O ano de 2010 é um ano de combate acérrimo à pobreza e exclusão social. Um combate de todos, das pessoas e das Instituições. Um dos princípios fundamentais é o reconhecimento do direito fundamental das pessoas em situação de pobreza e da exclusão social a viverem em dignidade e a exercer os seus direitos. Uma das causas da pobreza é a riqueza indigna e corrupta. O escritor moçambicano, Mia Couto, escreveu este poema em que lembra aos ricos a sua responsabilidade perante o fenómeno injusto da pobreza, intitulado:
Pobreza dos nossos ricos
A maior desgraça de uma Nação
É que, em vez de produzir
riqueza, produz ricos,
mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los
não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção
Rico é quem gera dinheiro
Endinheirado é quem tem dinheiro,
ou que pensa que o tem.
Porque, na realidade,
o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta:
são demasiado pobres os nossos “ricos”.
Aquilo que têm, não detêm.
Pior, aquilo que exibem como seu,
é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos
endinheirados usufruir
De tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão
de poderem ser roubados
Necessitavam de forças policiais à altura,
mas forças policiais à altura,
acabariam por lançá-los
a eles próprios na cadeia (…)
Mia Couto
Dá-nos este escritor
Em tempo de aflições
Com amargo sabor
Algumas lições
De economias a pique
Sem ética e moral
Que servem a Moçambique
E também a Portugal…
A.T.Verde
Sim senhor… louvável!
ResponderEliminarSó é pena que, quem lê isto não passa dum punhado de heróis de espírito, já que o físico é quase impraticável contra uma máfia que foi eleita por um povo de humilde inocência…
Heróis do mar e da terra; vamos a eles…