Nem sempre existe correspondência entre a legalidade e a licitude moral do comportamento humano. Este desajustamento vai-se intensificando progressivamente com a aprovação e a promulgação de diplomas legislativos diametralmente opostos aos princípios morais e éticos pelos quais se rege ainda a maioria dos portugueses. E, paradoxalmente, é em nome da liberdade, da igualdade e do progresso civilizacional que se têm tentado justificar esses graves dislates que atravessam o coração das pessoas e esbarram nesta sociedade de poucos valores.
Apesar de alguns apoiarem e saudarem a recente promulgação da lei referente ao chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo, considerando-a como um importante marco histórico, a verdade, porém, é que ela vai certamente contribuir para um perigoso retrocesso na estrutura social. Tratando-se de um problema fracturante, como já foi reconhecido, a referida promulgação, em vez de potenciar unidade e de fomentar a coesão, vem antes contribuir para aumentar tensões e acentuar clivagens.
No pensamento confuso e turbulento de muitos, há flagrantes contradições. Como é sabido, desde há muito tempo que se vem contestando a estrutura familiar, que tem a sua raiz fecunda no casamento celebrado entre duas pessoas de sexo diferente, argumentando os seus opositores de que ele, mais não é do que o cumprimento de meras formalidades inimigas da celeridade e da simplicidade desejadas. Por isso, muitos têm infelizmente optado pela conhecida união de facto, já consagrada legalmente entre nós, a qual nos confere a possibilidade, quando isso lhes convier, de se descartarem facilmente da sua situação.
Pelo contrário, essas pessoas que são portadoras de orientação sexual diferente, como agora se diz, reivindicam o direito de serem equiparadas àquelas que têm o seu casamento reconhecido pela autoridade civil. Também os impulsionadores da elaboração de tal lei se orgulham pelo êxito final, por terem assim contribuído para a felicidade das pessoas, esquecendo-se de que nem tudo o que apetece ou dá prazer é susceptível de cobertura jurídica e nem sempre comporta essa felicidade que muito se apregoa, que mesmo entre casamentos naturais, quantas vezes se evapora. Duvido, pois, que tais casamentos, venham a tornar-se num autêntico mar de rosas. Todavia, me parece haver aqui férrea vontade de encobrir, politicamente alguém que, de certo modo goste de saborear os cortejandos de homossexualidade, ficando assim, isentados da censura imoral de tais actos que a maioria da sociedade repugna e detesta em grande escala.
Na senda do “avanço ético”, outros interesses se começarão já a perfilar no horizonte dos chamados progressistas, designadamente a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo e a tão propalada eutanásia como processo, segundo erroneamente afirmam, de conferir dignidade ao termo da existência.
Tudo isto é um chocante retrocesso e uma afronta inqualificável para a estrutura moral e ética da família, que irá ter, sem dúvida, consequências muito nefastas para as gerações mais jovens.
Por isso e sem prejuízo do respeito que todos nos merecem, os cristãos, particularmente e mesmo muitos que professam outras ou nenhumas religiões, jamais poderão abdicar do seu honrado património valorativo, ficando indiferentes, numa atitude de criminosa passividade, perante os desafios que têm pela frente, nestes tempos em que forças tenebrosas tentam cobrir de poeira a sua esperança numa sociedade melhor e com valores verdadeiramente sãos.
Da podridão nada se aproveita! A não ser a de João Moutinho que nada tem de podre, mas de perfeita sanidade!
A.T.Verde