria. E outra coisa ainda, o Leiria seguiu comigo para Moçambique em novembro de 62 e o Bré para Angola, em fevereiro de 63, o que se passou com o Barreiro não faço ideia.
Mas lá que se juntaram e registaram o momento para a posteridade é um facto indesmentível, eis aqui a prova. O Leiria prometeu enviar, um destes dias, uma historieta passada com o Barreiro para aqui ser publicada. Espero nessa altura me envie também o número de matrícula do Barreiro, para que seja tudo claro.

Fuzileiros Especiais

Mais tarde acabaram-se os especiais e passou a haver apenas «Fuzileiros». Mas naqueles tempos, ser especial significava amargar mais 4 a 5 meses de curso muito duro, o que não agradava a toda a gente. No meu caso particular, mal acabei o ITE, inscrevi-me na Companhia 2 de Fuzileiros que estava a ser formada para ir para Moçambique. Não pensem que foi heroísmo ou vontade de defender a «Mãe-Pátria», não senhor, foi apenas a vontade de jogar com a lei das probabilidades. Quem não seguisse naquela companhia ia com toda a certeza na seguinte e para a Guiné, coisa que eu não queria nada que me acontecesse. Tive a sorte de ser aceite e um mês depois estava a caminho de Moçambique. Por essa razão não recordo a maioria das caras que aparecem nesta foto. Embora sendo filhos da minha escola, a maioria não pertencia ao meu pelotão e tendo depois seguido para o curso de especiais e, terminado este, para Angola, nunca mais encontrei nenhum deles. Isto até começarem os encontros anuais, onde de vez em quando se vê aparecer um ou outro. A identificação foi-me fornecida pelo Agostinho Maduro que também é o dono da fotografia que podeis apreciar aqui e agora. Não faço ideia como é que ele fez para guardar na sua memória os nomes e números de toda a malta!
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16361-13155-13331-13221-16674-16268
16446-16118-15517-13414-16231

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Professor Ricardo Ferraz

Quem é que não conhecia o cabo Ferraz? Atrevia-me a dizer: ninguém! Todas as gerações de fuzileiros que fizeram Comissão na Guerra do Ultramar passou pelas suas mãos. O Professor Ricardo Ferraz não era só o grande mestre do Boxe dentro da Escola de Fuzileiros e, fora dela, no Sporting Clube de Portugal, era acima de tudo um homem e um pedagogo. Para os iniciados, que nunca tinham visto umas luvas de boxe - menos ainda manuseá-las (atacar e defender)- tinha uma paciência de Jó para os ensinar. Não fazia pouco nem se ria de ninguém. Bem pelo contrário, estimulava-os. Isso mereceu o respeito de todos. A luva branca na mão esquerda, que tirava e voltava a colocar num ritual muito especial, prendia a nossa atenção. Era a sua marca pessoal. Os exercícios no ginásio passavam pelos abdominais rebolando sobre uma bola pesada como chumbo ou com o corpo agarrado em barras e paralelas e pernas esticadas, flectindo repetidamente o ângulo recto; depois, treinar a rapidez dos braços e o movimentos das pernas, aprender a rodar a perna esquerda; a usar os punhos, a bater e a proteger a cara e o estômago ; batimentos nos sacos e nas bolas penduradas... ou de luvas calçadas uns com os outros:esquerda-esquerda, direita-esquerda… esquerda-direita, esquerda-esquerda...
Pois, o Professor Ricardo Ferraz faleceu há cerca de dois anos. Soube que teve um acompanhamento condigno no seu funeral por parte do Corpo de Fuzileiros e também de representantes do Sporting. Para o lembrar e levar ao conhecimento dos nossos camaradas e demais visitantes deste blog, testemunhamos o nosso apreço e homenagem ao Marinheiro e ao preparador de várias escolas e gerações fuzileiros.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Um dia em Lisboa

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Este dia em Lisboa foi agradavelmente passado na companhia do nosso filho da escola, Agostinho Maduro e Mimi, sua mulher. Estávamos a meados de Abril do corrente ano e o dia bonito, com muito Sol. Fomos até Cascais e almoçamos por lá. Estivemos nos Jerónimos e calcorreamos Lisboa como uns jovens ávidos de ver todos os seus encantos e novidades. Do Terreiro do Paço a Rua da Madalena, Igreja de S. Vicente, Sé Velha, miradouro da Santa Luzia;, do Castelo de S. Jorge até a Praça da Figueira, Rossio, Restauradores, Chiado, Largo do Carmo, do Camões ao Trindade... Foi um dia em cheio. Valeu a pena e tudo vale a pena ...

Este vídeo circulou no blog anterior a este que deixou de existir. Dado o seu interesse, procedi à sua republicação. Espero que gostem, até porque Lisboa - capital do nosso País - é na verdade muita bonita!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Encontros e Convívios. Primavera 2008

Hoje apetece-me iniciar esta mensagem com a repetição de uma citação do grande escritor português Miguel Torga de que gosto muito. Começa assim: O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.
É o sonho da vida que se renova e ao renovar-se se transforma num sonho ainda mais doce e nessa medida mais puro. Todos nós nos transfiguramos com o passar da idade; com a experiência de vida. Somos pais, tios ou avós…Umas vezes, já não temos as mesmas certezas, nem o pragmatismo de outrora; outras vezes, é o coração que parece mandar mais do que a razão, e manda sempre que uma criança sorri!
Os nossos encontros e convívios são as aventuras de sonhos contados e a promessa de novos sonhos que há-de vir!
As imagens do vídeo que se segue foram a nossa Primavera de 2008

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domingo, 23 de novembro de 2008

Passeio Lisboa-Cascais

O Passeio Lisboa-Cascais foi um percurso citadino organizado por mim, a pedido do Almada. Era o 3.º Encontro do DFE4 (5 de Abril de 2008) e o Almada, amigo pessoal do comandante e da esposa quis proporcionar uma boa estada em Lisboa, como, aliás, tem sucedido em encontros semelhantes. Infelizmente, o dia esteve chuvoso e não ajudou muito o passeio. Ainda assim, foi muito agradável. Fomos os três casais: O Comandante, o Almada e eu com as respectivas mulheres.
O passeio começou precisamente pela visita ao Palácio Nacional de Queluz que, passo a publicidade, vale a pena visitar não só por se tratar de um monumento nacional como pela sua história e beleza.
No caso do Comandante Pascoal Rodrigues e a esposa era uma visita que fazia todo o sentido histórico. Havia uma ligação da família Real Portuguesa ao Brasil. Depois, a coincidência do Fuzileiro nº 1, da época actual, residir há vários anos no Brasil e da sua esposa e filhas serem brasileiras.

O Palácio de Queluz (antiga Casa do Infantado por Alvará Régio de D. João IV de 1664) foi residência oficial da Família Real em 1794 e D. Pedro IV nasceu nele em 12-10-1798.
Em 1807 a Família Real parte para o Brasil, escoltada pelos fuzileiros portugueses. D. Pedro vem a ser o primeiro Imperador do Brasil e só por razões históricas muito fortes retornou a Portugal, vindo a falecer no mesmo quarto onde nascera em 1834.
Aqui fica o vídeo com algumas imagens desse acontecimento.
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sábado, 22 de novembro de 2008

Aonde param estes filhos da escola?

As fotos que se mencionam são respeitante a camaradas do DFE-4 que foram em comissão para Angola no período de 1963-65 e cujos contactos se perderam, ou melhor, não se conseguiram obter. Gostaria de saber notícias destes amigos. Se alguém souber agradeço que diga.
António D Rodrigues (13 040)


João Fernandes - 14 808 (Granja)


Manuel A. Pires 15 877


António José Pereira 16 272 ( O Protestante)

Acácio C.J. Lages (16560 )

José A.J. Moreira 16610













quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Um homem só não vale nada!

Há umas semanas atrás vi e ouvi uma entrevista na televisão que me despertou bastante interesse. O entrevistado era Urbano Tavares Rodrigues, Professor Universitário (jubilado pela Faculade de Letras de Lisboa) ficcionista, romancista, crítico literário. Tratava-se na verdade de uma personalidade fascinante pela sua vasta cultura e ligação ao social e ao político. Passa dos oitenta de idade e o património da sua biblioteca pessoal é imenso: dela fazem parte suas próprias obras e as obras de outros autores estrangeiros, incluindo nelas várias correntes literárias e filosóficas do pensamento. Na sua preocupação com o social, lembra o filósofo existencialista Jean Paul Sarte para dizer que um homem só é uma abstracção. O homem assume verdadeiro valor quando se relaciona com o colectivo, com os outros... Creio que foi mais ao menos esta a ideia. Não poderia estar mais de acordo. Se eu não tiver com quem partilhar os meus sucessos e também fracassos; as minhas alegrias ou tristezas, os meus pontos de vista e os meus gostos; as minhas dúvidas e incertezas, ou ficar privado da companhia dos meus amigos e família, de pouco ou nada valerá a minha existência!


Os almoços com os meus amigos são uma necessidade de relacionamento e de convívio - do prazer estarmos juntos. As fotografias aqui publicadas registam esses momentos.
Na 1ª foto: O Alves agarrado ao cardápio perante o aparente desinteresse das mulheres!..
Na 2ª . eu, Vitorino Santos e Almada; à direita Alves ;
Na 3.ª: Vitorino, Álvaro e à direita Alves e Agostinho Madura. Ao fundo, as respectivas consortes!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Almoço do 1º Encontro do DFE4 de 2005

Antes da minha ideia de organização de um Encontro do DFE4, na pousada do INATEL, já havia anteriormente uma proposta muito mais audaciosa: o Sampaio e o Bré sugeriram uma viagem a Angola: Luanda e Santo António do Zaire. O Agostinho, o Pardal e também eu alinhávamos! Acho que devia ser bárbaro, para usar uma linguagem moderna … O maior problema colocar-se-ia ao nível político e diplomático com visto de autorização e ainda a garantia de protecção e segurança da estadia lá! A concretizar-se, imagino o alvoroço e as expectativas que esta suposta viagem ia criar! Creio que acabaríamos por não encontrar nada semelhante à época em que lá estivemos, a não ser as referências geográficas. Mesmo Santo António do Zaire, agora a cidade de Soyo e Província do Zaire, há-de de estar bastante diferente. A extracção do petróleo é uma das grandes riquezas daquela cidade e o seu motor de arranque no desenvolvimento económico. A sua conta veio investimento de empresas no sector urbanístico e de construção de hotéis bem como a aposta no turismo. As ofertas geradas pelo capital do petróleo e os bons salários dos operários terão contribuído para o crescimento da população muito a custa da imigração fluvial para o Soyo. Com ela veio também a prostituição e sida… Enfim, não há bela sem senão! Mesmo assim ainda gostaria de visitar esses locais em Angola.
A realidade agora é outra: trata-se do regresso a Lisboa e a Vale de Zebro, 40 anos depois ( 1965-2005). Agora, a continuação das fotos do nosso almoço:












Piriquito, Manuel Martins, Mourato, António Soares Carlos,
Álvaro Dionísio, Agostinho Maduro, José Ricardo e Bré;
em baixo: Sampaio, Vitorino Santos e Pardal.
















































































































Almoço do 1º Encontro do DFE4 de 2005

Hoje vou expor algumas imagens relativas ao almoço do 1º Encontro do DFE4. Sem dúvida o mais concorrido de todos; não só por ter sido o primeiro e ter contado com a presença dos seus oficiais mas porque, depois dele, a idade, que agora progride geometricamente, acarreta aqui e acolá os seus achaques. Isto para dizer que nos dois encontros seguintes houve algumas reduções. Ainda queria eu - com as minhas utopias - que organizássemos um encontro de três ou quatro dias numa pousada do INATEL! … Teríamos mais tempo para conversarmos e estarmos juntos, ver-nos-íamos às horas das refeições, e depois nas salas de convívios ou no Bar, ou ainda fora das instalações, nos espaços reservados para caminhar ou passear. A família, sobretudo as mulheres, também viriam connosco se quisessem. Seria uma espécie de mini-férias em regime, democraticamente convivendo, semi-militar ou civil.
A entrada para o Restaurante ( Acordeon, Fonte do Feto, Santo António-Barreiro);

A entrada do Restaurante – José Trigo e Galvão (controlo…);
Panorâmica geral do interior


Da direita para a esquerda José Trigo, José Luís e Armando Matias
Nova perspectiva

Almirante Leiria Pinto, Almada e Frei Paiva Boléo
A frente, Agostinho e Mourato e atrás Álvaro Dionísio, Romão, José Ricardo e Galvão.
Piriquito, Manuel Martins, Mourato, António Soares Carlos, Álvaro Dionísio, Agostinho Maduro, José Ricardo e Bré; em baixo: Sampaio, Vitorino Santos e Pardal.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Frei Paiva Boléo. Outros combates!


O 2º tenente Paiva Boléo foi Imediato do 4º Destacamento em Angola (1963-65), e quando o Comandante Pascoal Rodrigues regressou a Lisboa, substituiu-o no Comando. Quer numa quer noutra das situações foi sempre igual a si próprio. Irrequieto no sentido de que nunca dava descanso ao pessoal. As operações pelo mato adentro, à procura do inimigo, eram uma constante. Muito capim se desembaraçou com os braços, se desbravou com o corpo e se pisou com os pés até se alcançar os objectivos assinalados nos mapas pelas coordenadas previamente traçadas. Geralmente, o inimigo já lá não morava; nunca morou ou já se tinha ido embora; ou as informações não eram fidedignas. Qualquer que tenham sido os motivos que nos levava por esse capim fora, e pelas picadas infindáveis, a verdade é que nós, no DFE4, nunca fomos atacados no Norte de Angola. Provavelmente porque não nos acomodávamos às situações ou porque assim aconteceu.



Do ponto de vista disciplinar, o pessoal mantinha o seu nível: cumpria todas as ordens que militar e hierarquicamente lhes eram exigidas e respeitavam o seu Imediato.
Também ele era disciplinado e uma pessoa correcta, como se costuma dizer, tinha bom íntimo. Acho até que o tenente Paiva Boléo era generoso.
Tinha lá as suas coisas…era um tanto picuinhas, miudinho… Aliás, o apelido de guerra de «O Gafanhoto», primeiro e de «Picadas» depois, é ou era um pouco reflexo da sua meneira de ser! Creio que não era só o Guilhermino que pertencia a FNAC – Frente dos Apanhados pelo Clima. Creio que todos nós contribuimos com uma quota. Assim já deve ficar mais bem composto e talvez o Frei Paiva Boléo não me mande penitenciar…
Depois do regresso de Angola, a maioria do pessoal só voltou a encontrar-se 40 anos depois: 5 de Março de 2005. Neste 1º Encontro foi prestada Cerimónia Religiosa pelo Frei Paiva Boléo, coadjuvado pelo Capelão Licínio do Corpo de Fuzileiros.
Foi uma cerimónia inédita em que não faltaram alguns instrumentos usados na guerra como a G-3 e a granada, expostas numa mesinha ao lado, para mostrar e explicar depois a alguns dos presentes. Assim, foi referido que A G-3 e a granada eram as nossas companheiras de guerra e a levávamos para todo o lado; até dormíamos com elas (só não se fazia amor…).
A este propósito, um filho do nosso camarada Fernando Bento de Sousa (16399, no blog 4DFE-fuzileiros descreve, de uma forma elucidativa, as impressões e a intervenção do frei Boléo:


Conheci esse homem, no dia em que acompanhei o "16399" a Vale de Zebro. À primeira vista mais um "Fuzo" com uma barriga e barba. Então foi-me apresentado como tendo sido o Imediato do DFE4, e agora era Sacerdote missionário na Bélgica. Pareceu-me de imediato que todos aqueles Ex. Fuzos o admiravam. Findas as Honras Militares, lá fomos nós para a Missa.Será que foi uma missa, ou um reviver do passado, de todos aqueles homens? Reviver, pois lá estavam a G-3, a "Amante" e a Granada.Nunca imaginaria, se visse aquele homem, aquele Sacerdote num qualquer altar, sem o conhecer, ver a sua destreza em lidar com a G-3. Quem diria que ele foi Oficial FZE!As histórias, por ele contadas comoveram a assistencia, pois lá encontravam-se as esposas destes homens.
Ouvir o Imediato, contar a visita do Alm. Américo Tomáz, e as medidas por ele tomadas, ao impedir que as nativas, não fossem saqueadas, para não colocar mais pólvora na fogueira....



Mas o que mais me impressionou, foi ele contar, que um Fuzo Negro, que estava destacado num posto avançado, no desespero da sua solidão, um dia deu um tiro em si próprio, na cara. Trazido no "Zebro" para Stº António do Zaire, o médico que o recebeu, não o queria tratar.Não me custou imaginar que aquele Oficial FZE, ao ver a situação de recusa por parte do médico, em tratar aquele Soldado, tenha puxado da Walter, e tenha dado a escolher ao médico, entre tratar o paciente, ou levar um tiro na cabeça. Acredito que ele o tivesse feito.
Frei Paiva Boléo, penso que seja um grande HOMEM.
Gostei de o conhecer!
Nós que estávamos ali não éramos a brigada do reumático, nem temos nada a ver com isso, muito embora já se tenha algum reumático…


Em nome do pai…
A nossa presença ali na missa - lembrou Frei Paiva Boléo - era em nome de alguém, da família ou até de um País... No nosso caso era em nome do pai (…do filho e do espírito santo. Ámen)
Era a primeira vez, desde há quarenta, que estava agora aqui connosco a celebrar a eucaristia. Agora noutras circunstâncias!
Hoje com outras armas e outros combates. Seguidamente, revela-nos uma inconfidência de há vários anos. Por que razão tinha ido para Padre! - Porque passara centenas de horas nos postos do Zaire e Cabinda a observar que a maioria de nós jovens, sendo crentes tinha uma ideia tão triste de Deus; tão pouco crente.Que era mais própria de ateus do que de cristãos. Também, quando andou a percorrer o País foi essa a ideia com que ficou dos crentes.


Independentemente das razões - por opção e ou vocação - essa foi a sua vontade livre e consciente. Não tenho porém dúvidas que o então 2º tenente Paiva Boléo (à data com vinte e quatro anos) se quisesse continuar a actividade militar, faria uma carreira brilhante na Marinha e nos Fuzileiros.


Santo António do Zaire, aguardar chegada do Presidente da da República,
Alm. Américo Thomaz, Outubro de 1963.












Para mim, foi mais uma referência humana que guardo com estima.
Um grande abraço para si,
Frei Boléo.

domingo, 16 de novembro de 2008

Amizade. Filhos da Escola.


Os amigos são para a vida. Quero acreditar assim.
O João Sequeira Garcia (16 298), revelou-se ser um deles desde o tempo da recruta e do I.T.E. na Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro. Tínhamos as camaratas próximas, na Caserna de todos nós. Naturalmente, conversávamos os assuntos relacionados com a idade e a nossa condição de voluntários na Armada e nos Fuzileiros. Tínhamos sido incorporados em Março de 1962, e atendendo as nossas idades (entre os 16 e 18 anos) tínhamos o estatuto de alunos. Os mais velhos - três ou quatro anos - não tinham o estatuto de alunos mas eram igualmente voluntários. Aliás, era lema na Marinha que: para a Marinha só iam voluntários. Lembram-se disso? Uns e outros, desde que pertencentes à mesma incorporação, designam-se por filhos da escola.
O nosso vencimento como 2º grumete era de 60$00 por mês. Foi numa altura dessas – recruta ou I.T.E. – que o meu relógio de pulso se avariou: uma corda partida ou coisa parecida. Era o meu primeiro relógio, comprado por mim antes de me alistar, custara-me 250$00. Era de origem Suíça, tinha a marca cauny prima, com 17 rubis, dourado e de calendário: a grande novidade à época. Sei que falei neste assunto ao Garcia, com a intenção de procurar alguém para me reparar o relógio. Lembro-me que, depois de indagar, ficar a saber que o seu arranjo (orçamento) importaria em 20$00; que sendo assim aguardaria pelo fim do mês. O João Sequeira disse-me logo: eu tenho dinheiro, pá! Manda já arranjar o relógio e depois pagas-me quando puderes! Assim aconteceu: o relógio foi de imediato arranjado e no fim mês paguei logo a dívida, como era meu dever. Lembro-me que no mês seguinte tive que me governar com 40 paus mas lá me aguentei. Agora o importante, o importante mesmo para mim, foi a atitude espontânea deste nosso filho da escola.

Eu segui para Angola no DFE4 e o Garcia no DFE5, em de 1963 e não nos voltamos a encontrar tão cedo...
Anos mais tarde, talvez em meados de 1993, ia a passar na baixa em Lisboa, para apanhar qualquer transporte, com a minha mulher, e ouço atrás de mim uma buzina de táxi que parou depois à minha beira e perguntou-me: Ouça, você não foi fuzileiro… Olha lá, tu não eras o número 16291? Também o reconheci logo, apesar das barbas. O Garcia era industrial de Táxi (trabalhava por conta própria), morava em Sacavém e ainda me deixou um cartão com o contacto dele quando o percurso terminou. Não marcou a quilometragem nem quis aceitar cobrança. Não o procurei e devia fazê-lo. Eu,naquele momento andava muito "por baixo". A minha mulher tinha um cancro, fora operada e estava a passar muito mal com os tratamentos. Em Fevereiro do ano de 1994 faleceu. De qualquer modo, nunca esqueci os amigos. Mesmo que não eu apareça, eles estão sempre comigo.
Como terá escrito Jean de La fontaine: A amizade é como a sombra na tarde - cresce até com o ocaso da vida.
Obrigado, João Garcia!
Um grande abraço

Carga máxima!

Mais um pouco e o pobre do jipe levantava as rodas da frente do chão! Foto tirada em Moçambique, na Estação Radionaval da Machava, durante o transporte do pessoal que ia render a guarda. Ao volante o decano dos nossos condutores, Zé Manel Matos. Como Cabo da Guarda, se consigo ver bem, é o cabo Rodrigues. Entre os restantes reconheço o Rafael que foi, aliás, quem me remeteu esta fotografia. Tenho a certeza que, fazendo uso da vossa vista apurada, reconhecerão todos os outros também.


Aspirantes a Fuzileiros

Ainda mal sabiam marchar e já aspiravam a usar a boina dos fuzileiros especiais. Embora não tenha a certeza acho que não me engano, se vos disser que esta foto foi tirada na Escola, em Vale de Zebro, durante o período que antecedeu a saída da CF2, para Moçambique. O camarada que podeis ver à direita, apresentou-se como voluntário, no 1º dia de inspecções, da 1ª incorporação de fuzileiros, em setembro de 1961 e foi meu camarada de comissão na CF2, de 1962 a 1965. Não tenho conhecimento que tenha frequentado o curso de fuzileiros especiais. A CF2 era composta, segundo as regras daquele tempo, só por fuzileiros navais. Todos os fuzileiros especiais eram destinados aos destacamentos. Mais tarde foi eliminada a categoria de «especial» e passaram a ser todos apenas «fuzileiros», sendo incorporados em destacamentos ou companhias indiferenciadamente. E passaram a usar todos a famosa boina de fuzileiro que tanta polémica tem causado, na actualidade, entre oficiais que a querem usar também, sem nunca terem pisado a nossa Escola.
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Norte de Angola

A foto, que podem ver abaixo, foi tirada em Angola durante a comissão do DFE4 e enviada recentemente do Canadá, pelo Agostinho Maduro, onde agora reside. Todos os que aparecem na foto são membros desse destacamento que foi o primeiro a incorporar filhos da minha escola (16223 a 17012). Fizemos a recruta e o ITE juntos, mas tenho muita dificuldade em recordar as suas caras. É um facto que nos relacionávamos mais com os camaradas do mesmo pelotão ou com os vizinhos de tarimba, na caserna. Até o Agostinho Maduro (16231) com aquela carecada tenho dificuldade em reconhecer.
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Em cima - 16231*16630*16108*16306*16343
Em baixo - 14824*13040*16560

sábado, 15 de novembro de 2008

O seu a seu dono: David Sousa

Nas histórias do Mix incluí uma que não lhe é imputável. Não era verdadeira.
Tinha contado que o Mix nunca lavara uma camisa. Quando tinha a dele suja ia ao estendal, tirava uma camisa lavada, e deixava lá a sua… isto ter-se-á passado com o Sargento Chamusca, em Sazaire, que lhe chama a atenção para a camisa que trazia vestida, naturalmente, suja. Não teve problemas. Deixou a dele no estendal e vestiu uma camisa lavada que até era do sargento Chamusca.
Não, esta história passou-se com o nosso filho da escola, David G. de Sousa, 16674, já falecido. Na verdade, o Sargento Chamusca reparou que ele tinha uma camisa rota e mandou mudar de camisa. O David, que pelos vistos era um indivíduo desenrascado, não foi de modas: dirigiu-se ao estendal e em vez de uma, trouxe duas camisas que, por acaso, até eram do Sargento Chamusca.

Ao Ramiro Enxuto ( Mix), peço desculpa por este lapso.Também, já se passou tanto tempo...

Histórias. O Mix

O Mix- O Ramiro Diniz Enxuto (16 516) é natural Concelho de Torres Vedras. Em Março de 1962 alistou-se como voluntário na Marinha tendo sido transferido, logo após a entrega do fardamento, para Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, como a maioria dos filhos da escola. Depois da recruta e do curso de fuzileiros, integrou o Destacamento de Fuzileiros nº 4 que seguiu para Angola, em Fevereiro de 1963.
A razão por que o Ramiro Enxuto passou a ser conhecido por MIX, é do conhecimento de todos os camaradas do DFE-4º., por ser muito guloso. Quando íamos para o mato alimentávamos da famosa ração de combate, composta por latas de conservas, bolachas rijas como cor… e umas bisnagas com doce para remate final: era a sobremesa! Lembro-me que uma dessas bisnagas tinha o nome de trimix - espécie de leite condensado - que o Ramiro devorava sempre sem nunca se enjoar: comia a dele e a dos companheiros. Daí a alcunha de mix.




Ao que consta, o seu pai era Sargento na Guarda Nacional Republicana. Crê-se que um homem militarmente disciplinado.
Certa ocasião, o Ramiro que estava de férias na sua terra, lembrou-se também de convidar o filho da Escola Manuel Joaquim Martins (16 509) para lá ir passar uns dias com ele. O Martins aceitou. Durante aquela estada, o Ramiro Enxuto pensou em visitar o pai ao Quartel com o amigo convidado. Lá foram os dois, o pai recebeu-os bem, fez as honras da Unidade, mostrou o local da parada, os alojamentos, Refeitório, etc. Passado algum tempo, a visita chega ao fim e despedem-se. Agora, há que regressar a casa, mas como, a pé? Esta ideia não agradava nada ao Mix. Só que ele, logo que o pai virou costas, viu uma bicicleta largada na parada, junto ao Portão de Armas! não pensou duas vezes: agarrou na bicicleta e vieram os dois montados nela até casa…
Esta história foi contada pelo Martins, 40 anos mais tarde que me disse: Hé, pá... o pai do Mix não gostou mesmo nada dele ter feito aquilo. Pudera!
Histórias passadas com o Mix, em Angola, não faltam. No DFE4, o Ramiro Dinis e o Carlos Ferreira/Almada integravam a esquadra do João Filipe Reis e esta fazia parte da Secção Charles, chefiada por José Trigo. Não se poderá dizer que o Mix fosse um indivíduo disciplinado…



Gostava de andar pelas sanzalas, de se divertir e de beber até mais não… A ele também se lhe aplicava o Princípio de Arquimedes com as adaptações, evidamente introduzidas pelo moço de Quelfes: Todo álcool (líquido) mergulhado num corpo…
Lembro-me de um dia de manhã, em Santo António do Zaire, o Mix andar nu pela parada com o corpo marcado pelas molas da cama onde passara parte da noite. Tinha bebido uma garrafa de vodka sozinho e até lhe deu para arrancar a casca das árvores com os dentes e o pessoal teve que o levar as costas para a caserna. Entrou depois em estado de coma e foi o nosso camarada Bré, que prestava serviço de enfermagem, por gosto e vocação, na Botica do Hospital que o safou. Veio para Lisboa mais cedo por isso.

O Mix era de facto diferente da maioria.
Lembra o Agostinho Maduro que o Mix nunca lavou uma camisa. Quando a dele se sujava ia ao estendal, tirava uma camisa lavada, e deixava lá a sua… Uma ocasião, o Sargento Chamusca, em Sazaire, chama-lhe a atenção para a camisa que trazia vestida, naturalmente, suja. Não teve problemas. Deixou a dele no estendal e vestiu a camisa lavada que lá estava, que por acaso até era a do sargento Chamusca!
A arma, G-3 que trazia consigo também já não era a de origem. Tinha-a perdido, creio que caído ao rio, e não sei se foi só uma vez...

Certo dia, estávamos todos formados para irmos fazer exercícios ou ir treinar o tiro, nas imediações de Santo António do Zaire, mas faltava um dos elementos: era o Mix. Esperamos por ele algum tempo mas ele não apareceu; fomos à sua procura e também não o encontramos. Aguardamos ainda um pouco mais, em vão… Partimos. Quando chegamos mais ou menos a meio do percurso eis que damos de caras com o Mix à beira do caminho com três jovens raparigas africanas e uma varinha na mão. Ao ver-nos, apontou com a varinha para elas e disse: Que tal, gostam?
Noutra ocasião, deu para lavar o cabelo com água oxigenada. Suponho que era para aloirar cabelo. Não sei bem. O facto é que o Zé Trigo, Chefe da Secção dele, era quem fazia as requisições deste produto para o Posto e se interrogou com os gastos exagerados de água oxigenada, até que descobriu: era o Mix que a usava para lavar o cabelo!








Os anos - e foram muitos - correram e só há pouco tempo voltei a ver o Ramiro Dinis Enxuto (o Mix). As Primeiras notícias e contacto foram estabelecidos entre ele e o Almada, por causa do envio do meu livro Memorando e o 3.º Encontro do DFE4.


Depois, no próprio dia do Encontro, ou seja no dia 5 de Abril de 2008, quando conversei com ele. Fiquei a saber que depois do nosso regresso de Angola, em 1965, o Mix ficou na Escola de Vale de Zebro como instrutor! Fiquei surpreendido e perguntei-lhe a que se devia essa proeza; se não fizera mais comissões nos Destacamentos, em África. Respondeu-me com toda a naturalidade que não. Que não o queriam lá… e assim se tornara instrutor.
Curiosamente, esteve em Angola - como civil - e o Almada também, mas nunca se encontrarem. Segundo o próprio Mix, depois da Independência de Angola, foi recrutado pelo MPLA. Não entrou em pormenores mas esteve para ser fuzilado, num pelotão de fuzilamento, com uma bala na câmara apontada para ele! – Contou este facto, na maior descontracção. Se bem o conheço, nem terá manifestado qualquer medo. Uma pouco naquela: que se lixe…
Todos nós gostamos de ver o Mix, que hoje mora na Figueira da Foz: É operador na Câmara Municipal e tem uma filha com nove anos e outra casada. A sua história de vida daria, estou certo, um bom romance. Quem sabe, um dia…