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domingo, 29 de agosto de 2010

Do outro lado do Mundo!

O Valdemar aguardava com ansiedade a chegada do «Navio Escola Sagres» que planeava visitar. Pois já aconteceu e o filho da escola não deixou escapar a oportunidade. E do evento fez várias fotografias que me enviou e que eu vou publicar aqui para todos poderem ver.

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sábado, 28 de agosto de 2010

Os vizinhos americanos!

Embalado pela brincadeira que fiz com a imagem anterior e ainda de Google Earth aberto, lembrei-me de medir a distância a que fica a terra onde vive o Pepe, daquela onde vive o Leiria e o Maduro. Como a região de Boston e a de Toronto estão quase à mesma latitude norte, não podia ser muito longe.
E depois aproveitei para gravar mais uma imagem e continuar com a brincadeira. Isto para ter alguma coisa para vos oferecer, dentro daquilo que são os nossos interesses comuns.

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Na Casa da Irene!

Na casa de Irene
Se canta se ride
Ha gente que viene
Ha gente que va!
Era mais ou menos assim que rezava a letra da canção de Pepino di Capri, muito em voga nos tempos em que eu vivi em Lourenço Marques. E nós que gostávamos de parodiar tudo e mais alguma coisa, acompanhávamos a música alterando a letra à nossa maneira:
Na casa de Irene
Se canta e se ri
E se bebe catembe
como eu nunca vi!
Claro que isto não tem absolutamente nada a ver com aquilo que ia escrever, mas veio-me à memória quando ia a escrever, como título desta mensagem, «A Casa do Pepe».
Hoje falei com o Margato, acabado de regressar dos Açores, onde se encontrou com o Pepe, mais ou menos por milagre. Isto porque o Pepe tinha lá ido esta semana, coisa que já não fazia há cerca de trinta anos, quando a sua mãe faleceu.
Quando o Margato me deu o endereço do Pepe, abri o Google Earth e fui verificar se o endereço estava correcto. E depois de ver o que queria, gravei uma imagem para vos mostrar aqui. Vê-se tudo tão claramente que até a cor das cuecas do nosso camarada se poderia descobrir se ele fosse a sair de casa quando fizeram a gravação.

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Alguns contrastes de legalidade e licitude!

Nem sempre existe correspondência entre a legalidade e a licitude moral do comportamento humano. Este desajustamento vai-se intensificando progressivamente com a aprovação e a promulgação de diplomas legislativos diametralmente opostos aos princípios morais e éticos pelos quais se rege ainda a maioria dos portugueses. E, paradoxalmente, é em nome da liberdade, da igualdade e do progresso civilizacional que se têm tentado justificar esses graves dislates que atravessam o coração das pessoas e esbarram nesta sociedade de poucos valores.
Apesar de alguns apoiarem e saudarem a recente promulgação da lei referente ao chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo, considerando-a como um importante marco histórico, a verdade, porém, é que ela vai certamente contribuir para um perigoso retrocesso na estrutura social. Tratando-se de um problema fracturante, como já foi reconhecido, a referida promulgação, em vez de potenciar unidade e de fomentar a coesão, vem antes contribuir para aumentar tensões e acentuar clivagens.
No pensamento confuso e turbulento de muitos, há flagrantes contradições. Como é sabido, desde há muito tempo que se vem contestando a estrutura familiar, que tem a sua raiz fecunda no casamento celebrado entre duas pessoas de sexo diferente, argumentando os seus opositores de que ele, mais não é do que o cumprimento de meras formalidades inimigas da celeridade e da simplicidade desejadas. Por isso, muitos têm infelizmente optado pela conhecida união de facto, já consagrada legalmente entre nós, a qual nos confere a possibilidade, quando isso lhes convier, de se descartarem facilmente da sua situação.
Pelo contrário, essas pessoas que são portadoras de orientação sexual diferente, como agora se diz, reivindicam o direito de serem equiparadas àquelas que têm o seu casamento reconhecido pela autoridade civil. Também os impulsionadores da elaboração de tal lei se orgulham pelo êxito final, por terem assim contribuído para a felicidade das pessoas, esquecendo-se de que nem tudo o que apetece ou dá prazer é susceptível de cobertura jurídica e nem sempre comporta essa felicidade que muito se apregoa, que mesmo entre casamentos naturais, quantas vezes se evapora. Duvido, pois, que tais casamentos, venham a tornar-se num autêntico mar de rosas. Todavia, me parece haver aqui férrea vontade de encobrir, politicamente alguém que, de certo modo goste de saborear os cortejandos de homossexualidade, ficando assim, isentados da censura imoral de tais actos que a maioria da sociedade repugna e detesta em grande escala.
Na senda do “avanço ético”, outros interesses se começarão já a perfilar no horizonte dos chamados progressistas, designadamente a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo e a tão propalada eutanásia como processo, segundo erroneamente afirmam, de conferir dignidade ao termo da existência.
Tudo isto é um chocante retrocesso e uma afronta inqualificável para a estrutura moral e ética da família, que irá ter, sem dúvida, consequências muito nefastas para as gerações mais jovens.
Por isso e sem prejuízo do respeito que todos nos merecem, os cristãos, particularmente e mesmo muitos que professam outras ou nenhumas religiões, jamais poderão abdicar do seu honrado património valorativo, ficando indiferentes, numa atitude de criminosa passividade, perante os desafios que têm pela frente, nestes tempos em que forças tenebrosas tentam cobrir de poeira a sua esperança numa sociedade melhor e com valores verdadeiramente sãos.
Da podridão nada se aproveita! A não ser a de João Moutinho que nada tem de podre, mas de perfeita sanidade!
A.T.Verde

Em ponto morto!

Tenho enviado alguns mails e feito alguns telefonemas para as Juntas de Freguesia das terras de onde presumo serem originários alguns dos camaradas da CF8 que ainda não encontrei. Infelizmente os resultados são praticamente nulos. Com excepção da Junta de Freguesia de Vila Verde de Ficalho que foi de grande ajuda para entrar em contacto com a viúva e filhas do Eduardo Morgado e da de Vila Franca do Campo, na Ilha de S.Miguel, dizendo que não conheciam nem tinham quaisquer notícias do Pepe, tudo o resto foi estéril. Como sementes lançadas nas areias de um deserto.
Felizmente o Pepe acabou por ser encontrado, num tremendo golpe de sorte, pelo Margato que teve que se deslocar aos Açores esta semana. Essa foi a parte boa, de que ainda não tomei conhecimento na íntegra, pois o Margato ainda não regressou a casa para fazer o devido relatório.
Tudo o resto está, mais ou menos, em ponto morto. Já não sei a quê, nem a quem, recorrer para dar continuidade ás minhas pesquisas.
Estou também um tanto ou quanto desiludido, pois vejo os dias passar e, excepção feita ao Dr. Noivo e Sargento Santos, ninguém respondeu ainda aos cerca de 80 convites que enviei pelo correio. Dentro de 15 dias tenho que tomar uma atitude, em relação à marcação no restaurante, e sinto-me pouco seguro quanto àquilo que devo fazer.

A pensar nos canalhas que há em Portugal


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São histórias assim que nos dão ânimo para viver! Um incrível exemplo de vida!
Quase no final da prática dominical o sacerdote perguntou aos fiéis, na igreja:

"Quantos de vocês conseguiram perdoar seus inimigos?"
A maioria levantou a mão.
O sacerdote repetiu a mesma pergunta e então todos levantaram a mão menos uma pequena e frágil velhinha.
"Senhora Maria? A senhora não está disposta a perdoar os seus inimigos?"
"Eu não tenho inimigos!" respondeu ela, docemente.
"Senhora Maria, isto é muito raro!" Disse o sacerdote, e perguntou:
"Quantos anos tem a senhora?"
E ela respondeu: "98 Anos!"
O público presente na igreja se levantou e aplaudiu a idosa, entusiasticamente.
"Doce senhora Maria, conte-nos como se vive 98 anos e não se tem inimigos?"
A doce e angelical velhinha dirige-se ao altar e diz em tom solene, olhando para o público emocionado:
"Já morreram todos, aqueles filhos da puta!"

Não é lindo?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Os Pesadelos!"

Com efeito, os pesadelos
Sonhos de quimera ilusão
Com esta cáfila de camelos
Continuamos no mundo cão

Hipóteses, serão sempre poucas
De arrepiar novo caminho
Ficam as gargantas roucas
De tanto gritar o Zé Povinho

Já pouco ou nada nos convence
Que haja um bom prenúncio
Porque chupam o que nos pertence
Desde os ossos até ao caruncho

São estes nossos "régios" heróis
Da voraz mandíbula canibal
Que lançam fateixas e anzóis
Sobre os pobres de Portugal!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Homem da Penicilina!

Haverá algum marinheiro que tenha passado pelo Ultramar português sem necessitar de umas quantas ampolas de penicilina injectada nos seus glúteos? Pode ser que sim, mas duvido que sejam muitos. Humildemente confesso que me não posso incluir nesse número. Comecei com umas inocentes ampolazitas de 1.200.000 U, passei depois para as de 3.000.0000 U e não me fiquei por aí. Perguntem ao Dr. Noivo, quando nos reencontrarmos em Pombal, no próximo dia 2 de Outubro, se ainda se lembra de me ter recambiado para Nampula, ao cuidado dos serviços de Urologia do Hospital Central daquela cidade.


Mas quem sabia (e deve saber ainda, quero crer) destas coisas e com todos os pormenores, a respeito de todos os 140 homens da Companhia Nº 8 de Fuzileiros, é o Sr. João Francisco Gavinho Santos que era rei e senhor da Botica, na nossa Unidade.
Como já tive oportunidade de escrever numa mensagem anterior, recebi as fotografias que ele fez o favor de me enviar por e.mail e aqui fica o arranjo que fiz com elas para todos poderem ver os estragos que o tempo lhe infligiu. A ele e a todos nós também que não estamos a salvo da erosão provocada pela passagem dos anos.
Aproveito para lembrar que podem ver esta e muitas outras fotografias clicando (na barra lateral à direita) em «Carlos e os Fuzileiros».

Assegurar os tempos da velhice (Passagem de um testemunho)

Tinha apenas alguns meses de vida quando faleceu a sua mãe. Com a permissão do pai, nos primeiros anos esteve ao cuidado de uma tia que lhe dispensou as maiores atenções, como se tratasse de um príncipe. Com cinco anos, voltou para a casa paterna. A tia adoecera gravemente, acabando por falecer. Para ele, a mãe que conhecera era aquela tia. Chorava frequentemente por ela. O pai era completamente estranho para ele e foi difícil a adaptação.
Na escola conheceu vários rapazes de quem se tornou amigo e companheiro de grandes aventuras. Andava na quarta classe, assim se designava o actual quarto ano do primeiro ciclo, quando o pai faleceu, vítima de tuberculose.
Passou a viver com um dos irmãos mais velhos, seu padrinho de baptismo. Foi para ele o verdadeiro pai. Cuidou dele e foi-lhe ensinando a sua profissão de electricista e aos dezassete anos já era um bom profissional. O irmão, para além da profissão, começou a ensinar-lhe a tocar guitarra. Rapidamente aprendia a tocar as cantigas tradicionais e as canções que ouvia na rádio e que estavam mais na moda. Por causa da guitarra tornou-se muito popular e presença assídua nos bailaricos da terra.
Um dia, descobriu à janela duma das casas mais importantes da terra uma jovem mulher, muito bonita. Em frente desta casa, ficava o jardinzito público. A partir daí, à noite, sentava-se num dos carcomidos bancos do jardim, voltado para a janela onde vira a jovem, e tocava e cantava canções de amor. Meses mais tarde, conheceram-se pessoalmente e casaram-se algum tempo depois. Foram felizes e tiveram três filhos.
Esta a parte da vida deste homem. Conheci-o recentemente num lar. Tem quase oitenta anos. Muito lúcido, confessou que preparou a sua velhice, sobretudo a partir da morte da esposa. Educou os filhos o melhor que pôde, dando a cada um o curso superior por eles escolhido, não regateando esforços e sacrifícios. Mas, sentindo-se amado pelos filhos, sempre pensou que seria melhor não contar muito com eles quando fosse velho. 
Trabalhou até aos setenta e cinco anos. Vendo que nenhum dos filhos estava interessado na empresa que tinha, passou-a para os empregados. Aos filhos deu metade dos bens, correspondente à herança da mãe. Depois começou a procurar um lar onde, após algumas tentativas, logrou encontrar aquilo que desejava.
Confessou-me uma coisa que dá que pensar: não quis ouvir dos filhos que não podiam cuidar dele. Também não os consultou. Alguns dias antes de ir viver para o lar, convidou os filhos para um almoço e deu-lhes conta da sua decisão. Ficaram todos calados. Um dos netos, ainda adolescente, reagiu:
- Avô, porque vai viver num lar? Não trabalhou incansavelmente com a avó para criar os filhos, dando tudo para que nada lhes faltasse?
- Não te preocupes. Faz como eu: ao longo da vida assegura o tempo da tua velhice…
«Poderia, com relativa facilidade, comentar esta realidade que hoje afecta um número muito exagerado de “velhos”, mas, quero deixar essa apreciação ao critério da vossa sagaz consciência, que sei de antemão, capaz e idónea para resumir em palavras sãs o episódio confrangente que acabei de narrar.»

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Há dias assim!

Há uns melhores, há outros piores e há aqueles que são assim assim. Inesperadamente, ou talvez não, o Margato teve que ir aos Açores e, tal como tinha prometido, foi à procura do Pepe.
O endereço que me tinham arranjado, tal como eu tinha já confirmado com a Junta de Freguesia de Vila Franca do Campo, estava errado. Mas, de qualquer modo, serviu como ponto de partida para as pesquisas do Margato.


Para ir directo ao assunto (há quem não goste muito de rodeios), posso dizer-vos que ao fim de meia-dúzia de perguntas, logo informaram o nosso camarada que o Pepe estava na área. Ele mora e trabalha, actualmente, nos Estados Unidos, mas por mera casualidade encontrava-se hoje na ilha de S.Miguel. Não é muito usual ele ir até aos Açores, pois já lá não tem ninguém de família, mas nestas férias de verão decidiu ir matar saudades da sua terra natal e isso deu ao Margato a chance que precisava para o encontrar.
Foi o nosso dia de sorte. Há dias assim!

Uma patrulha entre hipopótamos!

Não consigo encontrar uma razão para as patrulhas que, de um momento para o outro, começámos a fazer no rio Incomáti. Como oficial e comandante do meu pelotão, talvez o Tenente Ribeiro saiba a resposta para esta minha dúvida. Quando nos encontrarmos, em Pombal, vou perguntar-lhe. Não é que isso tenha grande importância agora, mas gosto de entender as coisas que acontecem na minha vida, mesmo "a posteriori".
Eu diria que foi a falta de acção que se vivia nesse tempo no sul de Moçambique e, em certa medida, a necessidade de treino que levou o nosso comando a pôr em marcha esse programa de patrulhas em botes de borracha, rio abaixo e rio acima, onde nada mais havia a não ser hipopótamos.


Foi com a maior surpresa que, na semana passada, recebi um e.mail do nosso Sargento Enfermeiro e com a maior alegria que vi nele incluídas algumas fotografias retratando as referidas patrulhas. E não é que, coincidência das coincidências, uma das fotografias foi apanhar-me logo a mim aos comandos da embarcação.
E esta, hein!?!?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um acordeão na Companhia!


Por sorte minha (ou azar!!!) levei comigo um acordeonista, em cada uma das duas comissões que fiz. Na CF2 era o Silvério que «rilhava foles» a toda a hora e não deixava ninguém dormir a sesta. Na CF8 era o Ramiro aquele a quem coube essa incumbência. Este, não tão barulhento como aquele, era muito mais suportável, ou talvez eu parasse menos tempo na caserna, já não me lembro.
Desde que reatei o contacto com ele, já no ano passado, que aguardava pelo envio de algumas fotografias. Ele tinha prometido e eu, quando me prometem alguma coisa, sou uma autêntica carraça. Tive que esperar quase um ano, mas finalmente chegaram e aqui está a primeira para matar as saudades de quem se lembra do Ramiro e do seu acordeão.

O Silvério e as alheiras!

Ambos são de Mirandela e, por conseguinte, de primeiríssima qualidade. Alguém duvida? Pois perguntem a quem percebe da poda. O Silvério era um rapaz de mão cheia, isso posso eu garantir. E as alheiras de Mirandela, há muito que provaram o que valem, nem precisam que eu as defenda.
Eu nem fazia ideia que o Silvério era de Mirandela, mas quando comecei as pesquisas alguém me sussurrou ao ouvido que procurasse na freguesia de Vale Salgueiro desse concelho.
Não me fiz rogado e cheio de esperança corri aos Correios e despachei a carta para o destino sugerido. Passaram-se quinze dias e já me tinha convencido que a carta tinha encontrado o seu destinatário. Puro engano. Hoje recebi a carta de volta, com a indicação de «destinatário desconhecido».
E fico sem saber se o Silvério se ausentou há tantos anos da sua terra que já ninguém se lembra dele, ou se a informação que me deram estava, simplesmente, errada.
Pode ser, quero crer que sim, que a próxima informação me leve até ele. Fé e esperança são virtudes que me acompanham sempre no meu dia-a-dia.

domingo, 22 de agosto de 2010

Pensando bem...!


Acabei de ler a última mensagem do Virgílio, no Blog «Fuzo de Água Doce», em que nos comunica que decidiu pôr um fim ao blog. Não sei o que o terá levado a isso, nem quero intrometer-me na sua vida privada. Se o fez, lá terá as suas razões e eu respeito isso. Se um dia ele resolver voltar ao nosso contacto, será sempre bem-vindo.
Mas, pensando bem, era eu quem devia pôr um ponto final neste blog, pois tenho razões de sobra para isso. Quando o criei, nos fins de 2008, em parceria com o Álvaro Dionísio, tínhamos planos para o alargar a muitos filhos da escola que aqui deveriam deixar os seus testemunhos e fazer dele um blog de referência.
Em vez disso, o que aconteceu foi o Álvaro ter desertado e deixado com a criança nos braços. Eu que já tinha o blog da Companhia 2, não estava nada interessado em ocupar-me dos dois. Fui tentando mantê-lo vivo com publicações ocasionais, inventei a desculpa de o transformar no blog da Companhia 8, arranjei alguns co-autores, mas tudo somado não dá para o tabaco.
Como se pode ver, agora, não aparece ninguém a comentar os assuntos relacionados com a CF8, para além do Páscoa. Os comentários do Valdemar, Pikó, etc., assim como os artigos que escrevo e eles comentam, caberiam perfeitamente no outro meu blog. Para eles que não viveram a vida dos fuzileiros, tanto se lhes dá que falemos da CF2 ou CF8, isso são meros pormenores que só têm significado para nós mesmos.
Se não fosse pelo Convívio Anual, cuja preparação está a entrar na recta final, a decisão do Virgílio decerto me contaminaria e levaria a seguir-lhe o exemplo.
Fica o assunto adiado por uns tempos e em Outubro logo se vê!

A Estrela e os seus Rios!

Tal como referi na mensagem anterior, passei muitas vezes perto de Videmonte. Quem faz a estrada nacional que liga a Covilhã à Guarda, avista esta aldeia no fundo do vale, conforme se vai subindo em altitude. As minhas obrigações profissionais levaram-me à Covilhã vezes sem conta e sempre que as condições atmosféricas não aconselhavam a travessia da serra pelo seu cume, o trajecto via Guarda era a melhor alternativa.

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Conheço bastante bem a Serra da Estrela e os seus rios, o Mondego e o Zêzere. Várias vezes visitei a nascente do Mondego e acompanhei o percurso do Zêzere. Sempre achei curioso o desígnio da natureza que fez com que dois rios que nascem, praticamente, no mesmo sítio, seguissem dois percursos tão distintos.


Os dois correrm paralelos, em direcção ao norte, até ultrapassar Manteigas e a partir daí o Zêzere começa a desandar, primeiro para nascente até perto de Belmonte e depois para sul em direcção ao Fundão. O Mondego continua sempre para norte, ladeando a Estrela pelo nascente e vai virando para o poente logo que a serrania lho permite. Vira então para sul e corre de novo ao lado da serra, desta vez pelo poente, partindo á desfilada em direcção a Coimbra e á Figueira.


Por seu lado, o Zêzere, uma vez ultrapassado  o Fundão, abre caminho por entre os desfiladeiros que separam a Gardunha da Estrela, à procura da sua confluência com o Tejo, em Constança. Atravessei pontes e barragens do curso deste rio e comi saborosas trutas nascidas e criadas nas suas águas gélidas.
E outro tanto fiz com o Mondego, seja no Porto da Carne, na região de Nelas, na Barragem da Aguieira ou nos arrozais do Baixo Mondego.
Por todas estas razões, considero que estes dois rios também fazem parte integrante da minha vida e não poderia passar ao lado deles sem fazer a sua apologia.

O Zé Fonseca!

Até há poucos dias atrás, nunca tinha ouvido falar de Videmonte. Por causa do Manel Ferreira que nunca mais consigo encontrar, fui parar a esta terra que fica no fundo de um buraco onde o Judas perdeu as botas. E no entanto passei lá perto vezes sem conta. Quem me empurrou para lá foi o Zeferino (1797/64) que, por acaso, nasceu em Figueiró da Serra, não longe de Videmonte, conhece aquelas paragens e sabia que o Zé Fonseca (2063/64) era dali natural.
Eu não sabia como chegar àquele buraco, mas com a ajuda daqueles que me têm apoiado nestas andanças, depressa encontrei um número de telefone para onde ligar e perguntar pelo nosso camarada, há tanto tempo desaparecido das nossas vidas. Cerca de uma hora depois do meu primeiro telefonema já estava conversando com ele ao telefone. Contou-me as voltas que a sua vida deu, desde que nos deixamos de ver e prometeu fazer os possíveis por comparecer em Pombal, no dia 2 de Outubro. Não pode garantir em absoluto a sua presença, pois a sua vida é ainda em França, para onde tem que regressar brevemente e não tem ainda uma agenda devidamente confirmada.
Terminado o Curso de 1º Grau que ocupou os seis meses subsequentes ao nosso regresso de Moçambique, foi incorporado na CF10 que seguiu para a Guiné, no início de 1969. Curiosamente a mesma em que seguiram alguns filhos da minha escola, como o Paixão que esteve comigo na CF2 e na CF8, ou como o Sérgio Rego e o Zé Pintado que tinham também feito parte da CF2 e da CF9, recém-regressada da Guiné.
Com eles foram também para a Guiné outros filhos da escola do Fonseca e camaradas da CF8, tais como o Paulino (1189/64), o Carlos Fazeres (1567/64), o Manel Macedo (1982/64) e o Miguel Neiva (2002/64).
Depois desta comissão o nosso amigo Fonseca partiu a caminho de França, procurando na emigração aquilo que a sua terra não lhe podia oferecer. E por lá continua, ainda hoje, uma vez que os seus filhos e netos fizeram daquela a sua terra. Voltar àquele buraco, perdido no meio do Parque Natural da Serra da Estrela, só mesmo em visita de férias, tal como agora aconteceu.
Por curiosidade, o Manel Macedo, acima referido, também era natural daquelas paragens, Linhares da Beira, para ser exacto. Não fosse o caso de ele, infelizmente, ter já falecido, seria um prazer ver os três naturais do Parque Natural, encontrar-se em Pombal e trocar um abraço tantos anos depois.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Incêndios! As nossas almas também ardem!

Estamos a construir um futuro muito sombrio. De todo o Mundo chegam-nos imagens devastadoras da água que mata, do fogo que mata, da Natureza que se revolta.
A população mundial atingirá os 7 mil milhões neste ano. Quando os nossos netos forem adolescentes haverá mais mil milhões de seres humanos e quando chegarem ao auge da sua capacidade de trabalho haverá mais mil milhões – 9 mil milhões de pessoas a viver no Planeta dentro de 40 anos. Um acréscimo de 200 vezes a população portuguesa. Isto são dados estatísticos que normalmente não falham…
Não se perspectivam alterações significativas nas sociedades de consumo que, por todo o Mundo, pressionam a produção de energia a níveis assustadores. O desastre ambiental está à vista de todos, mas o ser humano não é capaz de ver mais que um dia de cada vez. Nas próximas décadas, uma parte do Mundo continuará, durante uns tempos, mergulhada e inundada de águas pluviais, enquanto noutros locais arderá em incêndios loucos e devoradores a que quase nada escapa e, simultaneamente acontecerá noutros sítios precisamente o contrário. É, pois, o Mundo que temos, que construímos ou que nós próprios danificamos com os nossos procedimentos erróneos do ambiente que conspurcamos.
Somos avós e são as nossas almas que ardem quando pensamos no Planeta que vamos deixar aos nossos netos. Queremos ser optimistas e acreditar que as próximas gerações serão mais inteligentes que a nossa e as que nos precederam. Queremos acreditar que a Ciência será capaz de ajudar a Natureza a defender-se da ambição do ser humano e a curar as suas grandes falhas.
Porque, quando o calor aperta e a temperatura sobe, vemos o país onde nascemos ou habitamos a arder de norte a sul, os governantes, os autarcas, os bombeiros, os populares a trocarem acusações – o ministro a deitar água na fervura – e nós sabemos, dado a experiência de anos anteriores, que nada ou pouco mudará.

E, abandonados, quase sós
Que os socorros não tardem;
Porque no fogo dentro de nós
São as nossas almas que ardem!

Grande lição! Recomeçar... de novo!

O segredo das vitórias está na perseverança audaz. A vida oferece-nos tantas vezes derrotas desanimadoras, mas, se olharmos a natureza, encontramos na vida das avezinhas ou pássaros um exemplo formidável de perseverança.
Observemos a lição das avezitas perante a adversidade. Gastam dias e dias a construir o seu ninho.Com que entusiasmo buscam materiais em locais distantes. Partem cantando em busca de matérias apropriadas: pedacitos de ramos secos, de palha, de penas e até de cabelos humanos. Sempre com entusiasmo indescritível.
Mas, quando o ninho se esboça quase pronto para acolher os ovos, um temporal imprevisto ou um animal ou criança ignorante, desfazem aquela pequenina construção de amor.
Mas os pássaros não desistem. Recomeçam a faina de construção, sempre cantando num canto de entusiasmo e de esperança, num vaivém incansável para realizarem o sonho. E o ninho surge e recebe os primeiros ovos.
Muitas vezes, porém, algo inesperado volta a destruir aquele sonho lindo…
Dói… recomeçar de zero, mas mais uma vez aqueles passarinhos não desistem. Recomeçam cantando, pouco a pouco, pacientemente, vão construindo novo ninho para colocar seus ovos e acalentar seus filhotes.
Na nossa vida deparamos algumas vezes com desaires que nos prostram e nos desanimam, que destroem nossos sonhos e projectos. Quantos golpes atiram por terra o nosso emprego, a nossa saúde, as nossas realizações. Quantas vezes teremos pensado e dito: Basta!
Mas a lição de perseverança das aves ensina-nos a recomeçar uma vez, duas vezes ou mais, até conseguirmos reconstruir os nossos sonhos-pessoais ou da nossa família.
Dói imenso ter de recomeçar, de renovar tantos sacrifícios, tanto trabalho, tantas lutas, tantas lágrimas.
Mas recomeçando com entusiasmo, com a ajuda dos homens, das mulheres e de Deus, alcançaremos a alegria da esperada vitória da felicidade.

Munidos de um forte querer
E firmes na perseverança
Lutamos sempre até morrer
Nunca perdendo a esperança

Nesta bela lição das aves
Existe algo que muito doeu
De contornar os entraves
Buscando aquilo que se perdeu

Pairando no ar sereno
Para descobrir a verdade
Tentando sonhar em pleno
Em busca da felicidade…

Enfermeiro já temos!

Hoje tive o grande prazer de receber algumas fotografias enviadas pelo sargento enfermeiro da nossa Companhia, o Sr. João Gavinho Santos. Vou publicar aqui aquela onde ele aparece com a imagem mais ajustada àquilo que nós conhecemos. Só para refrescar a memória de quem o esqueceu e matar saudades. Das outras falarei mais tarde.
Foi com inenarrável alegria que o soube adepto das novas tecnologias e utilizador do E.mail. Isso torna tudo mais fácil. A troca de informações e fotografias, por este meio, torna-se assim uma brincadeira de crianças, o que me facilita a vida, e de que maneira.
Agora só me resta esperar que ele consiga deslocar-se até Pombal para o nosso convívio anual deste ano. A sua condição de saúde não é das melhores e há que contar com tudo. Um problema de insuficiência renal atrapalha a sua vida e limita a sua capacidade de movimentação. Vamos esperar que tudo isso seja ultrapassado.

O Encontro da Maia!

Ontem estive toda a tarde fora de casa, por causa do nosso encontro (4 fuzileiros do distrito do Porto) da Maia. Hoje estive todo o dia de serviço à minha cara metade. Ela precisava de ir até à feira de Barcelos "mercar" umas coisas e eu estava precisado de respirar um pouco de ar puro, longe deste meu refúgio de todos os dias. E assim foi, pusemos-nos a caminho logo após o pequeno almoço.
Depois do dever cumprido, do almoço engolido, num restaurante que mais parecia uma "Sauna", em vez de rumar a casa, deu-me para ir até à aldeia onde, segundo informações, reside o Djalma (2003/64). Corri a aldeia de uma ponta à outra, pelo menos umas quatro vezes, perguntei a quanto bicho-careta encontrei, pelo nosso camarada e nada. Ninguém me soube dizer nada dele. Parece-me muito estranho, mas não encontrei uma única pessoa que dissesse que o conhecia ou sabia de quem eu estava a falar.
Ás tantas, estou a trabalhar baseado em informações erradas. Tenho que recomeçar tudo do zero.
Quanto ao encontro da Maia, correu ás mil maravilhas. A nós os três, o Badaró, o Américo e eu, que já tínhamos estado no convívio de Aveiro, em Julho do ano passado, juntou-se o Serafim "dos cães" que eu encontrei, recentemente, a morar no Miramar, zona de fachos. Falamos de tudo e mais alguma coisa, vimos as fotografias, etc., etc., mas o tempo nunca chega para tudo aquilo que nós queremos.
O Serafim tem boa memória e lembra-se de muita coisa. Ajudou-me na identificação de algumas caras que aparecem nas fotografias, deu-me algumas informações sobre alguns dos camaradas que ainda não localizei, prometeu arranjar-me um ou dois telefones de contacto e, como não podia deixar de ser, contou-nos o que tem feito nos últimos 42 anos. Em apenas três horas, é obra!

Contou-nos ainda que o Manuel Macedo (1982/64) que era oriundo de uma terra transmontana vizinha da sua, já faleceu. Mais um amigo que não poderemos reencontrar nos nossos convívios, por mais que o desejemos.


Do encontro que decorreu no novíssimo "Shopping" das Guardeiras, deixo-vos estas duas fotografias para que possam ver a cara, versão 2010, do Serafim Soeiro, com quem agora podemos reatar o contacto.

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